PUBLICIDADE

Infecções e mortes por HIV caem, mas falta de recursos ameaça avanços

Teste Compartilhamento
© Fernando Frazão/Agência Brasil

As novas infecções por HIV e as mortes relacionadas à aids atingiram os menores níveis globais em 2025, conforme relatórios divulgados recentemente pelo Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/Aids (Unaids). Este marco, no entanto, está sob ameaça devido à redução do financiamento para ações de prevenção e tratamento, uma preocupação crescente para especialistas e gestores de saúde pública ao redor do mundo.

Redução das infecções e mortes

No ano passado, foram registradas 1,2 milhão de novas infecções pelo HIV globalmente, representando uma redução de cerca de 40% desde 2010. As mortes por aids, por sua vez, somaram 570 mil. Apesar desses avanços, a Unaids alerta que a diminuição dos financiamentos pode reverter o progresso alcançado até agora. A falta de recursos afeta diretamente a capacidade dos países de implementar programas eficazes contra a epidemia.

Ameaça de financiamento reduzido

Os recursos do programa Overseas Development Assistance (ODA), principal fonte de assistência para países de baixa renda, diminuíram 23% em 2025. Isso impacta fortemente os programas de HIV, especialmente em países africanos que dependem desses fundos para mais de 90% de suas ações. A redução do financiamento não só dificulta a introdução de novas tecnologias de prevenção, mas também afeta o tratamento dos já infectados. Em 2025, uma a cada cinco pessoas vivendo com HIV não estava em tratamento, um número alarmante que sobe para quase metade entre as crianças.

Inovações e desafios futuros

A diretora-executiva da Unaids, Winnie Byanyima, destacou que o fim da epidemia de aids é um objetivo alcançável graças a inovações científicas, como a profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável. Este tratamento pode prevenir a infecção em pessoas saudáveis por até seis meses. No entanto, ela enfatiza que avanços científicos isolados não são suficientes. “Inovação sem acesso não é inovação, e, sim, injustiça”, afirmou Byanyima, ressaltando a necessidade de tornar esses medicamentos acessíveis a todos.

Estigmatização e direitos humanos

Paralelamente à questão financeira, a Unaids aponta para o aumento da estigmatização contra pessoas LGBTI+ e populações vulneráveis, como trabalhadores sexuais e usuários de entorpecentes. Em 2025, a criminalização de relações entre pessoas do mesmo sexo aumentou, com 66 países mantendo tais legislações. A organização também identificou 14 países que criminalizam pessoas trans, além de 168 países onde aspectos do trabalho sexual são proibidos, e 152 que punem a posse de pequenas quantidades de drogas. “O HIV se espalha quando direitos são negados”, destacou Byanyima, enfatizando que os direitos humanos são essenciais na resposta ao HIV.

O relatório da Unaids foi divulgado às vésperas da 26ª Conferência Internacional de Aids, realizada pela primeira vez no Brasil, no Rio de Janeiro. Este evento global reúne especialistas e ativistas para discutir novas estratégias e reforçar o compromisso global de acabar com a aids como uma ameaça à saúde pública até 2030. Acompanhe o RP News para mais atualizações sobre este e outros temas de relevância, reafirmando nosso compromisso com a informação de qualidade e aprofundada.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Leia mais

PUBLICIDADE