PUBLICIDADE

[labads id='2']

Ex-companheiro de PM Gisele Santana refuta tese de suicídio em depoimento à Polícia Civil

Teste Compartilhamento
© Gisele Alves Santana/ Instagram

A morte da policial militar Gisele Alves Santana, encontrada sem vida com um tiro na cabeça em fevereiro, ganhou novos e relevantes contornos após o depoimento de seu ex-companheiro à Polícia Civil. Na última sexta-feira (13), o homem, pai da filha de Gisele, desmentiu categoricamente a tese de suicídio que pairou sobre o caso desde o início. Segundo o advogado da família da vítima, José Miguel da Silva Junior, o depoente descreveu Gisele como uma mulher sem qualquer indício de tendência suicida, jogando luz sobre uma investigação que já apresentava sérias inconsistências.

As declarações do ex-marido são cruciais para a apuração da Polícia Civil, que busca esclarecer as circunstâncias da trágica morte da PM. Ele relatou que Gisele manifestava o desejo de se separar do então marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Neto, com quem dividia o apartamento onde o corpo foi encontrado. “É relevante [ele ter relatado] que ela não tinha tendências suicidas, que ela era uma moça que estava querendo se separar, que ela jamais agrediu o ex-marido e que ela queria alugar uma casa e não conseguiu, depois ela queria voltar para a residência dos pais”, detalhou o advogado da família, reforçando uma narrativa de busca por autonomia e não de desespero.

Detalhes íntimos que contradizem a versão inicial

O depoimento do ex-companheiro foi além, revelando um aspecto delicado da relação de Gisele com Geraldo Leite Neto. Ele confirmou que a filha da policial tinha “pavor de ficar lá com o senhor Neto”, uma informação que o advogado Silva Junior classificou como “relevante” para a investigação. Esse dado, somado ao fato de que Gisele mantinha uma boa relação com o ex-marido e estava planejando um futuro diferente, pinta um quadro que diverge drasticamente da imagem de alguém à beira de um suicídio.

A morte de Gisele Alves Santana, ocorrida em 18 de fevereiro, foi reportada inicialmente por Geraldo Leite Neto, que estava no apartamento, como um suicídio. Contudo, desde o primeiro momento, os laudos periciais e as evidências levantaram dúvidas. A Polícia Civil vem trabalhando para desvendar o que realmente aconteceu naquele dia, considerando todas as possibilidades, incluindo a de feminicídio.

Laudos do IML: Sinais de luta e agressão

A principal peça de evidência que colocou a tese de suicídio em xeque são os laudos necroscópicos do Instituto Médico Legal (IML). Esses documentos apontaram “lesões contundentes na face e na região cervical de Gisele”. Mais alarmante ainda, as lesões foram descritas como “resultado de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal”, ou seja, marcas que indicam pressão de dedos e arranhões causados por unhas. Tais ferimentos são fortemente sugestivos de uma luta ou agressão física, sendo incompatíveis com um cenário de autoextermínio.

É importante notar que essas descobertas não são recentes. O advogado da família destacou que o laudo necroscópico inicial, datado de 19 de fevereiro – apenas um dia após a morte de Gisele –, já mencionava lesões na face e no pescoço. Essa informação foi reiterada e aprofundada em um laudo posterior, de 7 de março, emitido após a exumação do corpo da vítima. A consistência dos resultados dos laudos forenses desde o início da investigação reforça a necessidade de se aprofundar na linha de um possível homicídio.

A complexidade das investigações de feminicídio no Brasil

O caso de Gisele Alves Santana ecoa a complexa realidade da violência doméstica e do feminicídio no Brasil. Muitas vezes, crimes de extrema violência contra mulheres são inicialmente camuflados ou classificados de forma errônea, seja por negligência, falta de treinamento das primeiras autoridades a chegar ao local ou, em alguns casos, pela tentativa dos agressores de desviar a investigação. A dedicação da Polícia Civil em aprofundar a apuração, reavaliando evidências e colhendo novos depoimentos, é fundamental para que a justiça seja feita e para que a memória de Gisele seja respeitada.

A repercussão de casos como o da PM Gisele acende um alerta sobre a importância de uma investigação minuciosa e imparcial, onde cada detalhe, cada marca e cada depoimento sejam cuidadosamente analisados. A desqualificação inicial de um crime, especialmente quando se trata de mulheres, pode comprometer todo o processo judicial e perpetuar um ciclo de impunidade. A atuação do advogado da família, buscando todas as informações e impulsionando a revisão de laudos e depoimentos, mostra a perseverança necessária para confrontar narrativas superficiais e buscar a verdade.

O RP News continuará acompanhando de perto os desdobramentos da investigação sobre a morte da policial militar Gisele Alves Santana. Manter nossos leitores informados sobre casos de tamanha relevância social é parte do nosso compromisso com o jornalismo de qualidade. Acompanhe nosso portal para ter acesso a análises aprofundadas, notícias atualizadas e contextualizadas sobre este e outros temas que impactam a sociedade brasileira. Sua informação é nossa prioridade.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Leia mais

PUBLICIDADE

[labads id='3']