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Em 30 anos, obesidade triplica no país e atinge 1/4 da população

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© Fernando Frazão/Agência Brasil

Um estudo publicado recentemente pela renomada revista científica Lancet revela um aumento alarmante na prevalência de obesidade entre adultos no Brasil. Em um período de três décadas, de 1990 a 2023, a taxa de obesidade entre brasileiros com 25 anos ou mais saltou de 7,8% para 27,7%. Este dado faz parte da série de estudos conhecida como Carga Global de Doenças (GBD, sigla em inglês), e coloca o Brasil no topo da lista de crescimento em obesidade entre 17 países da América Latina analisados.

Impactos sociais e culturais

O crescimento da obesidade no Brasil não é apenas um número, mas um reflexo de mudanças profundas nos hábitos alimentares e no estilo de vida da população. A transição nutricional vivida pelo país trouxe avanços na redução da desnutrição, mas ao custo de uma alimentação de pior qualidade. O acesso ampliado a alimentos, a melhora da merenda escolar e políticas sociais como o Bolsa Família contribuíram para o avanço econômico e social, mas a adoção de uma dieta rica em produtos ultraprocessados tornou-se uma realidade preocupante.

A economia dos ultraprocessados

O consumo de produtos ultraprocessados, que são mais baratos e amplamente divulgados pela indústria, cresceu substancialmente. Caracterizados por altos teores de gordura, açúcar e sódio, esses alimentos são palatáveis e de fácil preparo, mas têm substituído opções mais saudáveis como o feijão, uma leguminosa rica em proteínas e fibras essenciais. Esse cenário é agravado pela pressão econômica que faz com que famílias de baixa renda escolham alimentos menos nutritivos devido ao seu custo mais acessível.

Sedentarismo e suas consequências

Além da dieta inadequada, o aumento do sedentarismo entre os brasileiros é outro fator crucial para o crescimento do excesso de peso. Com a popularização de tecnologias como smartphones, computadores e televisores, o tempo gasto em atividades físicas diminuiu significativamente. Essa combinação de má alimentação e falta de exercício físico promove um ambiente propício ao desenvolvimento de sobrepeso e obesidade, fenômeno frequentemente observado em sociedades ocidentais.

Desafios para a saúde pública

O aumento do excesso de peso tem implicações diretas na saúde pública, elevando o risco de doenças crônicas não transmissíveis como problemas cardiovasculares, diabetes e vários tipos de câncer. A pediatra e pesquisadora Deborah Carvalho Malta, da Universidade Federal de Minas Gerais, enfatiza a necessidade de ações preventivas desde a infância, destacando que a obesidade adquirida na juventude é mais difícil de reverter e está associada a uma maior predisposição a doenças ao longo da vida.

Políticas e o futuro da alimentação

Para enfrentar essa crise, especialistas defendem medidas como o aumento de impostos sobre produtos ultraprocessados e incentivos fiscais para alimentos saudáveis, como frutas, legumes e cereais. Além disso, há um consenso sobre a importância de promover o aleitamento materno e garantir que as escolas ofereçam refeições nutritivas, assegurando um desenvolvimento saudável desde a infância. Essas ações são vistas como fundamentais para reverter a tendência crescente de obesidade e melhorar a saúde da população a longo prazo.

À medida que o Brasil enfrenta o desafio crescente da obesidade, torna-se crucial seguir acompanhando as medidas adotadas e seus efeitos. O RP News continuará a trazer informações atualizadas e contextualizadas sobre esse e outros temas de relevância, comprometido em oferecer conteúdo de qualidade para a sociedade. Continue acompanhando nosso portal para se manter bem informado.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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