A percepção sobre o vírus sincicial respiratório (VSR), a bronquiolite e a dinâmica de imunização vem avançando de forma expressiva no país, segundo dados recentes de uma pesquisa realizada com gestantes em todas as regiões brasileiras. O levantamento aponta que a informação tem chegado com mais força aos consultórios e às famílias, embora ainda existam lacunas importantes sobre a segurança e a necessidade de proteção durante a gravidez.
Os dados, coletados pelo Instituto Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipsos-Ipec) a pedido da Pfizer, indicam um salto importante no conhecimento sobre a imunização durante a gestação. O crescimento mais notável foi registrado na conscientização de que é possível e seguro se vacinar contra a bronquiolite ainda durante o período gestacional, uma estratégia fundamental para transferir anticorpos e proteger o recém-nascido nos primeiros meses de vida.
Avanço na conscientização e diferenças regionais
A pesquisa ouviu 530 brasileiras com idades entre 18 e 45 anos. Desse total, 79% das entrevistadas apresentaram ao menos uma dúvida ou percepção equivocada sobre o tema, enquanto apenas 13% responderam corretamente a todas as afirmações avaliadas. No entanto, o comparativo temporal mostra que o percentual geral de gestantes que conhecem ou já ouviram falar sobre o vírus respiratório subiu de 58% para 70%.
Segundo a médica Adriana Ribeiro, os dados regionais revelam que a conscientização avançou tanto no Sudeste quanto no Norte e Centro-Oeste, mas com dinâmicas distintas. ‘No Sudeste, o destaque é o conhecimento sobre o vírus. Hoje, 74% das gestantes dizem conhecer ou já ter ouvido falar do VSR, o que representa um aumento expressivo em comparação ao cenário anterior’, pontua a especialista.
Já no Norte e Centro-Oeste, a percepção sobre a gravidade da doença deu um salto considerável. Metade das gestantes dessas regiões já reconhece que a bronquiolite pode ser severa para os bebês, o dobro do registrado em levantamentos passados. Apesar disso, os índices de desinformação ainda preocupam os profissionais de saúde: no Sudeste, 46% das mulheres ainda não sabem que existe prevenção disponível na rede pública.
O impacto da bronquiolite e o papel do pré-natal
As infecções por bronquiolite infantil estão entre as principais causas de internação hospitalar por doenças respiratórias em crianças menores de três anos. Surtos recorrentes, intensificados no período pós-pandemia de covid-19, acenderam o alerta entre autoridades sanitárias e famílias. A vacinação contra o VSR foi autorizada no país recentemente e incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS), tornando-se uma ferramenta indispensável de saúde pública.
A pesquisa mostrou que a bronquiolite é hoje a principal doença infectocontagiosa que preocupa as gestantes, citada por 60% das entrevistadas. Além disso, 72% afirmam saber da existência de um calendário vacinal específico para gestantes. Contudo, 25% ainda acreditam que devem seguir apenas o calendário regular de sua faixa etária, sem compreender que a imunização materna tem o duplo objetivo de proteger a gestante e transferir imunidade vital para o bebê.
A influência médica na adesão à vacina
O estudo reforça que o engajamento médico é o fator determinante para o sucesso da prevenção. O percentual de gestantes que afirmam ter recebido recomendação médica para se vacinar durante o acompanhamento subiu de 77% para 88%. Entre aquelas que receberam a orientação profissional, impressionantes 96% relatam que seguem ou pretendem seguir a indicação, demonstrando a confiança da população nas orientações obtidas durante o pré-natal.
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