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Em carta aberta, instituições pedem adiamento de novo imposto para 2028

Um grupo expressivo de entidades representativas do setor produtivo brasileiro divulgou, nesta terça-feira (3), uma carta aberta direcionada ao poder público exigindo a postergação do início efetivo da…

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Em carta aberta, instituições pedem adiamento de novo imposto para 2028
Superintendência da Receita Federal, em Brasília. Marcelo Camargo / Agência Brasil

Um grupo expressivo de entidades representativas do setor produtivo brasileiro divulgou, nesta terça-feira (3), uma carta aberta direcionada ao poder público exigindo a postergação do início efetivo da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) para o ano de 2028. Pela proposta das instituições, o cronograma original — que prevê a vigência do tributo federal já em 2027 — deve ser flexibilizado para que todo o ano de seja dedicado exclusivamente a uma fase de testes operacionais.

A medida surge em um momento de intensa mobilização do empresariado nacional frente às mudanças estruturais trazidas pela recente Reforma Tributária do Consumo. As entidades alertam que, embora a intenção de modernizar a arrecadação seja legítima, o ritmo imposto pelo calendário oficial desconsidera a complexidade logística e tecnológica exigida para a adaptação de milhões de empresas em todo o território brasileiro.

Insegurança jurídica e lacunas no cronograma

No documento, os signatários destacam que a transição para o novo modelo carece de pilares fundamentais, como a previsibilidade e a segurança jurídica. Apenas a dois anos do marco inicial, o cenário econômico ainda convive com lacunas regulatórias que impedem um planejamento corporativo seguro e eficiente.

Um dos pontos mais críticos apontados pelas instituições reside na indefinição acerca do percentual ou do valor fixo da alíquota da CBS que vigorará a partir de 2027. Conforme o cronograma atual, a divulgação oficial dessa informação vital está prevista apenas para 15 de dezembro de 2026.

Essa janela temporal exígua deixaria às empresas pouco mais de duas semanas para mensurar o impacto econômico da nova carga tributária, renegociar contratos de longo prazo, revisar tabelas de preços ao consumidor e reestruturar seus softwares de gestão e faturamento.

Desafios tecnológicos e operacionais

Além da indefinição sobre as alíquotas, o setor produtivo manifesta profunda preocupação com a infraestrutura tecnológica do Estado. O sistema de apuração assistida, ferramenta indispensável para o recolhimento do IBS e da CBS, ainda não se encontra plenamente operacional.

Sem uma plataforma digital robusta e testada em larga escala, os contribuintes ficam impossibilitados de realizar simulações reais. Isso compromete drasticamente a curva de aprendizado fiscal e abre margem para falhas operacionais que podem gerar autuações indevidas e litígios judiciais logo nos primeiros meses de vigência da norma.

A exigência por um período de testes mais longo reflete o temor de que o afobamento regulatório resulte em inflação de curto prazo e desabastecimento em cadeias logísticas complexas, penalizando tanto o empresariado quanto o consumidor final.

Impactos na economia real e próximos passos

Especialistas em direito tributário apontam que a Reforma Tributária tem o potencial de simplificar o sistema a médio e longo prazo, mas o período de transição é o calcanhar de Aquiles do processo. A falta de diálogo fluido entre o fisco e os setores produtivos tende a acirrar os ânimos no Congresso Nacional.

A repercussão da carta aberta nas redes sociais e nos corredores de Brasília pressiona o governo federal e o parlamento a reavaliarem os prazos. A expectativa é de que debates intensos ocorram nas próximas semanas para definir se haverá flexibilização nas exigências legais.

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Fonte: https://jovempan.com.br