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Reciprocidade não é retaliação nem “olho por olho”, diz Alckmin

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© José Cruz/Agência Brasil

A Lei da Reciprocidade, recentemente destacada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, não deve ser vista como uma forma de retaliação aos Estados Unidos, mas sim como uma tentativa de corrigir uma situação que o governo brasileiro considera injusta. Durante uma entrevista coletiva realizada na terça-feira (21), Alckmin enfatizou que a reciprocidade não é uma resposta de “olho por olho”, mas uma ação necessária para tratar o que é visto como uma injustiça.

O contexto atual envolve um novo tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump, que trouxe preocupações significativas para setores da economia brasileira. Em resposta, Alckmin e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, conversaram com empresários dos setores impactados. A preocupação principal é garantir que a Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso no ano passado, seja usada de forma institucional e legal, respeitando todos os trâmites necessários.

Apoio aos setores afetados

O governo brasileiro está finalizando um pacote de apoio para os setores mais impactados pela decisão dos EUA. Entre as estratégias estão o apoio financeiro, a diversificação de mercados e a criação de um diálogo constante com os setores produtivos. A medida dos Estados Unidos impõe um aumento tarifário de 25% sobre produtos brasileiros, com um potencial acréscimo de 12,5%, afetando cerca de 18% das exportações para o mercado americano, o que equivale a aproximadamente US$ 7,4 bilhões.

O programa Brasil Soberano surge como uma das iniciativas para oferecer crédito às empresas afetadas, permitindo capital de giro e investimento. Além disso, o governo considera flexibilizar temporariamente regras do regime de drawback, que incluem isenção e restituição de tributos para insumos usados na produção de mercadorias para exportação. Isso visa dar mais tempo aos exportadores para cumprirem compromissos sem perder benefícios tributários.

Busca por novos mercados

Uma das soluções propostas pelo governo é a intensificação da busca por novos mercados para as exportações brasileiras. A ApexBrasil, agência responsável pela promoção das exportações, está focando em mercados como Índia, México, Singapura, Japão e países do Sudeste Asiático. Essa diversificação é vista como uma forma de reduzir a dependência do mercado americano, especialmente para segmentos industriais de maior valor agregado.

Os acordos comerciais entre o Mercosul e outras regiões, como a União Europeia e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), também estão sendo acelerados. A expectativa é que esses pactos abram novas oportunidades para produtos brasileiros, diminuindo os impactos das tarifas americanas.

Setores mais impactados

Os setores mais afetados pelas novas tarifas incluem eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, autopeças, calçados e outros produtos industriais exportados para os Estados Unidos. O mercado americano representa cerca de um quarto das exportações brasileiras nesses segmentos, o que torna a questão ainda mais crítica.

Próximos passos e cronograma

O governo brasileiro trabalha com um cronograma que é considerado decisivo para as medidas de resposta. Na próxima sexta-feira, espera-se uma definição dos Estados Unidos sobre a aplicação de mais 12,5% de tarifa, relacionada a acusações de trabalho forçado. Além disso, em 29 de julho, a sobretaxa de 25% entrará em vigor para mercadorias já em trânsito.

Até essa data, o Ministério do Desenvolvimento pretende finalizar reuniões com representantes de setores como plásticos, máquinas, veículos, autopeças, borracha e calçados, para consolidar um diagnóstico dos impactos e definir o pacote de apoio. Também está prevista uma missão oficial à Índia, com o intuito de ampliar oportunidades comerciais, especialmente para os fabricantes brasileiros de máquinas e equipamentos.

O RP News continua acompanhando o desenrolar dessa situação e trará atualizações sobre os impactos e as medidas adotadas pelo governo brasileiro. Fique atento a novas informações e análises sobre este e outros temas relevantes que impactam a economia e a sociedade.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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