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MC Ryan SP deixa presídio após decisão da Justiça Federal

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O funkeiro MC Ryan SP deixou a Penitenciária II de Mirandópolis (SP) às 14h10 desta quinta-feira (14), após decisão da Justiça Federal que concedeu habeas corpus e determinou a soltura dele na investigação da Operação Narco Fluxo.

O cantor estava preso desde 15 de abril e havia sido transferido, no dia 30 do mesmo mês, para a unidade prisional no interior paulista. A decisão que autorizou a liberdade foi assinada na quarta-feira (13) pela desembargadora Louise Filgueiras, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).

Além de MC Ryan SP, também foram beneficiados pela medida o funkeiro MC Poze do Rodo, os influenciadores Chrys Dias e Débora Paixão.

A Operação Narco Fluxo, conduzida pela Polícia Federal, investiga um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado a bets ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas. Segundo a investigação, o grupo teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão por meio de empresas de fachada, contas de passagem, criptomoedas e remessas ao exterior.

Na decisão, a desembargadora afirmou que a prisão preventiva não poderia ser mantida sem elementos suficientes para o oferecimento de denúncia pelo Ministério Público Federal. Conforme o despacho, até o momento nenhum dos investigados foi formalmente denunciado, e a Polícia Federal solicitou mais 90 dias para concluir diligências e perícias.

“É incongruente entender que não há provas para a formação da opinio delicti e manter a prisão preventiva”, escreveu a magistrada ao citar entendimento anterior da 5ª Turma do TRF-3.

O documento também destaca que a prisão cautelar não pode ser usada como instrumento para facilitar investigações e que não havia demonstração concreta de que o cantor pudesse interferir na produção de provas. Segundo a decisão, os equipamentos eletrônicos e materiais considerados relevantes para a apuração já haviam sido apreendidos pela Polícia Federal.

Os desembargadores ainda apontaram excesso de prazo na investigação, entendendo que, apesar da complexidade do caso, os prazos previstos no Código de Processo Penal para conclusão do inquérito e apresentação de denúncia não estavam sendo respeitados.

Apesar da soltura, MC Ryan SP deverá cumprir medidas cautelares determinadas pela Justiça, entre elas comparecimento mensal em juízo, comunicação de eventual mudança de endereço e proibição de deixar o país sem autorização judicial, além da entrega do passaporte, caso possua.

Segundo a Polícia Federal, empresas ligadas ao setor musical e de entretenimento teriam sido usadas para misturar receitas lícitas com recursos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais. No inquérito, MC Ryan SP é apontado como suposto “beneficiário final” da estrutura investigada.

Operação Narco Fluxo

A Operação Narco Fluxo foi resultado de uma investigação que começou muito antes dos mandados de busca e prisão.

Segundo a Polícia Federal, o ponto de partida foi a análise de arquivos armazenados no iCloud, sistema de armazenamento em nuvem da Apple, do contador Rodrigo de Paula Morgado, obtidos durante uma operação anterior, a Narco Bet, que já era derivada da Operação Narco Vela, ambas deflagradas em 2025.

A investigação atual nasceu de provas reunidas durante a Operação Narco Bet, de outubro de 2025, instaurada após a Narco Vela, de abril do mesmo ano. As operações apuravam lavagem de dinheiro ligada a apostas, tráfico internacional de drogas, grandes quantias em espécie, transferências bancárias e criptoativos.

Segundo a decisão judicial, o núcleo de inteligência da PF analisou arquivos do iCloud de Rodrigo de Paula Morgado, identificado como contador e operador financeiro do grupo.

A partir disso, os investigadores encontraram indícios de uma organização criminosa voltada à lavagem de capitais, com agentes responsáveis pela captação, internalização, custódia e redistribuição de dinheiro em espécie.

A Operação Narco Fluxo, deflagrada em 15 de abril pela Polícia Federal, cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão e bloqueio de bens em diversos estados.

Segundo a PF, o grupo investigado teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão por meio de empresas de fachada, “laranjas” e transações financeiras irregulares.

Foram apreendidos veículos, valores em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos. Policiais também encontraram armas e um colar com uma imagem do narcotraficante colombiano Pablo Escobar em um mapa do estado de São Paulo.

No total, 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão foram cumpridos em oito estados e no Distrito Federal.

A investigação segue em andamento, e a PF não descartou novas fases da operação.

Fonte: G1 Rio Preto

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