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Refinarias da Petrobras operam com mais de 100% de capacidade; entenda

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© Fernando Frazão/Agência Brasil

Em um cenário global de **volatilidade nos mercados de energia** e busca por **autossuficiência energética**, a Petrobras surpreendeu o setor ao anunciar que suas **refinarias** estão operando acima da capacidade nominal. A notícia, revelada pela presidente da companhia, Magda Chambriard, durante a apresentação do balanço trimestral, destaca um esforço estratégico para maximizar a produção de **combustíveis derivados do petróleo** no Brasil, visando reduzir a dependência de importações e mitigar os impactos de eventos geopolíticos, como os conflitos internacionais que frequentemente elevam os **preços do petróleo**.

A afirmação, que chamou a atenção de analistas e investidores, foi detalhada em teleconferência na última terça-feira (12). Magda Chambriard e o diretor de Processos Industriais e Produtos, William França, revelaram que, após fechar o primeiro trimestre de 2026 com um **Fator de Utilização Total (FUT)** de 95% – e atingir 97,4% em março, o mais alto desde dezembro de 2014 –, a estatal superou a marca de 100% em abril e maio. “A Petrobras não gosta de limites. Sua meta é superar limites todos os dias”, declarou Chambriard, enquanto França complementou: “De ontem (11) para hoje (12) operamos com 103% nas nossas refinarias”.

O que significa operar acima de 100%?

Para o público leitor, a ideia de uma indústria operar acima de 100% de sua capacidade pode parecer contraintuitiva. No entanto, o **Fator de Utilização Total (FUT)**, um indicador crucial para o setor de refino, oferece essa possibilidade. Ele representa a relação entre o volume de carga de petróleo processado e a capacidade de referência de projeto das **refinarias**, sempre dentro dos rígidos limites de segurança, meio ambiente e qualidade dos derivados produzidos, como **óleo diesel**, **gasolina** e **querosene de aviação (QAV)**.

Quando o FUT atinge 100%, as unidades estão no limite de sua capacidade instalada. Superar esse patamar significa que, por meio de otimizações de processo, investimentos em confiabilidade e, crucialmente, com a aprovação da **Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)**, é possível processar um volume de matéria-prima ligeiramente superior ao que foi inicialmente projetado. Essa margem extra é resultado de engenharia avançada, sistemas de controle aprimorados e uma gestão operacional que busca eficiência máxima sem comprometer a segurança ou a integridade dos ativos. É um atestado de que as **refinarias da Petrobras** estão em um patamar de **excelência operacional**.

Contexto Geopolítico e Estratégia Nacional

A capacidade de refino elevada da Petrobras ganha ainda mais relevância no atual cenário geopolítico. A **guerra na Ucrânia**, por exemplo, gerou uma das maiores crises energéticas das últimas décadas, afetando drasticamente a oferta e os **preços de combustíveis** e gás natural em nível global. Para o Brasil, um país exportador de petróleo bruto, mas que historicamente importava parte considerável de seus derivados, aumentar o refino interno é uma **estratégia de segurança energética** vital.

William França explicou que “quanto mais refinar o nosso petróleo, mais dinheiro a gente está ganhando. Estamos agregando valor além das exportações do petróleo”. Essa declaração sublinha o impacto econômico direto. Ao transformar o petróleo bruto, que tem um valor de mercado mais baixo, em derivados de maior valor agregado, a Petrobras não só fortalece sua posição financeira, como também contribui para a **balança comercial brasileira** e mitiga a **pressão inflacionária** sobre os **preços dos combustíveis** ao consumidor final. Trata-se de uma estratégia de **valorização da cadeia produtiva interna**.

Investimento em Confiabilidade e Otimização

Atingir e manter níveis de utilização acima da capacidade nominal não é obra do acaso; é resultado de um esforço contínuo em **engenharia e manutenção**. O diretor William França destacou os investimentos maciços em **confiabilidade das refinarias**, com a implementação de **inspeções baseadas em risco** e outras ferramentas de alta tecnologia. Isso significa que, em vez de seguir um cronograma fixo de manutenção, a Petrobras avalia a condição real dos equipamentos, permitindo que componentes como bombas operem por mais tempo – “operando 90% do tempo antes de uma intervenção”, exemplificou França – antes que uma parada seja necessária.

Além disso, a empresa tem focado na **redução do tempo de intervenção** das unidades, o que se traduz em maior disponibilidade operacional. A estratégia de “baixa” nas **manutenções programadas** em 2026 é um reflexo do trabalho intensivo realizado no ano anterior, quando muitas unidades passaram por revisões completas. “Fizemos muita manutenção programada no ano passado para deixar as unidades prontas”, esclareceu França, indicando que essas paradas estratégicas visam garantir campanhas de operação longas e com **disponibilidade próxima de 100%**.

Refinaria Abreu e Lima: um case de sucesso

Um exemplo concreto dessa excelência operacional é a **Refinaria Abreu e Lima (RNEST)**, localizada em Ipojuca (PE), que após uma manutenção programada intensiva no primeiro trimestre do ano passado, demonstrou sua robustez. Com uma capacidade nominal de produção de 130 mil barris por dia, a RNEST conseguiu aumentar sua carga para **140 mil, e até 150 mil barris por dia**, por estar “confiável”. Essa capacidade adicional é vital, especialmente para o Nordeste brasileiro.

No início do mês, a Petrobras celebrou um **recorde histórico** para a unidade: 385 milhões de litros de **óleo diesel S-10** produzidos em abril, superando a marca anterior de 373 milhões de litros de julho de 2016. O **diesel S-10** é um combustível com menor teor de enxofre, mais limpo e menos poluente, alinhado às crescentes demandas ambientais. Esse feito não apenas eleva a capacidade de abastecimento do mercado interno, mas também reforça o papel da Petrobras na produção de **combustíveis mais sustentáveis**.

O Sistema de Refino da Petrobras e o Impacto Nacional

A Petrobras opera um parque de 11 refinarias em todo o país, incluindo o Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro. A maior delas, a Refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo, é responsável por aproximadamente 30% de todo o refino de petróleo no Brasil. A capacidade de operar acima de 100% em diversas dessas unidades representa um incremento significativo na **oferta nacional de derivados**, o que pode trazer maior **estabilidade aos preços** no mercado interno e uma menor vulnerabilidade às flutuações do mercado internacional. É um passo importante para a **soberania energética** do país e um alento para os consumidores, que frequentemente sentem no bolso os efeitos da **cotação do barril de petróleo**.

A capacidade demonstrada pela Petrobras reflete não apenas a **eficiência operacional** e os investimentos em tecnologia e manutenção, mas também uma leitura estratégica das necessidades do país e do cenário global. Ao maximizar o uso de sua infraestrutura existente, a estatal busca consolidar sua posição como um pilar fundamental para a **economia brasileira** e a **segurança energética**, garantindo um abastecimento mais robusto e previsível para a população.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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