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O custo do negacionismo: Brasileiros perderam 3,4 anos de vida na pandemia, revela estudo

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© Alex Pazuello/Semcom/Prefeitura de Manaus

Um estudo abrangente, reconhecido globalmente, trouxe à tona uma estatística alarmante: a **expectativa de vida** da população brasileira sofreu uma queda de 3,4 anos durante o período mais crítico da **pandemia de covid-19**. Este retrocesso dramático é resultado de um aumento de 27,6% na **mortalidade** e, segundo os pesquisadores, está intrinsecamente ligado à postura **negacionista** adotada pelo governo federal da época. A análise faz parte do monumental **Estudo Carga Global de Doenças**, a maior pesquisa mundial sobre o impacto de enfermidades e fatores de risco em mais de 200 nações, e foi publicada na prestigiada revista The Lancet Regional Health – Americas.

O impacto da descoordenação e desinformação

Os cientistas responsáveis pelo levantamento são categóricos ao apontar o papel do então **governo federal** como fator decisivo para a tragédia sanitária. Conforme o documento, ‘As autoridades enfraqueceram as orientações científicas – rejeitando o **distanciamento social**, disseminando **desinformação**, promovendo medicamentos sem eficácia comprovada, atrasando a aquisição de **vacinas**, sob a justificativa de isso protegeria o país de um colapso econômico.’ Essa abordagem, contrária ao consenso científico global, gerou incerteza e desconfiança, dificultando a adesão às medidas de proteção e agravando a **saúde pública**.

Apesar de a redução na **expectativa de vida** ter sido um fenômeno nacional, a pesquisa revela disparidades significativas entre as unidades da Federação. Os três estados com a maior retração estão na região Norte: Rondônia (6,01 anos), Amazonas (5,84 anos) e Roraima (5,67 anos). Esses números refletem a virulência da doença em áreas com infraestrutura de saúde mais precária e, muitas vezes, menor adesão a medidas preventivas.

A resposta do Nordeste: um contraste estratégico

Em contraponto, a região Nordeste apresentou os menores índices de redução na **expectativa de vida**, demonstrando a eficácia de estratégias coordenadas e baseadas na ciência. Maranhão (1,86 anos), Alagoas (2,01 anos) e Rio Grande do Norte (2,11 anos) tiveram o menor impacto. Essa diferença, segundo o estudo, deve-se à atuação proativa dos governadores nordestinos, que adotaram com firmeza as medidas de contenção recomendadas. O documento ressalta: ‘Na ausência de coordenação nacional, os governos estaduais do Nordeste formaram um **consórcio** com um comitê científico independente que implementou estratégias.’ Essas incluíram **distanciamento social**, fechamento de escolas e comércios, uso obrigatório de máscaras, **políticas públicas** de proteção a trabalhadores e sistemas de dados em tempo real, cruciais ao monitoramento da **pandemia**.

Os pesquisadores afirmam que o ‘impacto da **pandemia** sobre a carga de doenças e a **expectativa de vida** poderia ter sido mitigado em todo o país’ se a abordagem do **governo federal** tivesse se alinhado com diretrizes científicas. O desempenho do Brasil foi pior que o de outros países do Mercosul (Argentina e Uruguai) e dos BRICS (China e Índia), que contiveram a doença de forma mais eficaz.

Legado de um sistema de vacinação comprometido

A análise sublinha um paradoxo: o Brasil, historicamente reconhecido por seu programa de vacinação, ficou aquém no combate à **covid-19**. ‘Um país com histórico bem-sucedido de cobertura vacinal como o Brasil ficou atrás na vacinação contra a COVID-19 devido à falta de organização, à demora na aquisição de **vacinas** e ao foco em medicamentos para ‘tratamento precoce’ sem evidências científicas de benefício.’ Essa desarticulação custou vidas e prolongou o sofrimento, marcando um dos pontos mais críticos da gestão da crise sanitária.

Panorama de saúde no Brasil: um olhar de longo prazo

Apesar do revés da **pandemia**, o estudo oferece uma perspectiva de longo prazo sobre os avanços da saúde brasileira. Entre 1990 e 2023, o país experimentou aumento de 7,18 anos na **expectativa de vida** e redução de 34,5% na **mortalidade** padronizada por idade. O índice de anos saudáveis perdidos por morte ou doença também diminuiu em 29,5%. Ganhos atribuídos a melhorias na qualidade de vida, como saneamento básico e crescimento econômico.

A implementação e consolidação do **Sistema Único de Saúde (SUS)**, a criação do Programa de Saúde da Família e a ampliação das campanhas de vacinação foram pilares essenciais. Consequentemente, taxas de quase todas as principais causas de morte no Brasil tiveram redução nas últimas décadas, considerando a **mortalidade** padronizada por idade. Exceções foram Alzheimer e outras demências (aumento de 1%), e doença crônica renal (cresceu 9,6% de 1990 a 2023).

Em 2023, a doença isquêmica do coração manteve-se como a maior causa de morte, seguida por Acidente Vascular Cerebral (AVC) e infecções do trato respiratório inferior. Contudo, o estudo alerta: a principal causa de mortes prematuras ainda é a **violência interpessoal**. Estima-se que o Brasil tenha perdido 1.351 anos de vida, a cada cem mil habitantes, por essas mortes, evidenciando um desafio persistente para as **políticas públicas** de segurança e bem-estar social.

A análise da **Carga Global de Doenças** reforça a necessidade de **políticas públicas** de **saúde pública** baseadas em evidências científicas e de coordenação nacional robusta para enfrentar crises e garantir o bem-estar populacional. O debate sobre o legado da **pandemia** e as lições aprendidas é fundamental para moldar o futuro do Brasil. Acompanhe o RP News para análises aprofundadas, notícias que impactam sua vida e debates cruciais, com o compromisso de trazer informação relevante e contextualizada, pautada pela credibilidade e pluralidade de temas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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