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Cão resgatado de lixão em Itapetininga espera por adoção há 8 anos; especialistas alertam para os impactos da longa espera

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G1

Em Itapetininga, interior de São Paulo, a história de Capi, um cão que aguarda por um lar há longos oito anos, transcende o individual e se torna um símbolo pungente dos desafios enfrentados pelos **abrigos de animais** e da urgência da **adoção responsável**. Resgatado ainda filhote de um lixão desativado em 2018, ao lado de seus irmãos, Capi viu todos encontrarem famílias, enquanto ele permanece na União Internacional Protetora dos Animais (Uipa), marcando o tempo com a esperança de um novo capítulo. Sua espera prolongada acende um alerta sobre os profundos impactos psicológicos e comportamentais que a vida em abrigos, mesmo com todo o cuidado, pode ter no **bem-estar animal**.

A realidade de Capi e o cotidiano nos abrigos

Capi, hoje com cerca de oito anos, é descrito pela Uipa como um animal dócil, brincalhão e cheio de energia. Sua longevidade no abrigo o transformou em um verdadeiro mascote, um integrante da equipe, mas sua situação reflete uma realidade que se repete por todo o Brasil. Fernanda Nery, responsável pela Uipa de Itapetininga, compartilha a dor de ver animais aguardando por tanto tempo. Atualmente, a organização abriga cerca de 380 animais – 270 cães, 95 gatos e 15 de grande porte –, todos à espera de um lar. Este cenário não é exclusivo de Itapetininga; estimativas nacionais apontam para milhões de animais abandonados, sobrecarregando **abrigos de animais** e grupos de proteção, que muitas vezes operam com recursos limitados e dependem da solidariedade da comunidade.

O resgate de Capi e seus irmãos, em um lixão que estava sendo desativado, é um retrato cruel do **abandono de animais** nas grandes e pequenas cidades. Filhotes deixados em condições insalubres, correndo risco de vida, ilustram a irresponsabilidade de tutores e a falta de políticas públicas eficazes de controle populacional e **conscientização** sobre os direitos dos animais. A missão de entidades como a Uipa vai além do resgate; envolve a recuperação, a castração e a vacinação, preparando esses animais para uma nova chance, mas a etapa final – a adoção – é o elo que mais se fragiliza.

Impactos da longa espera no comportamento animal

A veterinária Juliana Sonoda, de Itapetininga, corrobora o que Fernanda Nery já observava na prática: viver por muitos anos em um abrigo pode, de fato, moldar o comportamento dos animais. Mesmo recebendo cuidados essenciais, a rotina de um abrigo, por mais dedicada que seja, não reproduz o ambiente de um lar familiar. “Alguns ficam mais tímidos, outros podem ficar mais ansiosos ou muito carentes. Isso acontece porque o ambiente do abrigo, mesmo com cuidado, não substitui o convívio constante de uma família”, explica Sonoda. A **saúde mental animal** é tão importante quanto a física, e a privação de um ambiente estável e o afeto de um tutor podem gerar estresse, insegurança e falta de estímulos adequados, afetando sua capacidade de adaptação em um novo lar.

A especialista também desmistifica preconceitos comuns, especialmente sobre a **adoção de cães idosos**. Muitas pessoas relutam em adotar animais mais velhos por acreditar que não se adaptarão ou que terão pouco tempo de vida. No entanto, cães idosos, como Capi, são plenamente capazes de aprender novas rotinas e formar laços profundos. Sua experiência de vida muitas vezes os torna mais calmos, já ensinados e extremamente gratos, desmentindo a ideia de que apenas filhotes podem oferecer a “experiência completa” de ter um pet.

O exemplo de Elvis: esperança que viraliza

Apesar dos desafios, histórias de sucesso como a de Elvis, outro cão que passou anos no mesmo abrigo da Uipa, acendem a chama da esperança. Adotado em junho do ano passado por Salma Valéria Oliveira de Camargo, de São Roque (SP), Elvis provou que a **adoção responsável** pode transformar vidas. Sua história ganhou força após um vídeo voluntário, produzido por um influenciador digital, viralizar nas redes sociais, alcançando mais de 250 mil visualizações em menos de 24 horas. Este episódio demonstra o poder da **causa animal** nas plataformas digitais, capaz de mobilizar a empatia e conectar animais necessitados a tutores em potencial.

A adaptação de Elvis em seu novo lar é um testemunho da resiliência animal. Salma relata que ele rapidamente se integrou à família, como se sempre tivesse pertencido àquele lugar. “Se ele morou em um abrigo, nem lembra. Parece que ele era meu já, não precisei ensinar nada. Ele é sempre bonzinho”, contou a nova tutora. Embora Elvis tenha demonstrado medos iniciais – de sair para passear, de tons de voz elevados, de vassouras, e de visitas – a paciência e a presença constante de Salma foram cruciais. Com o tempo, o cão começou a explorar, brincar e até desenvolver novos hábitos alimentares, provando que o carinho e a segurança de um lar podem curar feridas invisíveis e transformar comportamentos.

Para Salma, a gratidão dos animais adotados é inegável: “Parece que o Elvis sabe o que aconteceu com ele. Todos os dias eu tenho a sensação que ele fala [com o olhar]: ‘demorou, mas você chegou’, sabe?”. Sua experiência reforça a mensagem de que todo animal, independentemente da idade ou do tempo que passou em um abrigo, merece uma família para chamar de sua, ser cuidado e amado.

O apelo à adoção consciente e o apoio aos protetores

A história de Capi e Elvis é um convite à reflexão sobre o papel de cada um na **proteção animal**. A adoção não é um ato de caridade, mas de responsabilidade. É preciso preparo para oferecer amor, paciência e um ambiente seguro. Antes de adotar, é fundamental considerar a capacidade de oferecer os cuidados necessários por toda a vida do animal, incluindo alimentação, saúde, espaço e atenção. Adotar um cão ou gato é assumir um compromisso de longo prazo, que trará incontáveis alegrias, mas também exigirá dedicação e compreensão dos desafios que podem surgir, especialmente com animais que passaram por traumas ou longos períodos em abrigos.

Além da adoção, o apoio aos **abrigos de animais** é vital. Doações de ração, medicamentos, materiais de limpeza, trabalho voluntário e a divulgação de campanhas são formas concretas de ajudar. A Uipa de Itapetininga, assim como tantas outras organizações, depende da solidariedade para continuar seu trabalho essencial de resgate e cuidado. A história de Capi, que aguarda seu próprio “final feliz” há oito anos, é um lembrete de que há muitos outros animais em situações semelhantes, e cada gesto de amor e responsabilidade faz a diferença.

Acompanhe o RP News para se manter atualizado sobre temas relevantes e contextualizados, desde a **causa animal** a questões sociais e econômicas. Nosso compromisso é levar informação de qualidade, que provoque reflexão e inspire a ação em prol de uma sociedade mais justa e consciente.

Fonte: https://g1.globo.com

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