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Ministério Público apura destino de verba de estacionamento em parque público para show do Guns N’ Roses em Rio Preto

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G1

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deflagrou uma investigação que lança luz sobre a gestão de recursos públicos e o uso de áreas destinadas à comunidade em São José do Rio Preto. O epicentro da polêmica é o Parque Cidade das Crianças, que se transformou em um controverso estacionamento pago durante o aguardado show da banda Guns N’ Roses, realizado em 7 de abril. A apuração busca esclarecer o destino da verba arrecadada, avaliada em milhares de reais, e questiona a transparência dos trâmites que permitiram tal exploração de um espaço público.

A utilização do parque, um local usualmente voltado ao lazer e entretenimento infantil, como estacionamento para um evento de grande porte, causou estranhamento e gerou uma série de questionamentos. Com a cobrança de R$ 100 por veículo, e o pagamento aceito exclusivamente via PIX ou em dinheiro, a operação levantou suspeitas sobre a legalidade e a finalidade dos valores recebidos, especialmente diante da ausência de uma prestação de contas clara e imediata.

A Autorização Controvertida e a Associação Fantasma

Segundo informações iniciais divulgadas pela Prefeitura de São José do Rio Preto, a autorização para o uso do Parque Cidade das Crianças partiu do então secretário de Esportes, Klebinho Kizumba. O beneficiário indicado para a gestão do estacionamento foi a Associação Guadomafe, apresentada como uma entidade filantrópica sediada em Guaraci (SP), cidade vizinha a Rio Preto.

No entanto, as primeiras averiguações jornalísticas revelaram um cenário alarmante: o endereço registrado da Associação Guadomafe em Guaraci foi encontrado vazio e aparentemente abandonado. Moradores da região, que afirmam viver há anos no bairro, relataram nunca ter conhecimento de qualquer associação funcionando no local. A suspeita de que a entidade poderia ser uma “fachada” ou não possuir a estrutura e o histórico de uma organização filantrópica legítima adiciona uma camada de gravidade à investigação, questionando a diligência na checagem e fiscalização por parte do poder público municipal antes da autorização.

Envolvimento Direto de Agentes Públicos e Consequências Imediatas

A polêmica ganhou contornos ainda mais sérios com a revelação do envolvimento direto de agentes públicos na operação do estacionamento. Um vídeo que circulou amplamente nas redes sociais e foi encaminhado à imprensa mostra a esposa do então secretário de Finanças e Orçamento da Câmara de Vereadores, José Luís Pereira, realizando a cobrança pelo uso do estacionamento. Além dela, um assessor do vereador Bruno Marinho (PRD) foi flagrado sinalizando o local, indicando uma participação que transcende a mera autorização administrativa.

O que mais choca é a descoberta de que a conta bancária para a qual o dinheiro arrecadado via PIX era destinado pertencia ao próprio José Luís Pereira. Comprovantes da operação, obtidos pela imprensa, confirmaram que os valores pagos pelos motoristas estavam sendo depositados diretamente na conta pessoal de um alto funcionário da Câmara Municipal. Este fato, por si só, configura um grave potencial conflito de interesses e levanta sérias dúvidas sobre a transparência e a legalidade do processo.

As repercussões não tardaram. Após a explosão do caso, o secretário de Esportes, Klebinho Kizumba, foi exonerado do cargo. Poucos dias depois, José Luís Pereira pediu desligamento do cargo de Secretário de Finanças e Orçamento da Câmara de Vereadores. Essas movimentações, embora rápidas, são apenas as primeiras respostas administrativas a uma situação que promete desdobramentos mais amplos no âmbito judicial.

A Abrangência da Investigação do Ministério Público

Diante das irregularidades e da pressão pública, o Ministério Público de São Paulo estabeleceu um prazo de 20 dias para que o prefeito de São José do Rio Preto, Fábio Candido (PL), e o presidente da Câmara, Luciano Julião (PL), prestem esclarecimentos detalhados sobre o caso. A investigação busca compreender os critérios utilizados para a escolha da Associação Guadomafe, a ausência de fiscalização sobre a entidade e, principalmente, o porquê de uma conta pessoal ter sido utilizada para receber verbas de uma exploração em área pública.

A relevância deste caso para o cidadão transcende a questão pontual do estacionamento. Ele toca em pilares fundamentais da gestão pública: a **transparência** na cessão de bens e espaços públicos, a **fiscalização** sobre as entidades parceiras do poder público e a **ética** e probidade dos agentes que ocupam cargos de confiança. O uso indevido de um parque infantil para fins comerciais, com indícios de desvio de finalidade e enriquecimento ilícito, abala a confiança da população nas instituições e na prestação de contas.

A apuração do MP tem potencial para desvendar não apenas o destino da verba, mas também para apontar eventuais falhas sistêmicas na administração municipal e na Câmara de Vereadores, exigindo uma revisão dos protocolos de autorização e fiscalização. É um lembrete contundente da importância da vigilância cidadã e da atuação independente dos órgãos de controle para garantir que o patrimônio e os recursos públicos sirvam, de fato, ao interesse coletivo.

Este e outros casos de grande impacto em São José do Rio Preto e região continuam sendo acompanhados de perto pelo RP News. Nosso compromisso é com a informação relevante, atual e contextualizada, trazendo aos nossos leitores análises aprofundadas sobre os fatos que moldam a nossa sociedade. Continue conosco para se manter informado sobre este e outros temas que importam. Acesse nosso portal para mais notícias e análises.

Fonte: https://g1.globo.com

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