Uma jornada de aproximadamente 9.227 quilômetros separa o noroeste paulista do continente africano, mas a distância geográfica tem sido encurtada por iniciativas de solidariedade internacional e inovação tecnológica. Um grupo de religiosos da região de São José do Rio Preto embarcou rumo à cidade de Bunda, na Tanzânia, para uma missão humanitária de grande impacto social. A ação não apenas entrega suprimentos e mantimentos essenciais a um orfanato local, mas também introduz uma tecnologia médica avançada desenvolvida no interior paulista para devolver a autonomia visual a crianças em situação de vulnerabilidade extrema.
Inovação tecnológica e inclusão na Tanzânia
O principal destaque da missão é a entrega de um par de óculos tecnológicos de alta precisão, avaliado em mais de R$ 19,9 mil, destinado especialmente a menores que enfrentam quadros severos de baixa visão. Entre os acolhidos pela instituição mantida por religiosos na Tanzânia, 16 são crianças albinas. Além da deficiência visual inerente à condição genética do albinismo, essa parcela da população sofre com a forte incidência solar da região leste da África e lida historicamente com barreiras sociais, estigmas e episódios de perseguição decorrentes de crenças locais.
O equipamento inovador foi idealizado pelo médico oftalmologista Marcelo Pádua, morador de Rio Preto, que dedicou seis anos ao desenvolvimento do projeto. O dispositivo utiliza um sistema de câmeras integrado que captura imagens do ambiente e as projeta, em tempo real, em uma tela virtual de mais de 100 polegadas posicionada diante dos olhos do usuário. Com essa ampliação eletrônica, a proposta é potencializar a visão residual dos pacientes, permitindo que recuperem a capacidade de leitura, o reconhecimento facial e a realização de tarefas cotidianas com maior independência.
Conexão entre o interior paulista e a África Oriental
A parceria que viabilizou a viagem começou a ser desenhada quando o Frei Afonso buscou o oftalmologista para conhecer o dispositivo, após uma recomendação médica voltada a ações voluntárias na Amazônia. Sensibilizado com o potencial transformador do aparelho, o grupo religioso avaliou a viabilidade de transportá-lo até o continente africano para testá-lo diretamente com o público infantil atendido pelo orfanato, que abriga cerca de 80 crianças de zero a 16 anos.
A articulação envolve a Arquidiocese de Rio Preto em cooperação com o convento e a fraternidade de freis de Jaci, além da atuação de missionários da Fraternidade Missionária São Francisco de Assis na Providência de Deus. O padre Edvaldo Rio Calazans e a freira Hozana Alves de Souza lideram a viagem com o intuito de estabelecer uma ponte permanente de apoio e cooperação humanitária entre as comunidades do interior paulista e o território tanzaniano.
Desdobramentos e perspectivas para o projeto
Caso os testes iniciais com a tecnologia apresentem os resultados esperados junto aos beneficiados, a organização religiosa planeja estruturar campanhas de arrecadação para adquirir novas unidades do equipamento. A meta é ampliar o acesso à inovação para um número maior de pessoas que convivem com deficiências visuais severas em regiões de baixa renda na África Oriental.
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Fonte: https://g1.globo.com







