Um grito coletivo de indignação e socorro ecoou nas redes sociais nestes últimos dias pela Tainara e pela ex-namorada do péssimo influenciador Thiago Schultz mais conhecido como “calvo do Campari”. O cerne das histórias é sempre o mesmo: eles não aceitam o “NÃO” delas.
No entanto, algo diferente começou a pairar no ar e no ambiente digital, porque todas as mulheres estão enxergando que mesmo com leis e espaços especializados de proteção, os números não param. Como se não bastasse, discursos de ódio contras às mulheres estão sendo disseminados por criminosos em potencial, disfarçados de influenciadores. Mensagens que incentivam o controle do outro, ciúmes desnecessários e até xingamentos para aqueles cuidam de filhos que não são deles, são alguns dos exemplos mais corriqueiros. Ao que tudo indica, grupos são formados em meio às comunidades digitais desses líderes doentios do movimento “red pill”. O momento pede atenção extrema! A internet não pode ser terra sem lei. Se tudo, ou quase tudo começa ali, esses “coachs” precisam ser responsabilizados, e a misoginia e a machosfera que propaga o movimento da pílula vermelha deve sim, ser criminalizada. Afinal, eles estão construindo maciçamente apologia à violência de gênero.
Não há mais dúvidas que o ambiente digital encontrou solo fértil onde os lobos, disfarçados de “homem de valor” incentivam o controle absoluto DELE para com ELA. É perigoso, porém necessário afirmar que, esses discursos podem incentivar um homem inseguro, violento ou até mesmo um possível psicopata, a adotar esse comportamento abusivo e fatal, sempre com a desculpa de que, homens bem resolvidos determinam a hierarquia.
Em linhas gerais, fica evidente a instrumentalização das redes sociais e o aumento desses grupos de intolerância, bem como o aumento da violência para com as mulheres.
Não há mais espaço para violência de gênero e negacionismo, porque contra fatos não há argumentos. As autoridades devem fiscalizar e banir essas comunidades digitais onde eles se unem. E quando a internet não está associada, como no caso da Tainara que teve as duas pernas amputadas depois de ser arrastada por um km na marginal Tietê, que as leis sejam mais severas com os criminosos.
Quando uma mulher é morta, estuprada, agredida, assediada ou aterrorizada, todas as mulheres se sentem vítimas também. O medo existe em todas, mesmo naquelas que, por sorte, nunca foram alvo de algo similar. Mas os números são fortes: uma a cada três mulheres já sofreram algum tipo de violência patriarcal no mundo. No Brasil, a cada 11 minutos, uma mulher é violentada sexualmente.
Que tipo de apelo precisamos fazer? A quem recorrer? O que falta para que a mudança realmente seja vista?
Fica a reflexão, fica o pedido de socorro. O nó na garganta está insustentável e ninguém sabe quando irá desmanchar…
O mundo é cruel com as mulheres, mas não deveria ser, porque todos os agressores nasceram de uma mulher. Aliás, fica evidente a necessidade de homens adotarem o feminismo também. Não aceite homens ou mulheres diminuírem o movimento feminista – porque isso por ser um sinal da misoginia que predomina neles – que, por sua vez, é o primeiro sinal de algo maior que pode eclodir no futuro.
O fato é que o poder público precisa vigiar, ou a cada dia, mais mulheres perderão suas vidas de forma bárbara nas garras do patriarcado. A gravidade é real!
Por Dani Manzani