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Aumentam agressões políticas em mês de luta contra violência à mulher

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© Marcelo Camargo/Agência Brasil

No mês em que o Brasil celebra o Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, tanto organizações sociais quanto fontes governamentais têm registrado um alarmante aumento nos casos de agressões políticas de gênero. Este fenômeno ocorre em um contexto de crescente violência política, que levanta preocupações sobre a segurança e a participação das mulheres na política brasileira.

Crescimento alarmante dos casos

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os ataques políticos de gênero aumentaram 11 vezes entre 2022 e 2026. O número de processos saltou de 15 para 177, evidenciando uma tendência preocupante de hostilidade e discriminação direcionadas às mulheres em posições políticas. Este aumento coincide com o período eleitoral, onde a violência política se intensifica, especialmente contra candidatas mulheres.

Relevância social e cultural

A data comemorada neste sábado (10) remonta ao ato histórico de 1980, quando mulheres se reuniram nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo para protestar contra os crimes de gênero. A celebração deste dia serve como um lembrete da luta contínua por igualdade e segurança para as mulheres, especialmente em espaços políticos, onde a presença feminina ainda enfrenta resistência e hostilidade.

Impacto nas eleições de 2026

Durante a campanha eleitoral de 2026, um levantamento das organizações Terra de Direitos e Justiça Global revelou 134 casos de violência política, sendo 52,2% das vítimas mulheres. Esses dados indicam que, apesar de representarem cerca de um terço das candidaturas, as mulheres foram alvos em mais da metade dos episódios de violência, destacando a vulnerabilidade das candidatas em um ambiente politicamente hostil.

Denúncias e repercussões

A Central de Atendimento à Mulher, Disque 180, registrou 1.564 denúncias de violência política contra mulheres entre janeiro e agosto de 2026. Um dado preocupante é que mais de 53% das denúncias foram feitas por mulheres pretas e pardas, destacando o recorte racial na questão da violência política de gênero.

Casos emblemáticos

A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) tornou-se um exemplo visível dessa violência após denunciar ameaças de morte e violência sexual que recebeu durante a campanha. Com apenas 21 anos, Ana Elisa é a deputada federal mais jovem eleita por Minas Gerais e a mulher mais votada no estado. As ameaças incluem ataques machistas e racistas, além da exposição de seus dados pessoais, forçando seu partido a contratar segurança armada.

A visão do Ministério da Mulher

Sandra Kennedy, secretária Nacional de Articulação Intersetorial e Participação Política do Ministério das Mulheres, destaca que a violência política contra as mulheres é uma manifestação de problemas estruturais mais amplos, como a misoginia e o feminicídio. Segundo ela, essas violências não apenas ameaçam a vida das mulheres, mas também buscam desestimular sua participação política.

Outros incidentes de violência política

Casos emblemáticos, como o assassinato da vereadora Marielle Franco em 2018, a importunação sexual sofrida pela deputada estadual Isa Penna em 2020, e os ataques verbais contra a deputada federal Maria do Rosário em 2014, ilustram a gravidade da violência política no Brasil. Esses incidentes ressaltam a necessidade urgente de medidas para proteger as mulheres que ocupam ou aspiram ocupar cargos políticos.

O RP News continua comprometido em abordar questões cruciais que impactam a sociedade brasileira. Acompanhe nossas publicações para se manter informado sobre os desdobramentos desses casos e outros temas de relevância nacional.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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