Por Matheus Pappi
Toda vez que alguém fala em imposto para bebidas alcoólicas,
meu coração até treme. Eu já imagino um político abrindo minha garrafa de
whisky e bebendo um gole antes de mim.
O assunto do momento nos grupos e perfis de apreciadores do
melhor amigo do homem é o polêmico “imposto do pecado”, nome popular do Imposto
Seletivo, criado pela Reforma Tributária e previsto para alcançar produtos
considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Entre eles estão as
bebidas alcoólicas.
E, como nesta coluna falo sobre whiskies, a pergunta que
realmente interessa é: o que isso muda para quem aprecia um bom single malt, um
blended Scotch, um Bourbon ou qualquer outra bebida alcoólica?
O Imposto Seletivo foi criado com uma função diferente da de
um imposto comum. Ele pretende encarecer determinados produtos para
desestimular o consumo. Como já aplicado na indústria do cigarro por exemplo. E
por isso “imposto do pecado”.
A lista inclui bebidas alcoólicas, refrigerantes, entre
outros produtos. No caso das bebidas, quanto maior o potencial de dano
associado ao consumo, maior deve ser a taxa de impostos.
Mas ainda não é o fim do mundo, porque o governo publicou a
Medida Provisória nº 1.399/2026 com as regras e alíquotas para a fase inicial
de 2027. A cobrança está prevista para começar em 2 de fevereiro de 2027.
Até lá as taxas não terão alterações.
E onde o whisky entra nessa história?
O whisky é uma bebida alcoólica e, por isso, está dentro do
grupo que poderá ser atingido pelo Imposto do pecado. Mas a nova taxa não será
a mesma para todas as garrafas.
Os whiskies importados ou até mesmos os nacionais, já
possuem estruturas de custo diferentes. O preço também muda conforme a origem,
o transporte, o câmbio, a margem do importador, a distribuição etc.
Hoje, um whisky importado, por exemplo, tem impostos
federais, ICMS, Imposto de Importação e outros custos ligados à sua entrada e
comercialização no país.
E nós consumidores como ficamos?
Quem compra uma garrafa ocasionalmente, talvez sofra menos.
Mas, no caso de rótulos mais caros, qualquer aumento no valor representa uma
grande diferença no valor e consumo.
Alguns deixaram de comprar garrafas mais caras, trocando
single malts por blendeds por exemplo, outros podem reduzir a frequência de
compra ou esperar promoções para adquirir uma garrafa especial.
Além do possível crescimento de rótulos falsificados ou
importados de maneiras ilegais. Um problema que vai além do preço. Uma garrafa
falsificada pode colocar a saúde do consumidor em risco e prejudicar empresas
que trabalham dentro da lei.
Então apreciar whiskies também será fazer escolhas
O whisky sempre foi uma bebida associada ao tempo, à
paciência e à escolha. Escolhemos a garrafa, o copo, e o momento certo para
beber. Com esse movimento, talvez tenhamos que escolher melhor nossa compra e
qual rótulo cabe no orçamento, ainda não sabemos exatamente o quanto impactará
este novo imposto e suas consequências.
Com isso o “imposto do pecado” pode até não fazer que nos
deixemos de comprar, degustar e apreciar nossos whiskies, mas uma coisa é
certa. Toda a vez que você for degustar aquele whisky comprado com muito
trabalho, lembre-se que alguém já bebeu um copo de sua bebida muito antes de
você comprá-la.







