A realização de grandes shows internacionais nas capitais brasileiras costuma mobilizar fãs de todo o país, que muitas vezes enfrentam longas distâncias e altos custos em busca de uma experiência única. No entanto, o sonho de ver o grupo sul-coreano BTS ao vivo se transformou em pesadelo para dezenas de admiradoras do interior paulista. Uma jovem de 18 anos viajou cerca de 440 quilômetros saindo de São José do Rio Preto com destino ao Estádio do Morumbis, em São Paulo, apenas para descobrir, já na porta do evento, que o ingresso prometido por uma agência de turismo não seria entregue.
O caso ocorreu no final de outubro, data que marcou uma das apresentações mais aguardadas da turnê do grupo no Brasil. O episódio escancara os riscos enfrentados por consumidores que confiam em pacotes fechados com agências especializadas em excursões para grandes espetáculos, setor que movimenta milhões de reais anualmente, mas que ainda carece de maior fiscalização e segurança jurídica.
Promessa de pacote completo e frustração na entrada do estádio
Nayane Spadini, que acompanha o trabalho do grupo há uma década, fechou contrato com a agência Let’s Go! Travel Maker em abril, investindo R$ 1,5 mil em um pacote que incluía o transporte rodoviário de ida e volta e o bilhete de entrada para o show. A expectativa era de uma viagem tranquila ao lado de outras pessoas que compartilhavam da mesma paixão musical.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela vítima, a orientação repassada pela empresa era de que a transferência dos ingressos virtuais ocorreria no próprio dia do evento, em uma janela entre 10h e 12h. Contudo, quando a excursão chegou ao entorno do estádio por volta das 12h30, nenhum código ou bilhete havia sido liberado aos passageiros.
Os monitores que acompanhavam o grupo relataram total falta de comunicação com o proprietário da agência, cujos telefones permaneciam desligados ou sem resposta. Cercados de incerteza e diante da iminência de perderem o espetáculo após uma viagem tão longa, os fãs se viram em uma situação de extrema vulnerabilidade emocional e financeira.
Gastos extras e impacto coletivo entre os passageiros
Para não perder a apresentação após dez anos de espera, Nayane precisou recorrer a alternativas de última hora. Ela desembolsou mais R$ 1 mil para adquirir uma nova entrada diretamente com outra pessoa na fila, totalizando um prejuízo financeiro de R$ 2,5 mil. Outros frequentadores que tentaram soluções informais na mesma situação relataram valores ainda mais exorbitantes cobrados por cambistas no local.
O problema não foi isolado. Cerca de 30 passageiros que estavam na mesma excursão foram diretamente afetados pela falha na prestação do serviço. Embora tenham sido orientados a solicitar o reembolso por canais digitais, nenhum valor havia sido devolvido aos clientes até o fechamento desta reportagem. A gravidade da situação levou a Polícia Civil de São José do Rio Preto a abrir uma investigação para apurar possíveis crimes de estelionato e violação das normas de proteção ao consumidor.
A falta de assistência se confirmou ainda no mesmo dia, quando a própria agência publicou um comunicado nas redes sociais cancelando a excursão programada para o dia seguinte, admitindo publicamente a incapacidade de entregar os bilhetes prometidos. O caso agora segue sob análise das autoridades competentes, enquanto os consumidores buscam reparação na justiça.
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Fonte: https://g1.globo.com







