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Finanças

Após 5 anos tratando tendinite aguda, homem vira palhaço voluntário em hospital: ‘Não penso em parar’

O que começa como um momento de profunda vulnerabilidade pessoal pode, muitas vezes, transformar-se em uma missão de vida voltada para o bem coletivo. É essa a trajetória…

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Após 5 anos tratando tendinite aguda, homem vira palhaço voluntário em hospital: ‘Não penso em parar’
G1

O que começa como um momento de profunda vulnerabilidade pessoal pode, muitas vezes, transformar-se em uma missão de vida voltada para o bem coletivo. É essa a trajetória de Aldo Hayrton Dezan, morador de Votuporanga, no interior de São Paulo, que encontrou na arte da palhaçaria hospitalar um novo sentido para a própria existência após enfrentar um doloroso e longo processo de tratamento médico.

A história de transformação teve início em 2003, na capital paulista, onde Aldo levava uma rotina exaustiva de trabalho. Pressionado pelo ritmo acelerado da metrópole, ele começou a sentir dores intensas que culminaram no diagnóstico de tendinite aguda, uma inflamação severa que acomete os tendões e compromete estruturas fundamentais para a mobilidade humana. Foram cinco anos de exames frequentes, consultas médicas e muitas incertezas quanto ao futuro de sua saúde.

Da própria dor ao alívio do outro

Foi justamente durante esse período de convalescença e angústia que o destino apresentou a Aldo uma nova perspectiva. Sua irmã caçula, a atriz Daniela Dezan, coordenava um grupo de palhaços voltado para a realização de visitas voluntárias em hospitais públicos da região metropolitana de São Paulo. Ao acompanhar de perto a dedicação daqueles artistas, ele percebeu o impacto profundo que o humor e a sensibilidade podiam gerar em pacientes internados.

A experiência não apenas o acolheu emocionalmente, mas também o tornou muito mais sensível à realidade de quem enfrenta o ambiente hospitalar. Quando concluiu o tratamento de saúde, em 2008, Aldo decidiu retornar para Votuporanga, sua cidade natal, determinado a colocar em prática o aprendizado adquirido na capital. Pouco tempo depois, integrou-se a um grupo local dedicado a transformar a tensão dos leitos em instantes de leveza.

Profissionalização e impacto na região noroeste paulista

O que começou como uma iniciativa espontânea ganhou corpo e estrutura ao longo dos anos. Hoje, o projeto liderado por Aldo opera com o suporte da Lei de Incentivo à Cultura, contando com recursos federais destinados a cobrir despesas essenciais como figurinos, maquiagem e logística de deslocamento. Dessa forma, as instituições de saúde recebem as intervenções artísticas sem qualquer custo financeiro.

A atuação do grupo abrange centros de referência importantes, com destaque para o atendimento em Votuporanga e em São José do Rio Preto, cidade que abriga o Complexo Hospitalar Funfarme. Considerada uma das maiores redes de saúde do país, a instituição presta assistência a mais de 1,7 milhão de pessoas em todo o noroeste paulista, tornando-se um cenário crucial para ações de humanização hospitalar.

A técnica por trás do riso

A atuação dos voluntários passa longe da improvisação rasa. O grupo é formado por artistas capacitados que realizam pesquisas contínuas, ensaios regulares e o aperfeiçoamento técnico da chamada linguagem do palhaço. Utilizando música, pequenas mágicas, mímica e interações lúdicas, os artistas constroem uma ponte de comunicação que respeita rigorosamente os limites clínicos de cada paciente e as orientações das equipes médicas.

Além do trabalho nos hospitais, Aldo expandiu sua vocação social ao atuar como arteterapeuta, ministrando aulas e oficinas voltadas para crianças em situação de vulnerabilidade social. Para ele, o combustível que mantém a atividade viva após quase duas décadas é a convicção de que a sensibilidade artística é capaz de amenizar dores que os remédios, por si só, não alcançam.

Questionado se pretende diminuir o ritmo ou encerrar as atividades, a resposta de Aldo é categórica e reflete o compromisso de quem encontrou na solidariedade a sua verdadeira vocação. O palhaço segue firme na missão de levar afeto a quem mais precisa, provando que a empatia, quando colocada em prática, tem o poder de transformar tanto quem recebe quanto quem oferece o cuidado.

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Fonte: https://g1.globo.com

MATÉRIAS – APÓS O CONTEUDO – 03