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Finanças

Jovens inovam no agro para liderar sucessão familiar no interior de SP: ‘Continuar o legado’, diz neto

O cenário do agronegócio brasileiro passa por uma transformação silenciosa, mas profunda, impulsionada pela chegada de uma nova geração às propriedades rurais. No interior de São Paulo, especialmente…

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Jovens inovam no agro para liderar sucessão familiar no interior de SP: ‘Continuar o legado’, diz neto
G1

O cenário do agronegócio brasileiro passa por uma transformação silenciosa, mas profunda, impulsionada pela chegada de uma nova geração às propriedades rurais. No interior de São Paulo, especialmente nas regiões de Araçatuba e Rio Preto, jovens profissionais formados em universidades estão retornando ao campo não para repetir exatamente o que seus pais e avós faziam, mas para somar a tradição familiar a modernas ferramentas de gestão e produção.

Esse movimento de sucessão familiar tem sido fundamental para garantir a longevidade de negócios agrícolas que enfrentam novos desafios climáticos e econômicos. Longe de representar um rompimento com as raízes, a chegada desses jovens injeta inovação tecnológica nas lavouras, criando um elo sólido entre o conhecimento prático acumulado ao longo de décadas e as exigências do mercado contemporâneo.

Tecnologia e hidroponia contra as intempéries climáticas

Um exemplo claro dessa mudança ocorre no município de Guararapes, onde o engenheiro agrônomo Jhonata Yaji decidiu redirecionar sua trajetória profissional ainda durante a graduação na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Diante das perdas recorrentes na produção tradicional de alface — causadas principalmente por ondas de calor extremo e chuvas irregulares —, ele enxergou na ciência agronômica a solução para proteger o sustento da família.

A resposta veio com a implementação da hidroponia, um sistema de cultivo que dispensa o solo e alimenta os vegetais por meio de canaletas com água e nutrientes rigorosamente balanceados. Atualmente, a propriedade conta com dezenas de bancas hidropônicas que diversificam o portfólio com hortaliças como salsa, cebolinha, hortelã e diferentes tipos de alface, garantindo produtividade constante independentemente das oscilações do clima.

Para aprimorar os controles administrativos e operacionais dessa estrutura, o produtor recorreu ao suporte técnico especializado do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), por meio do programa ALI Rural. O acompanhamento contínuo dentro da propriedade tem auxiliado na ponte entre gerações, permitindo que a experiência dos agricultores mais velhos dialogue de forma harmônica com as novas diretrizes técnicas.

Tradição centenária e renovação na lavoura de sorgo

Enquanto em Guararapes a aposta é na horticultura tecnificada, em Araçatuba a sucessão rural alcança a terceira geração na família Sobrinho. A história agrícola do grupo começou com Antônio João Sobrinho, que dedicou mais de sessenta anos de sua vida ao trabalho na terra. O bastão foi passado para o filho Amauri e, agora, chega às mãos do neto Bruno Sobrinho, de 23 anos, também formado em agronomia.

A principal atividade da propriedade é o cultivo de sorgo, grão amplamente utilizado na fabricação de ração animal, na produção de silagem e na comercialização de sementes com cerealistas da região. Ao assumir a responsabilidade direta sobre etapas cruciais, como o gerenciamento da colheita, o jovem enfatiza que o principal motor de sua decisão foi a preservação dos laços familiares e do patrimônio moral construído pelos antepassados.

A convivência entre diferentes gerações, que em alguns setores econômicos gera conflitos de gestão, tem se mostrado um ponto forte nas propriedades do noroeste paulista. A chegada de novos conhecimentos teóricos não anula a sabedoria empírica acumulada pelos patriarcas, resultando em um modelo de administração compartilhada que traz segurança e tranquilidade para toda a família.

O impacto socioeconômico da permanência no campo

A valorização do campo pelas novas gerações tem um impacto direto na economia regional e na segurança alimentar. Com o envelhecimento da população rural em várias partes do país, a entrada de jovens capacitados evita o abandono de terras produtivas e assegura a continuidade da cadeia de suprimentos que abastece os centros urbanos.

Além disso, a introdução de práticas sustentáveis e de ferramentas de agricultura de precisão eleva a competitividade do pequeno e médio produtor. Essa sinergia entre o vigor da juventude e a resiliência histórica do campo demonstra que o agronegócio paulista continua a se reinventar, mantendo-se como um dos pilares mais dinâmicos da economia nacional.

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Fonte: https://g1.globo.com

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