São José do Rio Preto, uma das cidades mais afetadas por doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya, decidiu adotar uma abordagem inovadora no combate a essas enfermidades. Denominados popularmente como ‘Wolbitos’, mosquitos Aedes aegypti inoculados com a bactéria natural Wolbachia serão soltos em dez regiões do município. A estratégia visa impedir que os vírus se desenvolvam nos insetos, reduzindo assim a infecção entre a população local.
A parceria com a Fiocruz e o método Wolbachia
O projeto, realizado em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), iniciou seus primeiros trabalhos de campo em maio deste ano. No entanto, a liberação efetiva dos mosquitos nas ruas está programada para ocorrer entre setembro e outubro. Segundo Diogo Chalegre, assessor da Fiocruz, a Wolbachia é uma bactéria presente em 60% dos insetos, como formigas e borboletas, mas, no Aedes aegypti, ela atua bloqueando a transmissão de doenças. ‘É uma bactéria segura, não há nenhum tipo de modificação genética. Quando a bactéria está dentro do mosquito, ela vive dentro da célula. Por isso, os vírus não conseguem se replicar e conseguimos reduzir a transmissão’, explica Chalegre.
Seleção das áreas e ações de conscientização
A coordenadora da Vigilância em Saúde de Rio Preto, Andreia Negri, informou que as equipes técnicas analisaram o mapa epidemiológico da cidade para selecionar dez áreas prioritárias para a soltura dos mosquitos. Além disso, a Secretaria da Saúde de São José do Rio Preto planeja realizar ações de educação e mobilização para informar a população sobre essa tecnologia. Agentes comunitários de saúde serão mobilizados para orientar os moradores e esclarecer dúvidas, garantindo que a comunidade esteja ciente e engajada no processo.
Impacto e expectativas
A cidade de São José do Rio Preto foi gravemente afetada pela dengue nos anos recentes, com um registro de mais de quatro mil casos apenas nos primeiros seis meses de 2026. Em 2025, o município enfrentou a maior epidemia de sua história, com 53 mil casos e 41 mortes. Diante desse cenário alarmante, a expectativa é que a utilização do método Wolbachia traga uma redução significativa nos casos de dengue, semelhante ao que já foi observado em outros 15 países e 16 cidades brasileiras que adotaram a mesma estratégia.
Os 'Wolbitos' no contexto global
A técnica de utilização dos ‘Wolbitos’ como ferramenta de saúde pública não é exclusiva de Rio Preto. Globalmente, a bactéria Wolbachia tem sido utilizada com sucesso em diversas partes do mundo, mostrando-se eficaz na diminuição da transmissão de doenças transmitidas por mosquitos. Isso coloca Rio Preto em consonância com uma tendência internacional de busca por soluções sustentáveis e inovadoras no combate a doenças tropicais.
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Fonte: https://g1.globo.com