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Desconhecimento Alarmante: Um em cada quatro brasileiros ignora a prevenção do câncer

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© Paulo Pinto/Agência Brasil

Em um cenário onde o **câncer** se consolida como uma das principais causas de mortalidade no Brasil e no mundo, um dado recente acende um alerta urgente para a **saúde pública**: um em cada quatro brasileiros desconhece que a doença pode ser prevenida. A revelação chocante é um dos destaques do relatório “Mais Dados Mais Saúde – Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer”, lançado recentemente, que escancara a lacuna de conhecimento da população sobre **hábitos de vida saudáveis** e a importância da prevenção.

O estudo, pioneiro em abrangência nacional, não apenas quantifica essa falta de informação, mas também aprofunda como os brasileiros percebem e se relacionam com diversos **fatores de risco** associados à doença, como o **tabagismo**, o consumo de bebidas alcoólicas, a ingestão de **alimentos ultraprocessados** e o **sedentarismo**. Realizado pelas organizações Umane e Vital Strategies, com apoio do Instituto Devive e parceria técnica do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a pesquisa ouviu 6,5 mil pessoas em todas as unidades da federação, oferecendo um panorama robusto da percepção nacional.

Avanço da Doença e o Peso do Desconhecimento

Os números do Inca projetam um futuro desafiador: são estimados **781 mil casos novos de câncer por ano** no triênio 2026/2028. Esse volume representa um aumento de 10,9% em comparação ao período anterior, impulsionado, em grande parte, pelo envelhecimento da população e, crucialmente, pelos **hábitos de vida** da sociedade. A falta de conhecimento sobre **prevenção do câncer** se torna, nesse contexto, um obstáculo significativo para frear a escalada da doença, com consequências diretas para o sistema de saúde e para a qualidade de vida dos cidadãos.

Embora a percepção sobre alguns riscos, como o fumo e a exposição solar excessiva sem proteção, tenha melhorado – 90,5% dos adultos brasileiros sabem que fumar causa câncer –, outros fatores importantes permanecem subestimados. O **sedentarismo**, por exemplo, aparece nas últimas posições da lista de fatores de risco percebidos: menos da metade dos entrevistados (48,3%) associa a falta de atividade física ao desenvolvimento da doença. Essa disparidade indica que as **campanhas informativas** e as **políticas públicas** precisam de um direcionamento mais amplo e eficaz.

Desinformação sobre Alimentação e Outros Hábitos

A pesquisa revela que o desconhecimento se estende a elementos cruciais da dieta e do estilo de vida. O consumo de bebidas alcoólicas é apontado como fator de risco por apenas 71,3% dos brasileiros, enquanto alimentos embutidos (presunto, salsicha) e **ultraprocessados** (macarrão instantâneo, salgadinhos, sorvete) têm sua relação com o câncer reconhecida por 70,7% e 65,6% dos entrevistados, respectivamente. Esses percentuais, embora relevantes, ainda deixam uma parcela considerável da população alheia aos perigos que coloca em sua mesa diariamente.

A chefe da Divisão de Pesquisa Populacional do Inca, Luciana Grucci Moreira, destaca que a diferença na percepção está diretamente ligada à intensidade e abrangência das **políticas públicas** e campanhas informativas. Ela cita o exemplo do **tabagismo**: “Advertências em embalagens, impostos para elevar o preço do tabaco, ambientes restritos de fumo. Ou seja, um conjunto de políticas públicas e muita campanha informativa, de comunicação, que já foram desenvolvidas acerca do tabaco”, compara. Essa é uma pista clara de como replicar o sucesso em outras áreas da **prevenção do câncer**.

Omissões no Conhecimento e a Importância do Aleitamento Materno

Outro dado alarmante é o desconhecimento sobre o **aleitamento materno** como fator de proteção contra o **câncer de mama**. Quatro em cada dez entrevistados não tinham essa informação. “A mulher que amamenta tem uma proteção maior contra o câncer de mama quando comparada com aquela mulher que não tem oportunidade de amamentar”, explica a especialista, reforçando a necessidade de amplificar essa informação vital para a saúde feminina.

O sobrepeso e a **obesidade**, comprovados **fatores de risco** para diversos tipos de câncer, são reconhecidos como tal por apenas 54,1% da população. Baixa ingestão de frutas e verduras, consumo de bebidas adoçadas e o já mencionado **sedentarismo** também sofrem com a subestimação. A **carne vermelha**, por sua vez, é associada ao aumento do risco de câncer por menos de três em cada dez brasileiros (27,5%). Esses dados sublinham a dimensão do desafio em educar a população sobre escolhas que impactam diretamente sua saúde.

Além da Informação: Determinantes Sociais da Saúde

Luciana Grucci Moreira adverte que a **prevenção do câncer** vai além da simples disponibilização de informações. Para que a população faça melhores escolhas, é fundamental considerar **determinantes sociais da saúde** como **acesso ao alimento**, renda, preço dos alimentos e o impacto do marketing da indústria. “Não é só falar: ‘faça atividade física’. A rua em que a pessoa mora tem que estar iluminada, com segurança, para ela praticar exercício. A política pública tem esse papel de dar a opção de melhores escolhas para todos esses fatores”, argumenta.

Esse panorama evidencia que a batalha contra o câncer exige uma abordagem multifacetada, que combine **campanhas de conscientização** com investimentos em **políticas públicas** que promovam um ambiente propício à **saúde pública**. Isso inclui desde o incentivo à **alimentação saudável** e à **atividade física** até a regulamentação de produtos nocivos e a criação de infraestrutura segura para a prática de exercícios. A **prevenção** é, sem dúvida, o caminho mais eficaz e humano para reduzir o impacto devastador do câncer na vida dos brasileiros.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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