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Uso excessivo de caneta emagrecedora pode levar a perda de músculos; nutróloga explica quando há déficit calórico

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As canetas emagrecedoras ajudam a controlar o apetite e aceleram a perda de peso, mas o resultado mostrado na balança pode esconder um problema: parte dos quilos eliminados pode vir da massa magra, e não apenas da gordura.

Uma metanálise publicada na revista científica Metabolism reuniu 22 ensaios clínicos randomizados, com 2.258 participantes. O levantamento concluiu que os medicamentos ligados ao GLP-1 reduziram principalmente gordura, mas também provocaram perda de massa magra.

Em média, ela correspondeu a cerca de 25% do peso eliminado. Massa magra inclui músculos, ossos, órgãos e líquidos corporais, portanto não significa que toda essa redução tenha sido muscular.

Segundo a médica nutróloga Hellenna Dutra, de Rio Preto, medicamentos como o Mounjaro, à base de tirzepatida, atuam nos receptores dos hormônios GIP e GLP-1, ligados ao controle do apetite e da saciedade. A medicação também retarda o esvaziamento do estômago, fazendo com que o paciente se sinta satisfeito mais rapidamente e coma menos.

O problema aparece quando essa redução provoca um déficit calórico excessivo, sem ingestão adequada de proteínas, carboidratos, vitaminas e minerais. “O peso bruto mostrado pela balança não informa quanto foi perdido de gordura e quanto foi de músculo. O paciente pode emagrecer, perder massa muscular e não eliminar tanta gordura quanto imagina”, explica Hellenna Dutra.

Idosos, pessoas sedentárias e pacientes com obesidade sarcopênica, condição caracterizada pelo excesso de gordura associado à baixa massa muscular, apresentam maior risco. Flacidez, perda de força, redução do tônus muscular, cansaço e fadiga constante estão entre os sinais que precisam ser observados.

Para reduzir o risco, a orientação é combinar o tratamento médico com alimentação adequada e exercícios de resistência, principalmente a musculação.

“O consumo de proteínas e o treino de resistência são essenciais para preservar os músculos. O acompanhamento deve envolver médico, nutricionista e educador físico, além de exames para identificar possíveis deficiências”, afirma a médica.

O educador físico Danilo Ozanique, da Academia Go Heat, em Rio Preto, explica que o treino dá ao organismo um estímulo para conservar os músculos durante o emagrecimento. “Nossos músculos funcionam como um plano de saúde silencioso. Eles ajudam na proteção dos ossos e das articulações, favorecem a saúde cardiovascular, aumentam a força e contribuem para a longevidade. Na estética, também dão sustentação à pele e reduzem o aspecto de flacidez”, diz Ozanique.

O treino deve trabalhar o corpo de maneira global, incluindo membros superiores e inferiores. A frequência e a intensidade precisam ser definidas de acordo com o condicionamento e as condições de cada pessoa.

Quem está começando ou perde peso rapidamente pode precisar de adaptações. “O treino deve ser planejado de forma progressiva. Em caso de fraqueza, tontura ou queda de rendimento, é necessário reduzir a intensidade e reavaliar também o plano alimentar”, orienta Ozanique.

Além da balança, exames como a bioimpedância e a avaliação física ajudam a acompanhar a proporção entre gordura e massa magra. O objetivo não é apenas fazer o peso cair, mas garantir que o emagrecimento preserve força, músculos e saúde.

Por: Henrique Fernandes

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