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Ex-prefeito e ex-secretário de Polícia Civil do Rio são alvos da PF em operação contra lavagem de dinheiro

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© Polícia Federal RJ/Divulgação

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (7) a sexta fase da **Operação Unha e Carne**, marcando mais um capítulo na incessante batalha contra a corrupção e o crime organizado na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Entre os principais alvos da ação estão figuras proeminentes do cenário político e de segurança pública do estado: o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, e o delegado Marcus Amim, que já ocupou o cargo de ex-secretário de Polícia Civil do Rio. A operação visa desarticular uma sofisticada **organização criminosa** que utilizava uma rede de postos de combustíveis para dissimular a origem de vastas quantias de dinheiro ilícito.

A gravidade do esquema reside não apenas na **lavagem de dinheiro** – prática que injeta recursos de origem criminosa na economia formal –, mas também na suposta participação de **agentes públicos**, o que corroí a confiança nas instituições e no sistema democrático. Os mandados, um total de 19 de busca e apreensão, foram cumpridos em diversas cidades da Grande Rio, incluindo Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e a capital fluminense, demonstrando a capilaridade da investigação. Além do ex-prefeito e do ex-secretário, outros indivíduos, como um policial civil e um ex-policial militar, também são investigados, evidenciando a transversalidade da rede criminosa que, segundo a PF, se infiltrava em diferentes esferas.

O Vultoso Esquema de Lavagem e a Movimentação Financeira

Um dos dados mais chocantes revelados pela investigação, baseada em Relatório de Inteligência do **Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf)**, aponta que o grupo criminoso teria movimentado impressionantes **R$ 7,6 bilhões** nos últimos seis anos. Essa cifra astronômica sublinha a dimensão e a complexidade do esquema, que se valia da infraestrutura de postos de combustíveis – um setor com alta circulação de dinheiro em espécie – para mascarar a origem e o destino de recursos obtidos ilegalmente. A **Polícia Federal** destacou que os investigados podem responder, além do crime de organização criminosa, por contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, entre outros que podem surgir com o avanço das apurações.

Para além das prisões e depoimentos, a Justiça determinou medidas severas que visam descapitalizar e paralisar a estrutura do grupo. O sequestro de bens e valores, bem como a suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas aos investigados, são passos cruciais para desmantelar a engrenagem financeira que sustentava a organização. Esse tipo de ação judicial é vital para garantir que o crime não compense, atacando diretamente o patrimônio acumulado de forma ilícita e impedindo que os recursos sejam reinvestidos em novas atividades criminosas.

Repercussão Institucional e o Contexto Político

A notícia da operação teve repercussão imediata nas instituições envolvidas. Márcio Canella, uma figura política conhecida na Baixada Fluminense, foi levado para prestar depoimento na Superintendência da Polícia Federal no Rio. Sua trajetória inclui passagens como vereador, deputado estadual e prefeito de Belford Roxo, cargo que ocupou entre 2015 e 2016 e do qual se desincompatibilizou em abril deste ano para se candidatar nas próximas eleições. A menção de seu nome em um esquema de lavagem de dinheiro, especialmente envolvendo agentes públicos, acende um alerta sobre a necessidade de maior fiscalização sobre a conduta de representantes eleitos.

A Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro, por sua vez, agiu prontamente, informando que a Corregedoria-Geral da corporação instaurou uma investigação disciplinar para apurar os fatos relacionados a seus integrantes. Em nota oficial, a Polícia Civil reafirmou seu compromisso com a legalidade e a transparência, declarando que não compactua com eventuais **desvios de conduta**. A instituição sublinhou a existência de mecanismos de controle interno e a colaboração com outros órgãos, reforçando sua dedicação à correta prestação do serviço público. Essa postura é fundamental para preservar a integridade da corporação e a confiança da sociedade em um momento tão delicado.

Evidências e o Mandato de Missão Redentor II

A eficácia da operação foi visível na apreensão de uma série de bens nas residências dos alvos. Em uma das casas, no bairro de Camboinhas, em Niterói, foram encontrados cinco revólveres, um fuzil, vasta munição, relógios e joias de luxo, além de dinheiro em diversas moedas (real, dólar, libra e euro) e quatro veículos de luxo. Em outro endereço, também em Niterói, mais dois carros de alto padrão foram apreendidos. Essas descobertas não apenas reforçam as suspeitas de enriquecimento ilícito, mas também apontam para a possível ligação do grupo com armamento e segurança privada irregular, um traço comum em organizações criminosas de grande porte.

A ação desta terça-feira integra a Força-Tarefa **Missão Redentor II**, uma iniciativa coordenada pela Polícia Federal que tem como objetivo primordial desarticular organizações criminosas que atuam no estado do **Rio de Janeiro**. A Missão Redentor atua em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635. Essa ADPF impõe limites ao uso da força policial em favelas e comunidades, mas também demanda ações efetivas de combate ao crime organizado, garantindo a coordenação e a integração das forças de segurança para enfrentar um problema complexo e multifacetado que afeta diretamente a vida dos cidadãos fluminenses.

Para o leitor, a Operação Unha e Carne é mais um lembrete contundente de como a corrupção e a criminalidade organizada podem se infiltrar em todos os níveis da sociedade, desviando recursos públicos que deveriam ser aplicados em saúde, educação e segurança para o benefício de poucos. O combate a esses esquemas é crucial para a reconstrução da confiança nas instituições e para a garantia de um futuro mais justo e seguro para o **Rio de Janeiro** e para o país.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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