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Acordo Mercosul-UE: governo confirma início provisório em maio, abrindo portas e gerando debates

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© União Europeia/Mercosul

Após mais de duas décadas de complexas negociações, o **acordo provisório de comércio** entre o **Mercosul** e a **União Europeia (UE)** tem data marcada para entrar em vigor: 1º de maio de 2026. A confirmação, feita pelo governo brasileiro nesta terça-feira (24), marca um passo significativo em um dos projetos de **integração econômica** mais ambiciosos do país, mas também realça os desafios e as resistências que ainda permeiam o tratado, especialmente no continente europeu. A aplicação ocorre após a conclusão dos trâmites internos necessários e a troca formal de notificações entre as partes envolvidas, pavimentando o caminho para uma nova dinâmica no **comércio internacional** entre os blocos.

Em uma nota conjunta, os Ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), das Relações Exteriores e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento informaram que, em 18 de março, o Brasil comunicou à Comissão Europeia sobre a finalização de seu processo interno de ratificação. A resposta da União Europeia, enviada em 24 de março, atendeu às exigências previstas no texto para que a **vigência provisória** pudesse ser estabelecida. No Brasil, embora o Congresso Nacional já tenha promulgado o acordo na semana passada, o decreto de promulgação – ato final que incorpora o tratado ao ordenamento jurídico nacional – ainda aguarda os últimos passos para sua formalização, tornando-o obrigatório no país.

Uma Jornada de Duas Décadas e Suas Flutuações

A história deste acordo remonta ao longínquo ano de 1999, refletindo uma saga de idas e vindas marcada por crises econômicas, mudanças políticas e divergências setoriais em ambos os lados do Atlântico. O esforço para construir uma parceria estratégica entre o bloco sul-americano, composto por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, e a potência econômica europeia sempre foi visto como uma forma de fortalecer o multilateralismo e diversificar as relações comerciais globais. No entanto, a complexidade de harmonizar interesses agrícolas, industriais e ambientais, em contextos tão distintos, fez com que as negociações se arrastassem, muitas vezes à beira do colapso. Houve momentos de otimismo, como em 2019, quando um acordo político foi anunciado, mas logo as preocupações sobre questões ambientais, principalmente o desmatamento na Amazônia, e o impacto no **setor agrícola** europeu ressurgiram com força, paralisando o processo por anos.

Impactos Econômicos Esperados: Ganhos e Desafios

Com a entrada em vigor provisória, o acordo prevê uma série de medidas destinadas a impulsionar o **comércio bilateral**. Entre as principais, destacam-se a **redução gradual de tarifas**, a **eliminação de barreiras comerciais** não tarifárias e uma maior **previsibilidade regulatória**. Para o Brasil, a expectativa é significativa: ampliar o acesso de empresas brasileiras a um dos maiores e mais ricos mercados consumidores do mundo, com mais de 450 milhões de habitantes e um PIB combinado que supera o dos Estados Unidos. Isso deve favorecer as **exportações** de produtos agrícolas, como carnes e sucos, e também abrir portas para produtos industriais com maior valor agregado.

Além do aumento das exportações, o governo brasileiro aposta que o acordo atrairá mais **investimentos** estrangeiros diretos para o país, contribuindo para a modernização da indústria e a geração de empregos. A integração do Brasil às **cadeias globais de valor** é outro benefício esperado, permitindo que as empresas nacionais participem de etapas da produção de bens e serviços que se estendem por diversos países, aumentando a competitividade e a produtividade. Por outro lado, a maior oferta de produtos europeus no mercado interno poderá beneficiar os consumidores brasileiros com mais opções e, potencialmente, preços mais competitivos, mas também exigirá que a indústria nacional se prepare para uma concorrência mais acirrada.

Resistências e o Debate Europeu: França à Frente da Crítica

Apesar do avanço, a confirmação do início provisório do acordo não significa o fim das turbulências. Pelo contrário, o tratado ainda enfrenta considerável **resistência dentro da Europa**, um reflexo das complexas dinâmicas políticas e econômicas do bloco. Países como a França, com o apoio de nações como Polônia, Irlanda e Áustria, têm expressado fortes temores sobre os impactos negativos no seu **setor agrícola**. Os agricultores europeus, que já protagonizaram diversos protestos recentes, receiam a concorrência de produtos sul-americanos, que, em sua visão, muitas vezes não seguem as mesmas rigorosas normas ambientais e sanitárias impostas na Europa. O presidente francês, Emmanuel Macron, tem sido uma voz proeminente nas críticas, chegando a questionar a aceleração da aplicação provisória.

As preocupações não se limitam apenas à agricultura. **Ambientalistas e organizações da sociedade civil** europeias também se opõem ao tratado, levantando bandeiras sobre o potencial impacto do acordo no desmatamento e nas políticas climáticas. Argumentam que a facilitação do comércio com países que têm histórico de fragilidade na proteção ambiental poderia incentivar práticas insustentáveis. Por outro lado, nações como Alemanha e Espanha apoiam o acordo, enxergando nele oportunidades comerciais e estratégicas cruciais, como a diversificação de parceiros em um cenário geopolítico volátil e o acesso a recursos naturais essenciais para suas indústrias. Esse racha interno na UE demonstra a dificuldade de forjar um consenso sobre um acordo de tal magnitude.

Próximos Passos e a Validação Definitiva

Apesar da entrada em vigor provisória, é fundamental entender que o processo ainda não está concluído. O texto do acordo ainda passa por uma análise no Tribunal de Justiça da União Europeia, que avaliará sua compatibilidade com as regras e o arcabouço legal do bloco. Eventuais incompatibilidades identificadas poderiam atrasar ou até mesmo inviabilizar a **entrada em vigor definitiva** do tratado, que exige a ratificação por todos os parlamentos nacionais dos países-mmembros da UE. Essa etapa final é um obstáculo considerável, dada a diversidade de interesses e as pressões políticas internas em cada nação.

O governo brasileiro reafirma seu compromisso com a plena implementação do Acordo Provisório de Comércio e promete seguir trabalhando em estreita coordenação com os demais Estados-Partes do Mercosul e com a União Europeia, para que os benefícios prometidos se traduzam em crescimento, geração de empregos e desenvolvimento sustentável para todos. O desafio será navegar pelas águas turbulentas da política interna europeia e garantir que as preocupações legítimas sejam endereçadas sem comprometer o potencial transformador de um acordo tão esperado.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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