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Unesco: 273 milhões de crianças e jovens estão fora da escola em todo o mundo, alertam dados

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© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um cenário preocupante para o futuro da educação global foi revelado nesta quarta-feira (25) pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O Relatório de Monitoramento Global da Educação (GEM) 2026, recém-apresentado, aponta que impressionantes 273 milhões de crianças, adolescentes e jovens estão fora da escola em todo o mundo. Este número representa uma em cada seis pessoas nessas faixas etárias sem acesso à educação, marcando um aumento de 3% desde 2015 e o sétimo ano consecutivo de crescimento na população excluída do ensino, revertendo décadas de avanços.

Apesar de uma queda significativa de 33% entre 2000 e 2015, a curva agora aponta para cima, lançando um alerta sobre a estagnação e até retrocesso no acesso à educação. Os principais fatores que contribuem para essa regressão são multifacetados e interligados: o crescimento populacional em regiões de alta vulnerabilidade, a proliferação de crises (sejam elas econômicas, sanitárias ou, predominantemente, conflitos armados) e a persistente redução de orçamentos destinados ao setor educacional em muitos países. Estes elementos criam um ciclo vicioso de exclusão que impacta diretamente o desenvolvimento social e humano em escala global.

Os Obstáculos à Educação: Conflitos e Desigualdades

O relatório da Unesco, que inaugura a série “Contagem Regressiva para 2030” – um esforço para avaliar o progresso em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU –, destaca que a situação real pode ser ainda mais grave. A organização sugere que a população jovem fora da escola é subestimada em pelo menos 13 milhões se considerarmos as lacunas de dados em dez países mais afetados por conflitos. Em outras palavras, as estatísticas oficiais não conseguem capturar a totalidade do impacto devastador de guerras e instabilidade na vida de milhões de crianças e jovens.

Regiões como a África Subsaariana e o Oriente Médio são particularmente afetadas. Na África Subsaariana, o crescimento populacional acelerado, aliado a crises recorrentes, tem comprometido drasticamente o progresso na permanência escolar. No Oriente Médio, milhões de crianças estão sob risco de atraso educacional ou diretamente fora das salas de aula devido a conflitos armados. Como ressaltado pela Unesco, “Mais de uma em cada seis crianças vive em áreas afetadas por conflitos, representando milhões a mais fora da escola, além daqueles identificados pelas estatísticas.” Esse dado sublinha a urgência de abordagens humanitárias e educacionais integradas para proteger o direito à educação em contextos de emergência.

Avanços e Desafios na Expansão do Acesso

Apesar do cenário preocupante, o relatório também traz dados que atestam a resiliência e o esforço global para expandir o acesso à educação. Atualmente, 1,4 bilhão de estudantes estão matriculados, com um aumento notável de 327 milhões (30%) no ensino primário e secundário desde 2000. Houve também um crescimento de 45% na pré-escola e um impressionante aumento de 161% no ensino pós-secundário (superior), o que significa que mais de 25 crianças obtêm acesso à escola a cada minuto. Exemplos como a Etiópia, que elevou sua taxa de matrícula no ensino primário de 18% (1974) para 84% (2024), e a China, que viu o acesso ao ensino superior saltar de 7% (1999) para mais de 60% (2024), demonstram que a expansão é possível com políticas públicas eficazes e investimento.

Educação Pré-primária e a Qualidade do Acesso

Contudo, o sucesso na educação pré-primária merece uma análise mais detalhada. Embora o indicador global aponte que 75% das crianças de 5 anos tinham acesso à educação, o documento revela que apenas 60% dos alunos do ensino fundamental tiveram pelo menos um ano de educação pré-primária. Esta discrepância sugere que parte do aparente sucesso pode mascarar a inclusão de crianças que, na prática, “pularam” essa etapa crucial do ensino infantil, indo diretamente para o fundamental. A educação pré-primária é fundamental para o desenvolvimento cognitivo e social, e sua ausência pode comprometer a trajetória educacional futura dos alunos.

Conclusão e Retenção: Um Caminho Longo

O progresso na conclusão escolar é outro ponto de atenção. Desde 2000, as taxas de conclusão aumentaram de 77% para 88% no ensino primário, de 60% para 78% no fundamental II e de 37% para 61% no ensino médio. Apesar de parecer um avanço constante, o ritmo é lento. O relatório projeta que, nas taxas atuais de expansão, o mundo só alcançaria 95% de conclusão do ensino médio em 2105 – uma meta distante demais para as necessidades urgentes de hoje. Essa projeção ressalta a importância de acelerar as políticas e investimentos para garantir que mais jovens completem suas jornadas educacionais dentro de um prazo razoável.

Em uma nota positiva, as altas taxas de repetência caíram significativamente desde 2000 (62% no primário e 38% no ensino médio inferior). No entanto, em países de baixa e média-baixa renda, muitas crianças ainda se matriculam tarde e repetem anos, acumulando atrasos. Países como Madagascar, Togo, Marrocos, Vietnã, Geórgia, Turquia e Costa do Marfim são exemplos de sucesso na redução das taxas de evasão e repetência, mostrando que com foco e determinação, é possível reverter as estatísticas negativas e garantir que a educação de qualidade seja uma realidade para todos.

A urgência do cenário apresentado pela Unesco ressoa em cada canto do planeta, reforçando a importância de políticas públicas robustas, investimento contínuo e cooperação internacional para garantir que o direito à educação seja universalmente respeitado. O futuro de milhões de crianças e o desenvolvimento sustentável da sociedade dependem da nossa capacidade de enfrentar esses desafios. Mantenha-se informado sobre este e outros temas cruciais que impactam a sociedade. O RP News está comprometido em trazer a você informação relevante, atual e contextualizada, com a profundidade necessária para entender os desafios e as soluções que moldam nosso mundo. Continue acompanhando nossas análises e reportagens para uma visão completa dos fatos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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