Um novo método para calcular o carbono armazenado no solo de florestas, desenvolvido com a participação de um professor da Unesp de Botucatu, será apresentado na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) em Belém. O evento, que reúne líderes mundiais para discutir ações climáticas, tem início nesta segunda-feira.
O professor Irae Guerrini, da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, já apresentou parte do estudo na COP28 em Dubai. A pesquisa propõe uma forma mais precisa de quantificar o carbono no solo de florestas nativas e reflorestadas.
“Nós fomos divulgar a nossa metodologia de quantificação de carbono em sistemas florestais que é diferente e mais preciso do que o que o pessoal tem usado no exterior e é recomendado pelo IPCC”, disse o professor.
O cálculo do carbono estocado é crucial para o mercado de crédito de carbono, um mecanismo que busca reduzir a emissão de gases de efeito estufa. O estudo, desenvolvido em colaboração com pesquisadores da Itália, sugere a coleta de amostras de solo em profundidades maiores do que os 30 centímetros recomendados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
As amostras foram coletadas em uma área de reserva da Mata Atlântica na Fazenda Lageado, no campus da Unesp, a partir de um metro de profundidade. Segundo os autores, a nova metodologia também tem um menor impacto ambiental.
Além deste projeto, outras iniciativas com participação de representantes do interior de São Paulo integram a programação da COP30. Representantes de projetos desenvolvidos em diversas regiões do estado estarão presentes. A Unesp de Bauru também participa do evento com o projeto “Biblioteca Falada”, focado em acessibilidade. O laboratório produziu audiodescrição da Casa da Floresta Unesp Peabiru, espaço que receberá uma exposição imersiva.
Rodrigo Ciriello, diretor da Futuro Florestal, empresa de Garça (SP) que trabalha com produção de mudas nativas e exóticas, representará a iniciativa. Ele também é co-líder da Força Tarefa de Silvicultura de Nativas da Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura.
Representantes indígenas da Reserva de Araribá, em Avaí (SP), e de Itaporanga também participarão de painéis, levando informações sobre as ações desenvolvidas em terras indígenas no interior de São Paulo. Iniciativas da Reservas Votorantim, com ações de crédito de carbono, também estarão representadas.
Fonte: g1.globo.com