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Rugby Feminino: Com Talento de Thalia Costa, Yaras Miram Retorno à Elite Global

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© World Rugby/Divulgação/Direitos Reservados

O mês de março marca um período decisivo para o futuro do rugby feminino brasileiro. As Yaras, como é conhecida a seleção brasileira, enfrentam as etapas finais da segunda divisão do Circuito Mundial de Sevens, a modalidade olímpica do esporte. O objetivo é claro e ambicioso: garantir uma vaga na elite global da categoria. Com torneios cruciais em Montevidéu, Uruguai, e em São Paulo, Brasil, a equipe busca consolidar seu lugar entre as grandes forças do rugby internacional, impulsionada pelo talento de uma das atletas mais destacadas do cenário mundial.

Neste desafio, o Brasil conta com uma joia rara: Thalia Costa. A maranhense de 28 anos transcende as expectativas, tendo sido eleita para o prestigiado “Time dos Sonhos” mundial na temporada passada. Um feito notável, considerando que ela figurou ao lado de estrelas de potências tradicionais como Nova Zelândia, Austrália e Japão, países que dominam a primeira divisão da modalidade. Sua presença no circuito, e a consistência de seu desempenho, sublinham a capacidade de atletas brasileiras de brilhar no mais alto nível, mesmo em um esporte ainda em consolidação no país.

Thalia Costa: Velocidade e Talento Reconhecido Mundialmente

O impacto de Thalia no rugby sevens é inegável, e os números reforçam sua importância. Ela ocupa o 14º lugar no ranking histórico de jogadoras que mais pontuaram no Circuito Mundial, com impressionantes 127 tries em sete participações. O try, momento em que o atleta cruza a linha de fundo com a bola oval, é o equivalente em importância ao gol no futebol, e sua frequência demonstra a eficácia de Thalia em momentos decisivos. Na temporada anterior, ela foi a terceira maior artilheira da competição, com 29 tries em apenas seis etapas, evidenciando uma fase excepcional.

Apesar do reconhecimento internacional, Thalia mantém a humildade. Em entrevista à TV Brasil, ela expressou certa surpresa com sua própria trajetória. “Eu tenho essa noção, mas não sei te dizer se ela parece ser real. Às vezes, eu me pergunto se jogo tudo isso, se é possível. Mas olho para minha trajetória e vejo que sim e que ainda estou em uma constante evolução, ainda tenho muito para aprender”, revelou. Essa perspectiva reflete não apenas o caráter da atleta, mas também a constante busca por aprimoramento que a levou ao topo.

O principal trunfo da maranhense é a sua velocidade vertiginosa, capaz de superar os 30 km/h em uma disparada rumo ao try. Uma característica forjada em sua história de vida e em sua origem no atletismo, onde se especializou nas provas de 100 e 200 metros. A memória de correr descalça em pedra brita, um cenário tão distante das modernas pistas de hoje, contextualiza a resiliência e a paixão que a trouxeram até o rugby. “A Thalia é super rápida, mas também muito em forma, o que significa que pode utilizar repetidamente a velocidade. É como as motocicletas em São Paulo. Ela é pequena e veloz. Encontra os espaços e os aproveita. Ela joga da maneira que acreditamos ser muito bom para o Brasil”, elogiou a técnica neozelandesa da seleção feminina, Crystal Kaua, à TV Brasil, destacando a singularidade do seu estilo de jogo.

Da Pista ao Campo Oval: Uma Transição de Sucesso e Laços Familiares

A transição de Thalia para o rugby aconteceu em 2017. Apenas dois anos depois, veio a primeira convocação para a seleção brasileira e a mudança para São Paulo, centro de treinamento das Yaras. A distância da família, um desafio comum para atletas de alta performance, é amenizada pela presença de sua irmã gêmea, Thalita. Dois minutos mais nova, Thalita não só a acompanha nos esportes desde cedo, mas também defende a seleção nacional de rugby, reforçando os laços familiares e o talento compartilhado.

Thalita, por sua vez, encontrou na irmã uma inspiração para continuar no esporte. “Eu estava em uma fase da vida em que achava que precisava procurar outra coisa. Estudar, fazer faculdade. Mas eu acabei me inspirando na garra e na força que ela [Thalia] tem para realizar os sonhos dela. Isso cresceu em mim esse sentimento de que ainda conseguiria [viver do esporte], de que era capaz. Sempre fizemos tudo juntas. Então, é um privilégio muito grande tê-la como irmã e inspiração”, contou à TV Brasil, evidenciando a profunda conexão e o apoio mútuo entre as irmãs, um pilar importante na jornada de ambas.

Experiência Internacional e o Caminho Rumo à Elite Mundial

O reconhecimento do talento de Thalia levou-a a experiências inéditas, como a participação na liga japonesa de rugby sevens em 2025, após sua atuação no Circuito Mundial. Ao lado da carioca Gabriela Lima, também jogadora das Yaras, ela defendeu o Mie Pearls, marcando a primeira vez que atuava por um clube estrangeiro. “Falando a verdade, eu nunca tive vontade de sair do Brasil e experimentar o mundo pelo rugby. Mas quando surgiu essa oportunidade, e como gosto muito do Japão e da cultura japonesa, falei: ‘vamos testar’. E foi incrível. Parecia que já conhecia todo mundo do time há muito tempo. E nem entendia a língua [risos]. Fizemos história, ganhamos etapas [da liga] que elas não tinham ganho ainda. Tanto que quero voltar!”, revelou Thalia, mostrando sua adaptabilidade e o sucesso de sua aventura internacional.

Agora, toda essa experiência e talento serão cruciais nas etapas de Montevidéu (21 e 22 de março, no Estádio Charrúa) e São Paulo (28 e 29 de março, no Estádio Nicolau Alayon). Para alcançar o Campeonato Mundial, que reunirá 12 equipes em três etapas (Hong Kong, Valladolid e Bordeaux), as Yaras precisam finalizar o circuito entre as quatro seleções mais bem colocadas, juntando-se às oito equipes da primeira divisão. A última etapa, em Nairobi, Quênia, entre 14 e 15 de fevereiro, não foi favorável, com a equipe brasileira terminando em sexto e último lugar, com apenas uma vitória em cinco jogos. Essa performance serve como um alerta e um estímulo para as próximas batalhas.

A responsabilidade de Thalia vai além da pontuação. Com a treinadora promovendo a integração de jogadoras mais jovens, ela se vê no papel de mentora. “Ainda mais pela troca que a treinadora tem feito, de trazer jogadoras mais novas, eu me sinto no dever de fazer com que essa transição seja das melhores possíveis. Mas eu acho que vai dar bom”, afirmou, demonstrando seu compromisso com o desenvolvimento da equipe e a crença no potencial das Yaras. O desempenho nos próximos dias não definirá apenas o futuro dessas atletas, mas também o patamar do rugby feminino brasileiro no cenário global do esporte, um esporte olímpico em franca ascensão no país.

Acompanhe as próximas etapas do Circuito Mundial de Sevens e torça pelas Yaras nesta jornada por uma vaga na elite do rugby. O RP News continuará a cobrir este e outros temas relevantes do esporte nacional e internacional, oferecendo informação de qualidade e aprofundada. Mantenha-se conectado ao nosso portal para não perder nenhum lance e entender o impacto dessas histórias no cenário esportivo e social do Brasil.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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