Um projeto de revitalização e combate a enchentes na Avenida Murchid Homsi, uma das principais vias de São José do Rio Preto (SP), virou debate em audiências públicas promovidas na Câmara Municipal. Recentemente, o Ministério Público entrou no caso e pediu explicações ao Poder Executivo.
Estimada em R$ 29 milhões, a proposta da Prefeitura prevê a remoção de 943 das 1.323 árvores existentes ao longo do canteiro e no entorno da via.

O alto número de supressões gerou preocupação entre ambientalistas e moradores devido ao impacto no microclima local e ao aumento do déficit de áreas verdes na cidade.
Um dos principais pontos de crítica apresentados na Casa de Leis na quarta (12) e quinta-feira (13) é o impacto direto na temperatura. Um estudo do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema) mapeou alguns pontos, também conhecidos como “ilhas de calor”, em Rio Preto.
Em entrevista à TV TEM, Delcio de Mello, diretor da Associação Amigos dos Mananciais (AMA), afirmou que a retirada em massa das árvores causará o fenômeno provocado pela escassez de vegetação e pelo excesso de asfalto e poluição.
“Aqui você tem um exemplo de um bosque urbano. É um maciço de árvores que tem um impacto no microclima dessa região”, conta.
Como consequência, Delcio alerta que os moradores do entorno terão um gasto maior de energia elétrica por conta do uso frequente de aparelhos de ar-condicionado e ventiladores para amenizar o calor.
Outro ponto levantado é que, embora o município prometa a reparação ambiental, o crescimento de novas mudas levará anos para atingir o porte necessário, sombrear a via e amenizar o clima, caso o projeto seja colocado em prática.
Objetivo do projeto
Para entender detalhes da proposta, a reportagem conversou com o vice-prefeito de Rio Preto e secretário de Obras, Fábio Marcondes (PL), que esteve presente na Câmara dos Vereadores durante as audiências. Ao defender a viabilidade do projeto, ele diz que a obra foi fundamentada em estudos técnicos rigorosos para conter as históricas inundações no curso da avenida.
Marcondes afirma que, das 943 árvores que serão retiradas, mais de 500 são exóticas.

“É que 440 árvores são exóticas. O que são árvores exóticas? São aquelas que não são do bioma da nossa região. Já as árvores da nossa região, estamos falando de aproximadamente 500, sendo que as árvores raras que existem lá serão totalmente preservadas”, pontua.
Apesar das justificativas técnicas do Poder Público, moradores e entidades ambientais cobram alternativas que permitam reduzir o número de retiradas de árvores antes do início das obras no local.
MP pede explicações
O Ministério Público, por meio do promotor Cláudio Santos de Morais, recebeu uma representação pedindo explicações em relação à derrubada das árvores. Em seguida, os questionamentos foram encaminhados para a Prefeitura de São José do Rio Preto.
“É importantíssima essa obra que vai ser realizada para conter as enchentes que estão acontecendo quando chove forte. A preocupação deve ser somente em fazer a poda de árvores necessária para conter o problema enchente e não inventar mais coisas que vão sacrificar a preservação do meio ambiente e não é adequado”, pontua.
Ainda segundo o promotor, após receber as respostas do Poder Público, ele decidirá se irá ingressar com alguma representação judicial.
Fonte: G1 Rio Preto