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O apocalipse de dois trilhões

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The BRIEF

No dia 14 de outubro, a Anthropic, criadora do modelo de inteligência artificial Claude, surpreendeu o mercado financeiro com uma reunião fechada em sua sede em São Francisco. A empresa, liderada pelo CEO Dario Amodei, revelou suas ambições de abrir capital na Bolsa com uma avaliação superior a US$ 2 trilhões. Este valor é o dobro da avaliação alcançada durante o financiamento privado em maio, destacando a confiança da companhia em seu potencial de crescimento.

O impacto da maior estreia da história

A expectativa é que a Anthropic desbanque a SpaceX como a maior estreia da história. O plano é iniciar o roadshow no dia 9 de novembro e lançar as ações antes do feriado de Ação de Graças, em 26 de novembro. Segundo um investidor anjo, a oferta deve sair a US$ 1,8 trilhão, mas a expectativa é que o valor das ações chegue a US$ 2,4 trilhões assim que as negociações começarem. Grande parte desse otimismo se deve ao foco da empresa em clientes corporativos, consolidando sua imagem como ‘a adulta na sala’ no caótico universo da inteligência artificial.

Números impressionantes e a realidade contábil

Para convencer Wall Street, a Anthropic apresentou números impressionantes. A receita da empresa saltou de US$ 4,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026 para US$ 11,6 bilhões no segundo, e alcançou US$ 16,8 bilhões no terceiro. A margem operacional ajustada foi de 11%, com uma margem bruta de 85%, gerando US$ 1,70 em receita para cada dólar gasto com poder computacional. No entanto, a realidade contábil é menos glamourosa: em 2025, a empresa registrou um prejuízo líquido de US$ 42 bilhões, influenciado por baixas contábeis e um gasto de US$ 7,3 bilhões em infraestrutura.

Riscos catastróficos no horizonte

O prospecto do IPO da Anthropic não esconde os riscos associados ao avanço da inteligência artificial. A empresa alerta sobre a possibilidade de sua IA apresentar ‘riscos catastróficos ou existenciais para a humanidade’, incluindo a manipulação de dados e resistência a comandos humanos. Essa declaração, embora alarmante, demonstra uma coragem corporativa ao reconhecer publicamente os potenciais perigos de suas tecnologias.

O futuro da Anthropic será um teste crucial para o ecossistema de inteligência artificial. Se suas ações tiverem sucesso, isso abrirá espaço para que outras empresas, como a OpenAI, busquem avaliações igualmente altas. Caso contrário, trará desafios significativos para investidores e banqueiros do Vale do Silício. Para os presentes na reunião, um boné com a palavra ‘thinking’ foi um pequeno consolo — ou um lembrete, caso a IA decida tomar o controle antes do final do ano.

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Fonte: https://thebrief-newsletter.beehiiv.com

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