Mais de um ano depois do desaparecimento dos homens que viajaram para Icaraíma (PR) para a cobrança de uma dívida e foram mortos em uma emboscada, a notícia da prisão dos principais suspeitos trouxe alívio para a viúva de uma das vítimas.
Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo, que são pai e filho, respectivamente, foram presos na manhã desta terça-feira (18), após mais de um ano foragidos. Eles tinham o nome na lista vermelha de procurados da Organização Internacional de Polícia Criminal, a Interpol.

Eles são os principais suspeitos de envolvimento na morte de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza.

O advogado Renan Farah, que representa três dos suspeitos, diz aguardar a audiência de custódia e que possui provas de que Carlos Henrique Buscariollo não teve envolvimento com o caso.
Robishley, Rafael e Diego viajaram de São José do Rio Preto (SP) a Icaraíma para se encontrar com Alencar no norte do Paraná e cobrar uma dívida de R$ 255 mil da família Buscariollo.
Os corpos das vítimas foram encontrados 44 dias após o desaparecimento, em 18 de setembro de 2025, com marcas de tiros e enterrados em uma propriedade rural particular de Icaraíma. O carro usado pelo quarteto foi enterrado em um bunker perto da área em que os corpos foram localizados.
Apesar de reconhecer a importância da prisão para o andamento do caso, Denise Cristina Pereira, esposa de Robishley, contou ao g1 que estava desacreditada da prisão e não esperava sentir o impacto da notícia.
Isso porque, segundo ela, a expectativa era de que a prisão não mudasse o sofrimento provocado pela perda. Para ela, o desfecho representa um avanço importante, mas não apaga as consequências deixadas pelo crime.
A espera pela prisão dos suspeitos, segundo ela, também foi marcada pela angústia e pela sensação de estar sendo desacreditada. A mulher afirma que, depois das primeiras reportagens sobre o caso, ouviu comentários que colocavam em dúvida o que havia sido relatado pela polícia.
“Era como se a louca fosse eu e como se eles fossem os santos”, desabafou Denise.
Denise teve um filho com Robishley. À época do desaparecimento e do homicídio, o bebê tinha apenas sete meses. Hoje, a mulher diz que tenta recomeçar a vida e lamenta pela criança não ter tido a oportunidade de conviver com o A prisão
Antônio e Paulo Buscariollo foram encontrados em um sítio na zona rural de Rio das Pedras (SP), segundo a polícia. Outro filho de Antônio Buscariollo foi preso em Santa Bárbara D’Oeste (SP).
Um quarto homem envolvido no crime foi identificado pela polícia e já estava preso por outro crime no momento da operação. Os nomes destes dois envolvidos não foram divulgados.
O delegado responsável pelas investigações, Thiago Teixeira, informou à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, que os quatro serão encaminhados a Umuarama.
De acordo com a polícia, os foragidos foram localizados após diversos levantamentos de inteligência policial e monitoramento realizado pela PC-A polícia apurou que as quatro vítimas fariam uma cobrança relacionada à venda de uma propriedade rural por Alencar à família Buscariollo.
O pagamento foi dividido em dez notas promissórias de R$ 25 mil cada, mas nenhuma parcela foi paga. Caso os cobradores conseguissem o pagamento, receberiam metade do valor arrecadado.
Ainda no dia 4 de agosto, todos foram até o distrito de Vila Rica para fazer o primeiro contato com Antônio e Paulo. Nesta ocasião, a polícia apurou que os Buscariollo tentaram ceder uma casa na área urbana da cidade, mas não chegaram a um acordo.
A câmera de segurança de uma panificadora de Icaraíma fez o último registro dos quatro com vida na manhã do dia 5 de agosto.
A teoria da polícia é de que as vítimas foram baleadas assim que chegaram à propriedade, no dia 5, com o ataque feito por pelo menos cinco armas de fogo de calibres diversos, em três pontos distintos. O laudo concluiu que uma das armas era um fuzil.
- Robishley Hirnani de Oliveira: Foi morto com três tiros nas costas, um na cabeça, um no braço e dois no tórax. Um projétil ainda estava alojada na cabeça;
- Diego Henrique Affonso: Morto com nove disparos, sendo um na cabeça, seis no tórax, dois nos braços. Dois projéteis e um fragmento foram encontrados no corpo dele;
- Rafael Juliano Marascalchi: Morto com seis tiros, sendo três na cabeça, dois no tórax e um na perna;
- Alencar Gonçalves de Souza Giron: Um tiro na cabeça.
Na emboscada, a picape foi atingida do lado esquerdo, traseira e frente. A polícia trabalha com a linha de investigação de que pelo menos cinco pessoas participaram do crime.
Após serem assassinados, de acordo com a polícia, os quatro homens foram levados, dentro do próprio carro, até a cova onde eles foram enterrados. Em seguida, o veículo foi levado até um bunker, onde também foi enterrado.
Em 6 de agosto de 2025, a esposa de Robishley procurou a polícia do estado de São Paulo para registrar o desaparecimento do marido e dos amigos dele, sem saber dos fatos.
A picape das vítimas foi encontrada após o pai de uma das vítimas receber uma carta anônima com a localização do carro. O veículo foi localizado enterrado em um bunker, em uma mata fechada na área rural de Icaraíma. Ele estava coberto por uma lona.
Após a localização das vítimas, os corpos de Robishley e de Rafael foram sepultados juntos em São José do Rio Preto. Já o corpo de Diego foi sepultado no Cemitério Municipal de Olímpia, e o corpo de Alencar foi enterrado no estado do Paraná.
Nota da defesa dos suspeitos na íntegra:
“A qualidade de advogado de Paulo e Antônio Buscariolo vem esclarecer que eles foram presos e passarão agora pela chamada audiência de custódia. É importante explicar que a audiência de custódia não é um julgamento e não serve para declarar alguém culpado ou inocente. É o momento em que o Poder Judiciário analisa a legalidade da prisão e, principalmente, se existia efetiva necessidade de que essas pessoas permaneçam presas durante o andamento do processo.
Também foi preso Carlos Henrique Buscariolo, outro integrante da família. E em relação a este, existe uma circunstância extremamente relevante, que será demonstrada pela defesa.
Carlos Henrique sequer se encontrava na cidade na época dos fatos criminosos que estão sendo imputados à família. A defesa possui elementos para demonstrar essa circunstância, e ela será apresentada e comprovada no momento processual
Nesse momento, o nosso trabalho é assegurar que todos tenham suas garantias constitucionais respeitadas, que as prisões sejam analisadas individualmente e que nenhuma conclusão antecipada seja construída simplesmente em razão da repercussão do caso.
A defesa confia na análise técnica do Poder Judiciário e prestará os demais esclarecimentos, conforme o processo avançar.
Agora não tem mais desculpa para nós termos acesso integral ao processo, uma vez que já foram presos e não tem mais motivo para a defesa saber por que foram e quais circunstâncias, quais provas, trouxeram a sua prisão. Sem mais.”
Fonte: G1 Rio Preto