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Entidades industriais e trabalhistas consideram tímida queda da Selic

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© José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 14% para 13,75% ao ano gerou reações mistas entre representantes da indústria e dos trabalhadores. A medida, anunciada na última quarta-feira (16), foi vista como insuficiente para aliviar a pressão econômica que pesa sobre empresas e famílias brasileiras.

Perspectivas da Indústria

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) expressou seu descontentamento com o que considerou um excesso de prudência do Copom. Apesar da trajetória de desaceleração da inflação, que atingiu 4,22% no acumulado de 12 meses até agosto, a entidade acredita que há espaço para cortes mais agressivos sem comprometer o controle inflacionário. O presidente da CNI, Ricardo Alban, reforçou a necessidade de continuidade no ciclo de redução da Selic para evitar custos econômicos desnecessários.

Impacto sobre os Trabalhadores

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) também considerou a redução de 0,25 ponto percentual como um avanço tímido diante das altas taxas de juros praticadas no país. Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e diretora executiva da CUT, destacou que, embora a Selic tenha impacto direto sobre o custo de financiamentos, a redução ainda é insuficiente para estimular uma trajetória mais robusta de crédito acessível.

Reações das Centrais Sindicais

A Força Sindical compartilhou a visão de que a decisão do Banco Central foi um ‘balde de água fria’ para a economia no último trimestre do ano. A central critica a política de juros altos, que, segundo a entidade, favorece banqueiros e especuladores em detrimento do setor produtivo e da geração de empregos. Para a Força Sindical, é imperativo que o Banco Central adote uma postura mais agressiva na redução dos juros, promovendo um ambiente econômico mais favorável ao crescimento e à distribuição de renda.

Desafios no Setor da Construção

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) reconheceu a decisão do Copom como um passo positivo, mas alertou para o fato de que a Selic ainda permanece em um nível elevado. Eduardo Almeida, presidente da CBIC, ressaltou que os altos juros representam um desafio significativo para o setor, que depende de crédito e enfrenta ciclos produtivos longos. Ele defendeu a necessidade de um ambiente macroeconômico estável que possibilite a continuidade das reduções na Selic e estimule novos investimentos.

O anúncio do Copom ocorre em um momento sensível para a economia brasileira, com expectativas de crescimento econômico moderado e inflação em queda. Enquanto o Banco Central busca equilibrar a estabilidade de preços com o estímulo ao crescimento econômico, as pressões de diferentes setores da sociedade indicam que o debate sobre a política monetária está longe de um consenso.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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