Movidos pelo som dos tambores, pelo colorido dos figurinos e pela força das tradições passadas de geração em geração, mais de 70 grupos folclóricoscruzaram estradas de norte a sul do Brasil para o encontro no Festival do Folclore (Fefol) em Olímpia (SP), a Capital Nacional do Folclore.
💃🏽✨ Durante a 62ª edição, que começou no sábado (1º), o município recebe as comitivas dos quatro cantos do país. Dos bois amazônicos aos batuques nordestinos, das congadas do Centro-Oeste aos sambas e jongos do Sudeste, passando pelas danças e tradições do Sul: as comitivas se encontram em um só palco.

Ao todo, são cerca de 130 apresentações de 20 estados brasileiros que celebram histórias, crenças, ritmos e costumes preservados há décadas.
O Fefol é realizado no Recinto de Exposições e Praça de Atividades Folclóricas “Professor José Sant’anna’”, localizado na Av. Menina Moça, 826 – Jardim Menina Moca, em Olímpia. A seguir, conheça os estados que desembarcaram na Capital Nacional do Foclore e mais da cultura de cada um deles.
Norte: Pará (PA), Roraima (RR);
Sul: Paraná (PR), Santa Catarina (SC), Rio Grande do Sul (RS).
Nordeste: Alagoas (AL), Ceará (CE), Maranhão (MA), Paraíba (PB), Pernambuco (PE), Piauí (PI), Rio Grande do Norte (RN), Sergipe (SE);
Centro-Oeste: Goiás (GO), Mato Grosso (MT), Mato Grosso do Sul (MS);
Sudeste: Espírito Santo (ES), Minas Gerais (MG), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP).
Embora sejam das mesmas raízes culturais, as manifestações folclóricas e parafolclóricas se diferenciam pelomodo de produção e pela forma como chegam ao público.
🔍 A dança folclórica é aquela transmitida de geração em geração e mantida pelas próprias comunidades dentro de seu contexto tradicional, preservando costumes, rituais, músicas e danças como parte do cotidiano e da identidade cultural.
De matriz africana, o Coco surgiu nos engenhos durante o período da escravidão, tendo os primeiros registros em Alagoas antes de se espalhar pelo Nordeste e pelo país.
A dança de roda nasceu do ritmo criado pelos trabalhadores ao quebrarem o fruto seco com os pés, somando sapateados, palmas e, em alguns locais, o uso de tamancos de madeira para simular o som do coco se quebrando. Caracterizado por roupas nas cores das divindades, cantos em iorubá e forte percussão, o movimento também se consolidou em Pernambuco como um símbolo de resistência e combate ao racismo.
🎶 Inspirado na adoração dos pastores ao Menino Jesus, o Pastoril é um folguedo do ciclo natalino muito tradicional no Nordeste, com destaque em Alagoas. As integrantes, chamadas de pastoras, dividem-se nos cordões Azul e Encarnado, vestindo peças nas cores correspondentes, e usam pandeiros para acompanhar os cantos, bailados e diálogos que celebram o nascimento de
Sudeste
O Sudeste reúne manifestações conhecidas nacionalmente, mas também tradições preservadas por comunidades do interior. Neste ano, o Rio de Janeiro é o estado homenageado e leva a maior delegação visitante do festival.
📿 Congada é uma expressão cultural e religiosa afro-brasileira que mistura dança, canto, teatro e espiritualidade de matrizes africana e cristã, especificamente católica. A manifestação mescla tradições de matriz africana com a fé católica em celebração a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia, homenageando a proteção atribuída aos santos pelos negros escravizados.
Centro-Oeste
Do Cerrado ao Pantanal, a região leva tradições que nasceram da convivência entre povos indígenas, sertanejos e comunidades afro-brasileiras.
🐂 O Boi do Natal é um folguedo típico do Centro-Oeste baseado na clássica história do boi que morre e ressuscita, uma tradição que guarda semelhanças com antigos rituais africanos e com o culto egípcio a Ápis, o deus da fertilidade representado por um touro.
Norte
A cultura amazônica chega a Olímpia trazendo a força dos rios, das florestas e das tradições indígenas e caboclas. Pará e Roraima representam a região Norte com manifestações marcadas pelo ritmo dos tambores, pela ancestralidade e pela conexão com a natureza.
💃🏻 Também conhecida como dança das Taieiras ou Talheiras, a Chula Marajoaraé uma forma de louvação popular a divindades como São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, com grande presença na Ilha do Marajó. A manifestação é dançada exclusivamente por mulheres descalças e trajadas com roupas estampadas. Em seguida, a celebração ganha a participação da Dança do Vaqueiro, cujos trajes remetem à característica dos trabalhadores locais, com uma coreografia imitando a vida no campo e o trabalho de laçar o gado.
🌳 Uma das estreias da edição e representando um estado inédito no Fefol, o Grupo Tribo Waiká, apresenta o espetáculo “Roraima Raízes Ancestrais”, uma coletânea de composições construída ao longo da trajetória do grupo. A apresentação aborda eixos como a preservação ambiental, a resistência dos povos da floresta e a ancestralidade dos povos originários.
Fonte: G1 Rio Preto