A indústria brasileira de motocicletas registrou um desempenho notável no primeiro bimestre de 2026, com um aumento de 1,7% na produção de motocicletas em comparação com o mesmo período do ano passado. No total, 348.732 unidades saíram das linhas de montagem em janeiro e fevereiro, marcando o melhor resultado para este período nos últimos 15 anos. Os dados, divulgados pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), refletem um setor dinâmico e responsivo às demandas do mercado nacional e internacional, apesar de algumas flutuações mensais esperadas.
O Ritmo da Indústria: Fatores por Trás do Crescimento Consistente
O crescimento da produção de motocicletas não é apenas um número, mas um indicador do aquecimento do setor de duas rodas e de mudanças nos hábitos de consumo e mobilidade dos brasileiros. Segundo Marcos Bento, presidente da Abraciclo, o setor mantém um ritmo consistente, alinhado ao planejamento estratégico das fabricantes e impulsionado, em grande parte, pela contínua demanda do mercado. Esta demanda é multifacetada, abrangendo desde a busca por opções de transporte mais econômicas e ágeis em grandes centros urbanos até o uso profissional em serviços de entrega, que se consolidaram nos últimos anos.
É importante notar que, embora o resultado geral do bimestre seja robusto, houve um recuo na produção de fevereiro em relação ao mesmo mês de 2025 e a janeiro deste ano. Em fevereiro, foram produzidas 164.104 motocicletas, um volume 7,1% menor que no ano anterior e 11,1% inferior ao de janeiro. Contudo, essa retração já era prevista pela entidade, em decorrência do feriado prolongado de Carnaval, que impactou diretamente o número de dias úteis e, consequentemente, o ritmo de trabalho nas fábricas. A análise contextual mostra que essa queda pontual não compromete o ímpeto geral de crescimento do setor.
Perfil da Produção: Baixa Cilindrada Lidera, Alta Cresce Expressivamente
O balanço da Abraciclo revela a estrutura da produção, com a predominância dos modelos de baixa cilindrada. Essas motocicletas, que somaram 270.919 unidades e representam 77,7% do total fabricado, continuam sendo a espinha dorsal do mercado brasileiro. Sua popularidade é impulsionada pela acessibilidade, baixo custo de manutenção e eficiência de combustível, características essenciais para o uso diário, seja para o deslocamento casa-trabalho ou como ferramenta de trabalho para milhões de entregadores e mototaxistas em todo o país.
Em um movimento que aponta para a diversificação do consumo, a produção de motocicletas de alta cilindrada registrou um crescimento expressivo de 22% no primeiro bimestre. Foram fabricadas 9.725 unidades nesse segmento, que, apesar de corresponder a apenas 2,8% da produção total, demonstra o aumento do poder de compra e o interesse dos consumidores por modelos mais potentes e com maior tecnologia embarcada, muitas vezes para lazer e viagens. Os modelos de média cilindrada completam o cenário, com 19,5% do volume total.
As Categorias Mais Procuradas
Entre as categorias, a Street se manteve como a líder de produção no bimestre, com 180.488 unidades, respondendo por 51,8% do volume fabricado. Esses modelos são os mais versáteis para o ambiente urbano, oferecendo um equilíbrio entre agilidade e conforto. Em segundo lugar, a categoria Trail, com 19,4% do total produzido, reflete a preferência por motocicletas adaptadas tanto para o asfalto quanto para estradas de terra, ideais para um país de dimensões continentais como o Brasil. As Motonetas, com 13,3%, seguem populares pela facilidade de pilotagem e economia, especialmente em centros urbanos.
Emplacamentos e Exportações: Impulsionando o Mercado
O vigor da produção de motocicletas encontra respaldo nos dados de vendas e exportações. De janeiro a fevereiro, foram emplacadas 350.110 motocicletas, um aumento robusto de 13,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Essa alta nos emplacamentos sinaliza um ambiente de maior confiança do consumidor, potencializado pela melhoria nos índices de crédito e emprego, fatores que, como já noticiado pelo RP News, têm sido cruciais para o recorde de vendas no comércio de forma geral. Em fevereiro, as vendas somaram 171.548 unidades, um crescimento de 10% sobre o mesmo mês de 2025, compensando uma ligeira queda registrada em janeiro.
As exportações também desempenham um papel crucial no bom desempenho do setor de duas rodas. No primeiro bimestre, o Brasil exportou 8.015 unidades, marcando um impressionante aumento de 43,1%. Só em fevereiro, as associadas da Abraciclo enviaram 4.748 motocicletas para o mercado externo, um volume 70% superior ao registrado em fevereiro do ano passado e 45,3% maior que em janeiro. Esse crescimento nas exportações demonstra a competitividade da indústria nacional e a busca por novos mercados, consolidando o Brasil como um importante player no cenário global de fabricação de motocicletas.
O balanço do primeiro bimestre de 2026 para a produção de motocicletas no Brasil é, portanto, um retrato de um setor em plena expansão, resiliente às intempéries pontuais e alinhado às necessidades de mobilidade e consumo do país. Com a liderança da baixa cilindrada, o avanço da alta cilindrada e o fortalecimento das exportações, a indústria de duas rodas demonstra vitalidade e potencial para continuar sendo um motor de desenvolvimento econômico e social. Para acompanhar de perto os desdobramentos deste e de outros importantes temas que impactam o Brasil e o mundo, continue lendo o RP News, seu portal de informação relevante, atual e contextualizada, sempre com o compromisso da qualidade e da análise aprofundada.