Um casal residente em Guapiaçu, interior de São Paulo, reviveu momentos de angústia diante das intensas queimadas que assolaram a região em setembro de 2024. Carlos Moioli, produtor rural, e Maria Helena Moioli, dona de casa, viram parte da propriedade rural, onde vivem há cinco décadas, ser consumida pelas chamas no dia 26 daquele mês.
O incidente ocorreu logo após o retorno do casal do hospital, onde Carlos havia passado por um procedimento cirúrgico. Ao avistar o fogo à distância, o produtor rural descreveu o sentimento como “só tristeza”, lamentando a destruição causada e a impotência diante da situação.
A ação rápida de um vizinho, que cortou a cerca da propriedade, permitiu que parte do rebanho escapasse para áreas seguras. O sítio, que pertence à família de Maria Helena há mais de um século, carregava memórias de gerações. A moradora relatou nunca ter presenciado uma tragédia de tamanha proporção.
Especialistas alertam que a maioria dos incêndios tem origem em ações humanas, mas a especialista em conservação, Helga Correa, ressalta que os eventos também refletem os efeitos das mudanças climáticas. Ela aponta que as condições favoráveis à propagação do fogo têm se repetido ano após ano nas mesmas áreas, com impactos que vão além do clima e da biodiversidade.
Ane Alencar, coordenadora do Mapbiomas Fogo, enfatiza os prejuízos econômicos e os impactos diretos na rotina das pessoas causados pelos incêndios. Segundo ela, as consequências são devastadoras, com perdas financeiras, impactos sociais e danos à saúde da população devido à fumaça. Alencar também destaca os danos ecológicos ao meio ambiente e à biodiversidade.
Fonte: g1.globo.com