O Brasil enfrenta um desafio significativo no setor de saúde, com 37.719 pessoas aguardando na fila para transplantes de córnea, de acordo com dados recentes divulgados pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Este número representa um aumento de 15% em comparação a dezembro de 2025, quando 32.639 pacientes estavam na lista de espera. Esse crescimento reflete uma demanda que, apesar de ser atendida em números recordes, ainda não consegue acompanhar o ritmo das novas indicações médicas.
Aumento na demanda e desafios enfrentados
Embora o Brasil tenha atingido um marco histórico com 17.790 cirurgias de córnea realizadas no ano passado, conforme apontou o CBO, o sistema nacional de transplantes enfrenta um paradoxo. Apesar de operar próximo à autossuficiência teórica para o fluxo anual, a lista de espera continua a crescer rapidamente. Este fenômeno é impulsionado por diversos fatores, incluindo a falta de reajustes nos valores pagos pelos procedimentos e o impacto duradouro da pandemia de covid-19, que causou um acúmulo de pacientes.
O impacto da pandemia e os custos crescentes
A pandemia de covid-19 teve um efeito profundo no sistema de saúde brasileiro, com medidas sanitárias que suspenderam cirurgias eletivas para liberar leitos para casos de covid-19. Em 2020, apenas 7.349 transplantes de córnea foram realizados, o que representa quase metade do número registrado no ano anterior. Desde então, os números têm aumentado gradualmente, alcançando 17.790 cirurgias em 2025. No entanto, os bancos de olhos enfrentam dificuldades financeiras devido aos custos dos insumos, cotados em dólar, e ao aumento das exigências na produção e processamento das córneas.
Discrepâncias regionais e gestão das filas
O cenário de transplantes de córnea no Brasil é caracterizado por grandes discrepâncias regionais. O Ceará, por exemplo, é um modelo de eficiência, tendo realizado 1.371 transplantes em 2025, enquanto o Rio de Janeiro, com apenas 653 procedimentos, viu sua lista de espera crescer para 4.760 pessoas. Estados como São Paulo e Minas Gerais também enfrentam filas expressivas, mas conseguem manter uma relação mais equilibrada entre a quantidade de pacientes e os transplantes realizados.
Perfil dos pacientes e envelhecimento populacional
O perfil dos pacientes na fila para transplante de córnea revela tendências importantes. As mulheres representam 56% dos pacientes, e quase metade das pessoas na lista tem 65 anos ou mais, refletindo o envelhecimento da população e o aumento das doenças degenerativas da córnea. A fila infantojuvenil também merece atenção, com 753 crianças e adolescentes aguardando transplante, um aumento em relação aos 616 registrados em dezembro de 2025.
Panorama internacional e perspectivas futuras
Apesar dos desafios internos, o Brasil mantém uma boa avaliação no cenário internacional, com um desempenho comparável ao de países como Canadá e Austrália. Na América Latina, o país se destaca, superando nações como Argentina, Chile, Colômbia e México. O panorama dos transplantes de córnea está sendo amplamente debatido no 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, que ocorre em Salvador, destacando a importância de soluções inovadoras para reduzir as filas e melhorar a qualidade dos serviços prestados.
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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br