PUBLICIDADE

Governo prorroga isenção de tributos sobre querosene de aviação e biodiesel até 31 de julho

Teste Compartilhamento
Fábio Pescarini -26.jan.26/Folhapress

Em um cenário de busca por estabilidade econômica e fôlego para setores estratégicos, o governo federal publicou um decreto na última sexta-feira (29) prorrogando a isenção tributária sobre a venda e importação de querosene de aviação (QAV) e do biodiesel. A medida, que já estava em vigor, estende-se agora até o dia 31 de julho, buscando atenuar os impactos nos preços dos combustíveis e apoiar segmentos vitais da economia brasileira.

A Medida e Seus Antecedentes: Um Alívio Continuado

A decisão de postergar a isenção não é um ato isolado, mas parte de uma série de iniciativas governamentais para lidar com as flutuações do mercado de energia e seus reflexos na economia. A política de desoneração fiscal para esses combustíveis foi inicialmente implementada em um contexto de pressões inflacionárias globais, intensificadas pela guerra na Ucrânia e pela subsequente alta nos preços do petróleo. O objetivo principal sempre foi mitigar o repasse desses custos elevados para o consumidor final e para as indústrias que dependem intensamente desses insumos.

Para o setor aéreo, a isenção do QAV é crucial para a recuperação pós-pandemia. Para o biodiesel, a medida visa manter a competitividade e o controle dos preços em um componente essencial da matriz energética brasileira. A renovação da medida por mais alguns meses sinaliza que o governo reconhece a persistência de desafios econômicos que justificam a continuidade desse suporte temporário.

Impacto no Setor Aéreo: QAV e a Conectividade Nacional

O querosene de aviação representa um dos maiores custos operacionais para as companhias aéreas. Variações em seu preço têm impacto direto no preço das passagens, nos custos de transporte de cargas e, consequentemente, na cadeia de suprimentos e no turismo. A isenção tributária sobre o QAV oferece um respiro financeiro às empresas, que podem, em tese, traduzir essa economia em tarifas mais acessíveis ou, pelo menos, evitar aumentos abruptos. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, a aviação é um pilar fundamental para a integração nacional, o fomento ao turismo e o desenvolvimento de negócios.

Manter os custos do QAV sob controle é, portanto, uma estratégia para dinamizar o setor aéreo, que ainda se reajusta aos novos padrões de demanda e oferta após as severas restrições impostas pela crise sanitária global. A expectativa é que a medida contribua para a estabilidade do setor, incentivando a conectividade e, indiretamente, beneficiando passageiros e o fluxo de mercadorias em todo o território nacional.

Biodiesel: Equilíbrio entre Preço, Produção e Sustentabilidade

No que tange ao biodiesel, a prorrogação da isenção toca em um ponto nevrálgico da política energética e agrícola do Brasil. O biodiesel é um biocombustível essencial na matriz energética brasileira, com um percentual obrigatório de mistura ao diesel fóssil que tem sido objeto de constantes debates e ajustes. Produzido a partir de matérias-primas como soja, sebo bovino e outras oleaginosas, sua cadeia de produção envolve diretamente o agronegócio, gerando emprego e renda em diversas regiões do país.

A desoneração fiscal sobre o biodiesel visa, sobretudo, mitigar a pressão sobre os preços do diesel, que impactam diretamente o custo do transporte rodoviário de cargas e passageiros. Dada a predominância do modal rodoviário no Brasil, qualquer variação nos preços dos combustíveis tem um efeito cascata sobre o custo de vida, desde o frete de alimentos e produtos industriais até o valor final pago pelo consumidor. A medida, assim, atua como uma ferramenta para o controle da inflação, ao passo que busca proteger a produção nacional de biocombustíveis e os investimentos no setor, que é estratégico para a agenda de sustentabilidade e transição energética do país.

O Dilema Fiscal e os Desafios Futuros

A manutenção da isenção tributária, embora benéfica para os setores envolvidos e para o controle inflacionário, impõe um custo aos cofres públicos. A renúncia fiscal associada a essas desonerações precisa ser balanceada com a necessidade de arrecadação para investimentos em serviços públicos e para a sustentabilidade fiscal do país. O governo, portanto, navega em um dilema complexo: apoiar a economia e o poder de compra do cidadão versus a responsabilidade fiscal.

A prorrogação até 31 de julho oferece um horizonte de previsibilidade para o mercado no curto prazo, mas levanta questionamentos sobre o cenário pós-data. Será que a tributação retornará plenamente? Haverá um regime de reoneração gradual? As decisões futuras dependerão da evolução dos indicadores econômicos, das pressões inflacionárias e da análise dos impactos cumulativos das políticas de desoneração. Para o cidadão, a medida significa um alívio temporário na pressão sobre o bolso, tanto nas passagens aéreas quanto nos preços de produtos que dependem do transporte, mas o monitoramento dos desdobramentos é essencial para entender o futuro da economia brasileira.

Para se manter informado sobre as decisões que impactam diretamente seu dia a dia e a economia do país, continue acompanhando o RP News. Nosso compromisso é com a informação relevante, atual e contextualizada, abrangendo desde a política fiscal até os reflexos no seu poder de compra, sempre com a credibilidade e a profundidade que você merece. Explore nossos artigos e análises para ter uma compreensão completa dos fatos.

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Leia mais

PUBLICIDADE