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Casal é preso em Riolândia acusado de torturar sobrinha de 12 anos por um ano; delegado aponta ‘diversos estágios de cicatrização’ em lesões

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G1

Uma denúncia anônima levou ao resgate de uma adolescente de 12 anos em Riolândia, interior de São Paulo, revelando um cenário de profunda **violência doméstica** e **tortura infantil**. Um casal foi preso na noite da última quinta-feira (19) sob a acusação de manter a própria sobrinha em condições degradantes, com ferimentos graves e sinais de desnutrição que indicam um ano de agressões contínuas. As lesões visíveis na vítima, descritas pelo delegado como em “diversos estágios de cicatrização”, chocam e acendem um alerta sobre a **vulnerabilidade infantil** dentro do ambiente familiar.

A ação que resultou na prisão dos tios e no acolhimento da menina começou na terça-feira (17), quando o **Conselho Tutelar** de Riolândia recebeu a denúncia. O relato informava que a adolescente estava sendo submetida a **maus-tratos** e **tortura** na fazenda onde vivia com os tios. A primeira abordagem, no entanto, foi marcada pela tentativa de ocultação da vítima, com a tia alegando que a menina estaria na casa da avó – informação prontamente desmentida, elevando as suspeitas das autoridades e da comunidade local.

A descoberta e a crueldade revelada

Diante da inconsistência das informações e da gravidade da denúncia, o Conselho Tutelar acionou a Polícia Militar. Em um retorno à propriedade rural, conselheiros e policiais localizaram a menina escondida, confirmando o temor inicial. As condições em que a adolescente foi encontrada eram alarmantes. O delegado Alexandre Pirani, responsável pelo caso, ressaltou em entrevista que os sinais de violência eram inegáveis e imediatamente perceptíveis, evidenciando o longo período de sofrimento.

“Segundo os exames realizados, a adolescente estava muito magra e em estado de **desnutrição**”, detalhou o delegado. “O que mais nos chamou atenção foi as diversas lesões em diversos estágios de cicatrização”, completou Pirani, sublinhando a natureza sistemática e prolongada das agressões. A investigação preliminar, baseada no depoimento da própria vítima e nas evidências periciais, apontou que a menina era agredida com socos, chutes e até golpes com objetos como cabos de vassoura, desferidos principalmente pela tia. O tio, por sua vez, foi enquadrado como omisso, uma vez que, ciente das agressões, nada fez para impedi-las ou proteger a sobrinha.

Amparo à vítima e as implicações legais da tortura

Após ser resgatada, a menina foi prontamente socorrida e levada à Santa Casa, onde recebeu os primeiros atendimentos médicos para tratar as lesões e a desnutrição. Posteriormente, foi encaminhada a um abrigo, garantindo-lhe um ambiente seguro e protegendo-a de novas violências. Este passo é fundamental para sua recuperação física e psicológica, que será longa e complexa. A **prisão temporária** dos tios, cumprindo mandado judicial, foi decretada por **tortura**, um crime de extrema gravidade na legislação brasileira (Lei nº 9.455/97), que prevê penas severas, refletindo a intolerância da sociedade a atos de tamanha crueldade contra pessoas em situação de vulnerabilidade, como crianças e adolescentes.

Este caso em Riolândia ecoa a triste realidade de milhares de crianças e adolescentes no Brasil que são vítimas de **abuso** e violência dentro de suas próprias casas, muitas vezes perpetrados por aqueles que deveriam protegê-las. A falta de voz dessas vítimas e o sigilo que costuma cercar esses crimes tornam as denúncias anônimas e a vigilância comunitária ferramentas cruciais na defesa dos direitos infantis. A responsabilidade do **Conselho Tutelar** e das forças de segurança é vital para romper o ciclo de violência e assegurar a integridade de quem não pode se defender sozinho.

Próximos passos da investigação e a busca por um futuro seguro

A investigação não se encerra com a prisão dos tios. A Polícia Civil inicia agora uma nova fase do inquérito para aprofundar os detalhes do caso e garantir o futuro da adolescente. Entre os próximos passos, está a oitiva de outros familiares, como a avó materna da vítima, e a localização da genitora, cujo paradeiro é desconhecido e, segundo informações, estaria no estado do Rio de Janeiro. A apuração busca entender o histórico familiar e o contexto que permitiu que a menina fosse deixada sob a guarda dos tios sem um acompanhamento adequado, ressaltando a complexidade de casos onde a estrutura familiar está desfeita ou é disfuncional.

Outra linha de investigação importante, conforme mencionado pelo delegado Alexandre Pirani, é a tentativa de localizar e identificar o pai biológico da vítima. A adolescente não possui registro de paternidade, e esse reconhecimento é fundamental não apenas para a sua identidade civil, mas também para garantir seus direitos futuros, como pensão alimentícia, herança e acesso a benefícios. A garantia de um lar seguro, seja com familiares idôneos ou em um programa de **acolhimento** institucional, e a reconstrução de sua dignidade e direitos são os objetivos centrais das autoridades neste momento crítico.

O caso da menina resgatada em Riolândia é um lembrete doloroso da importância da atenção e da denúncia de qualquer suspeita de violência contra crianças e adolescentes. O RP News segue acompanhando este e outros casos de grande relevância, mantendo o compromisso de trazer informação de qualidade, contextualizada e que dialogue diretamente com a sua realidade. Para ficar por dentro de todas as atualizações e uma vasta gama de conteúdos, continue navegando em nosso portal, seu ponto de informação relevante.

Fonte: https://g1.globo.com

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