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Saúde

UTIs no Brasil: médicos pedem estruturação que vá além de mais leitos

Uma análise abrangente sobre as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) no Brasil, conduzida por profissionais da área, ressalta uma disparidade significativa entre os serviços públicos e privados. Segundo…

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UTIs no Brasil: médicos pedem estruturação que vá além de mais leitos
© Tomaz Silva/Agência Brasil

Uma análise abrangente sobre as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) no Brasil, conduzida por profissionais da área, ressalta uma disparidade significativa entre os serviços públicos e privados. Segundo o levantamento, as avaliações positivas são frequentemente duas vezes mais comuns nas unidades privadas em comparação com as públicas. Em contrapartida, as notas negativas são até quatro vezes mais prevalentes nas UTIs públicas.

O estudo foi realizado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) em colaboração com o Conselho Federal de Medicina (CFM), ouvindo 2.338 médicos que atuam em assistência de alta complexidade. O levantamento integra o Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica nas UTIs Brasileiras e visa oferecer um diagnóstico detalhado sobre o cenário atual das UTIs no país.

Diagnóstico e desafios das UTIs

Os profissionais de saúde responsáveis pela pesquisa avaliaram diversos aspectos considerados essenciais para o funcionamento das UTIs, como infraestrutura, disponibilidade de medicamentos, especialização da equipe, fluxos de pacientes e protocolos de atendimento. As notas variaram de 0 a 5, e revelaram um cenário de dificuldades especialmente na rede pública, onde a insuficiência de recursos e infraestrutura foi evidenciada.

A Amib, em sua avaliação, destacou que os resultados sublinham a necessidade urgente de políticas públicas mais abrangentes, que priorizem a estruturação das UTIs em múltiplos aspectos, além do simples aumento do número de leitos. A entidade planeja levar esses dados a gestores públicos e privados, além de autoridades responsáveis pela fiscalização e controle, buscando implementar mudanças que melhorem a qualidade do atendimento.

Impacto e repercussões

De acordo com a Amib, as mudanças propostas podem impactar diretamente 43.901 leitos de UTI distribuídos pelo Brasil, dos quais 34.927 são para adultos e 8.974 para pediatria e neonatologia. Os dados indicam que apenas 22,7% dos médicos consideram a disponibilidade de medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS) como totalmente adequada. Esse índice é significativamente maior em serviços privados, alcançando 57,7%.

As avaliações negativas reforçam a diferença entre os setores: 16,1% dos médicos consideraram a oferta de medicamentos na rede pública inadequada ou totalmente inadequada, enquanto no setor privado o percentual foi de apenas 3,8%. Esse padrão se repete na avaliação sobre suficiência de leitos e acesso a protocolos de atendimento, evidenciando um quadro preocupante para as UTIs públicas.

O papel das equipes multiprofissionais

Outro ponto de atenção destacado pela pesquisa é a presença de equipes multiprofissionais especializadas. No setor privado, 39,2% dos médicos avaliaram esse item com nota máxima, enquanto no público esse índice foi de apenas 23%. Por outro lado, as notas mínimas foram atribuídas por 24,8% dos médicos para o setor público, em comparação a 13,8% para o privado.

A formação específica de enfermeiros em terapia intensiva também foi avaliada. A percepção positiva foi de 25,1% no setor privado, contra 16,9% no setor público. Já a percepção negativa alcançou 37,2% para os serviços do SUS e 26,4% para os serviços particulares ou de planos de saúde.

Estes dados reforçam a necessidade de uma reestruturação que vá além da simples expansão de leitos, priorizando a formação e a capacitação de equipes especializadas, além de melhorias na infraestrutura e disponibilidade de recursos essenciais.

Acompanhe o RP News para mais informações sobre o panorama da saúde no Brasil e as iniciativas que visam melhorar a qualidade dos serviços prestados à população. Nosso compromisso é com a informação precisa e contextualizada, abordando temas de interesse público com profundidade e responsabilidade.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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