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Conheça a mulher que vai comandar a PM de SP; Drª Glauce Cavalli

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Coronel da Polícia Militar, doutora em Ciências Policiais e com 33 anos de trajetória na corporação, Glauce Anselmo Cavalli entra para a história como a primeira mulher a liderar, em quase 200 anos, a PM do Estado de São Paulo, à frente de uma tropa de mais de 81 mil integrantes. Ao chegar ao maior cargo da instituição, a coronel Glauce Anselmo Cavalli destaca a responsabilidade de honrar o legado de mulheres que contribuíram, ao longo dos anos, para o fortalecimento da Polícia Militar.

“A força está em todos nós. Entendo a representatividade que esse cargo traz, mas é muito mais do que isso. Reflete também o que queremos socialmente e o que fazemos nesse processo”, afirmou.

A nova comandante lembrou que desde 1955, quando foi criado o primeiro grupo de policiamento feminino no Brasil, pioneiro na América Latina, as mulheres vêm com coragem e determinação escrevendo sua história na segurança pública.

“Ser a primeira mulher a liderar a Polícia Militar do Estado de São Paulo em quase 200 anos não é uma vitória pessoal, mas uma conquista de todas as policiais militares que percorreram um caminho pavimentado, especialmente pelas pioneiras, conhecida como as 13 mais corajosas de 1955, dentre elas a lendária comandante Hilda Macedo”, lembrou a nova comandante.

À frente da PM, Glauce defende uma atuação cada vez mais integrada entre os policiais como caminho para ampliar a eficiência da corporação. A meta, segundo ela, é avançar não apenas nos indicadores criminais, mas na forma como a população percebe a segurança.

O estado de São Paulo registra quedas históricas nos índices de criminalidade, resultado que, para a comandante, é fruto de um trabalho contínuo ao longo dos anos. Ela ressaltou que o enfrentamento à violência doméstica será uma das prioridades do seu comando:

“Quero que saibam que esses índices foram conquistados por meio de um legado deixado por quem nos antecedeu e pela dedicação do efetivo existente. O objetivo é expandir nossas ferramentas, usar tecnologia e realocar recursos sempre que necessário”, disse a comandante. “O enfrentamento à violência doméstica e familiar será prioridade operacional no nosso comando. Consolidaremos as cabines lilases nos centros de operações, ampliaremos o atendimento por videochamadas e abriremos os nossos quartéis para acolher estas vítimas, com a implantação de espaços lilases para garantir acolhimento humanizado em todo o estado. A integração com o aplicativo São Paulo Mulher Segura ampliará o acesso ao atendimento, com o acionamento imediato da Polícia Militar pelas patrulhas lilases, especializadas nesse tipo de ocorrência”, afirmou.

Vocação, desafios e trajetória

Com 33 anos de carreira, a escolha pela Polícia Militar surgiu ainda no fim do ensino médio. O incentivo veio de dentro de casa. O irmão, militar do Exército, sempre acreditou em sua capacidade, e já enxergava nela o perfil para a carreira.

Passar pelas fases do concurso deu mais certeza do que queria. Na Academia Militar do Barro Branco, onde iniciou a trajetória, sempre interagiu com todos para aprender e se tornar mais preparada para servir à sociedade.

Ao se formar, foi designada para o Policiamento de Trânsito, onde assumiu seu primeiro pelotão, experiência que marcou o início da trajetória na liderança. “Treinava e estudava com eles para executar as nossas missões”, relembrou.

Nessa mesma época, ainda aos 23 anos, lidou com uma ocorrência de acidente de trânsito, onde as vítimas ficaram presas em ferragens, na zona norte da capital. “Tivemos uma perda e uma lesão permanente, então me recordo que ali exigiu de mim uma força maior, me fez refletir sobre os valores que levaria ao longo da minha vida. Ver esse tipo de situação com quem você trabalha é bem desafiador.”

Ao longo da carreira, passou por diferentes funções e regiões do estado, alternando entre capital e interior, com destaque para a atuação em Campinas. Comandou a Força Patrulha do 8º Batalhão, chefiou a Diretoria de Finanças, o Centro de Motomecanização e o Centro de Comunicação Social da PM. Paralelamente, também investiu na formação acadêmica e se especializou em educação física.

“Ser policial militar é uma grande ferramenta de auxílio ao próximo. É isso que quero continuar fazendo”, concluiu.

A coronel Glauce fora da farda

Ler, ouvir música, viajar e estar com a família. É nesses momentos que a coronel Glauce encontra equilíbrio “fora da rotina” na Polícia Militar. “Tudo que possa engrandecer”, resumiu, ao falar sobre como escolhe ocupar o tempo livre.

Longe do posto mais alto da corporação, ela se define pelos vínculos pessoais e vê nas relações mais próximas a base que sustenta sua trajetória. “Sou muito privilegiada pelas pessoas que estão comigo ao longo da vida.”

A comandante mencionou ainda que cada pessoa com quem conviveu, dentro e fora da instituição, deixou aprendizados. Entre disciplina e afeto, é nesse equilíbrio que ela constrói não só a vida pessoal, mas também o estilo de liderança que agora leva ao comando da maior Polícia Militar da América Latina.

Fonte: Agencia SP

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