Cerca de 70% da população cubana vive atualmente em situação de pobreza, conforme revela um estudo privado recente. Este levantamento emerge em um contexto de severa crise econômica que afeta a ilha, intensificada por pressões externas, particularmente dos Estados Unidos. A situação preocupa tanto especialistas quanto a população local, que enfrenta dificuldades crescentes no acesso a necessidades básicas.
Impacto das sanções americanas
As relações entre Cuba e os Estados Unidos têm sido historicamente tumultuadas, mas a administração do presidente Donald Trump intensificou essa tensão. Desde janeiro, um bloqueio petroleiro de fato tem sido imposto à ilha, exacerbando a crise energética e econômica. A inflação, a escassez de produtos e os apagões se tornaram parte do cotidiano cubano, dificultando ainda mais a vida da população já vulnerável.
Estudo e metodologia
O estudo, conduzido pelo Centro Cristão de Reflexão e Diálogo (CCRD), destaca que pela primeira vez em 60 anos, a pobreza atinge a maioria dos cubanos. Segundo o levantamento, aproximadamente 6,45 milhões de pessoas, ou 66% da população, vivem abaixo da linha da pobreza. O valor calculado se baseia em uma estimativa populacional de 9,7 milhões, ligeiramente acima do número oficial de 9,4 milhões.
Desafios econômicos
A pesquisa aponta que a renda dos cubanos não é suficiente para cobrir o custo de uma cesta alimentar mínima, e muito menos outras necessidades essenciais. O salário médio mensal em Cuba é de cerca de 7.000 pesos, ou 51,5 reais, enquanto o custo de uma cesta básica é estimado em 191 reais, segundo o economista Omar Everleny Pérez.
Repercussões sociais
Os efeitos da crise são visíveis nas ruas, embora o governo comunista evite publicar estatísticas oficiais sobre a pobreza. Durante anos, o governo cubano destacou os avanços sociais de seu modelo, como saúde gratuita e distribuição de alimentos subvencionados. No entanto, a crise dos últimos cinco anos minou significativamente esses programas de assistência.
A perspectiva internacional
Em agosto, relatores especiais da ONU expressaram preocupação com a deterioração das condições de vida em Cuba e instaram a comunidade internacional a agir. A comparação com uma “Gaza silenciosa” ilustra o temor de que a situação possa se agravar ainda mais se nenhuma ação for tomada para aliviar as tensões e melhorar as condições econômicas.
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Fonte: https://jovempan.com.br