Cinco policiais militares foram condenados pela Justiça Militar de São Paulo por organização criminosa, usura e extorsão. O caso teve início em São José do Rio Preto (SP) após a prisão de parte dos réus, em maio de 2025, durante uma operação da Corregedoria da PM.
Além do processo que tramitou na Justiça Militar e resultou nas condenações desta terça-feira, os envolvidos também respondem por homicídio em um processo na Justiça comum. Eles são acusados de integrar um grupo de extermínio.

O julgamento terminou às 23h50 desta terça-feira (29), após cerca de sete horas de sessão na 4ª Auditoria Militar do Estado de São Paulo. Os condenados são o 1º sargento PM Rafael Soares, o 2º sargento Saint Clair Soares, o soldado PM Luís Guilherme Silva Pavani, o cabo PM Carlos Henrique da Cruz Candido e o ex-sargento PM Alan Victor Soares. O g1tenta contato com a defesa dos condenados.
As penas
De acordo com o Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo (TJMSP), o ex-policial militar Alan Victor Soares recebeu a maior pena: mais de 20 anos de prisão em regime inicial fechado.
Confira a seguir a pena a que cada condenado foi sentenciado:
- Alan Victor Soares: 20 anos, 3 meses e 15 dias de prisão; regime inicial fechado.
- Luís Guilherme Silva Pavani: 15 anos e 9 meses de prisão; regime inicial fechado.
- Rafael Soares: 6 anos e 7 meses de prisão; regime inicial semiaberto.
- Carlos Henrique da Cruz Candido:5 anos e 3 meses de prisão; regime inicial semiaberto.
- Saint Clair Soares: 4 anos e 4 meses de prisão; regime inicial semiaberto.
Segundo a Justiça Militar, os cinco réus continuarão presos. A decisão, no entanto, está sujeita a recurso tanto pela defesa quanto pelo Ministério Público.
A investigação
A investigação que levou os policiais à prisão começou a ser conduzida pela Corregedoria da Polícia Militar em São José do Rio Preto. Em maio de 2025, os sargentos Saint Clair Soares e Rafael Soares, o cabo Carlos Henrique da Cruz Candido e o ex-sargento Alan Victor Soares foram presos durante uma operação contra o grupo.
Posteriormente, a investigação avançou e passou a envolver também o soldado Luís Guilherme Silva Pavani. Foragido da Justiça desde abril, ele foi preso em 4 de maio deste ano, em São José do Rio Preto, suspeito de participação no grupo.
Segundo a Corregedoria da PM, o grupo era investigado por envolvimento em um esquema criminoso que incluía homicídios, violência, cobrança de valores e agiotagem.
Homicídio
De acordo com informações divulgadas pela Corregedoria da PM, o grupo era suspeito de envolvimento em pelo menos seis homicídios em São José do Rio Preto. Os crimes atribuídos aos investigados teriam ocorrido entre setembro e dezembro de 2023.
Um dos homicídios investigados ocorreu em dezembro de 2023, dentro de um condomínio no bairro Jardim Itapema, na Zona Norte de Rio Preto. Jefferson Cristiano de Souza foi baleado por dois homens quando saía de um carro. Ele morreu no local. A ação foi registrada por câmera de monitoramento.
O caso do homicídio, no entanto, tramita na Justiça comum e é separado do processo julgado pela Justiça Militar nesta terça-feira.
Fonte: G1 Rio Preto