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Caso Benício: Polícia conclui erro médico e overdose de adrenalina na morte de menino em Manaus

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Benício

A Polícia Civil do Amazonas concluiu uma investigação complexa e dolorosa que chocou a capital do estado: a morte de Benício, um menino de apenas seis anos. As apurações apontam para um **erro médico grosseiro** e uma fatal **overdose de adrenalina** como causas diretas da tragédia ocorrida em um hospital particular de Manaus. Os resultados das investigações, divulgados neste domingo (3) pelo Fantástico, da TV Globo, detalham uma série de falhas que vão desde a prescrição equivocada de um medicamento de alta vigilância até omissões e tentativas de fraude, culminando em indiciamentos por homicídio.

Uma internação simples com desfecho trágico

O calvário da família de Benício começou em novembro do ano passado, quando a criança deu entrada no **Hospital Santa Júlia** com um quadro aparentemente leve: tosse seca, sem qualquer sinal de gravidade que justificasse um tratamento intensivo. Contudo, o que se seguiu foi uma sequência de eventos que culminaria na perda irreparável. A médica Juliana Brasil, responsável pelo atendimento, prescreveu adrenalina para aplicação intravenosa — um procedimento alarmante, visto que a adrenalina, embora um medicamento vital em casos de emergência, é de **alta vigilância** e, para condições como a de Benício, deveria ser administrada por inalação. A mãe do menino, Joyce Xavier de Carvalho, percebendo a estranheza do procedimento, questionou a técnica de enfermagem Raiza Bentes, afirmando que seu filho jamais havia recebido tal medicamento diretamente na veia.

A cadeia de irresponsabilidades e o descaso em questão

As investigações da polícia desvendaram um cenário de descaso durante o atendimento. Mensagens no celular da médica Juliana Brasil revelaram que ela estava trocando informações sobre venda de cosméticos e recebendo pagamentos via Pix enquanto Benício era atendido. Para a polícia, essa conduta demonstra uma **indiferença total** ao estado de saúde da criança, fator que pesou no indiciamento por **homicídio doloso com dolo eventual** – quando se assume o risco de matar. A situação se agravou com a tentativa da médica de manipular as evidências: ela apresentou à Justiça um vídeo alegando falha no sistema eletrônico do hospital, o que foi desmentido por perícia técnica. Mensagens em seu celular também indicam que ela teria oferecido dinheiro para que alguém gravasse um vídeo que sustentasse sua versão, caracterizando **fraude processual e falsidade ideológica**.

A técnica de enfermagem Raiza Bentes, com apenas sete meses de experiência na profissão, também foi indiciada por **homicídio doloso com dolo eventual**. Depoimentos de outras profissionais da equipe indicam que Raiza foi orientada a aplicar o medicamento por inalação, e um kit de nebulização chegou a ser preparado. No entanto, ela ignorou os **protocolos de segurança** e a **dupla checagem**, procedimento padrão para evitar erros na administração de medicamentos, e seguiu a prescrição equivocada da médica.

Falhas sistêmicas e a responsabilidade da instituição hospitalar

Minutos após a aplicação da adrenalina, Benício começou a passar mal, sendo transferido para a “sala vermelha” e, em seguida, para a UTI, onde veio a óbito cerca de 14 horas depois. Peritos policiais atestaram que o quadro era irreversível e que não houve erro na intubação ou na conduta da equipe da Unidade de Terapia Intensiva. A morte do menino foi, portanto, diretamente ligada à **overdose de adrenalina**.

A apuração policial não se limitou aos profissionais diretamente envolvidos no atendimento. Dois diretores do Hospital Santa Júlia foram indiciados por **homicídio culposo**. A investigação revelou que a unidade de saúde operava com **número insuficiente de enfermeiros** e, de forma ainda mais grave, **sem a presença de um farmacêutico** para conferir as prescrições médicas. A polícia concluiu que o hospital priorizava a **redução de custos** em detrimento da **segurança dos pacientes**, uma falha estrutural que amplia a discussão sobre a fiscalização e a qualidade dos serviços oferecidos por instituições de saúde particulares no Brasil.

A busca incessante por justiça e o impacto na família

Para a mãe de Benício, Joyce Xavier de Carvalho, a conclusão da investigação representa um passo importante na busca por **justiça**. Em entrevista ao Fantástico, ela expressou a necessidade de que “os responsáveis precisam ser punidos pelo que aconteceu, até mesmo para que outras crianças, outras famílias não venham passar o que a gente está passando”. A declaração de Joyce ressalta a dor irreparável da perda e a esperança de que o caso de seu filho sirva de alerta para a importância da **segurança do paciente** e da **responsabilidade médica** e institucional.

Desdobramentos legais e o futuro dos envolvidos

Com os indiciamentos, a médica Juliana Brasil e a técnica de enfermagem Raiza Bentes podem ser submetidas a **júri popular**, o que representa um importante desdobramento legal. A defesa de Juliana reiterou ao programa que o sistema de prescrição do hospital apresentava problemas e que houve falhas na intubação, minimizando a relevância das vendas de maquiagem, alegando que Benício não era mais sua responsabilidade naquele momento. Os advogados de Raiza informaram que ela está suspensa do exercício profissional e não pretende retornar à atividade. O Hospital Santa Júlia, por sua vez, informou que ainda não foi notificado oficialmente sobre o indiciamento de seus diretores, mas reafirmou seu compromisso com a **segurança dos pacientes**, uma declaração que agora será posta à prova diante das evidências e dos processos judiciais.

O caso Benício transcende a esfera jurídica e se estabelece como um símbolo da luta por **segurança do paciente** e **responsabilidade médica** em um contexto mais amplo da saúde brasileira. É um alerta contundente para a necessidade de fiscalização rigorosa, adesão a protocolos e investimentos adequados em recursos humanos e infraestrutura nos ambientes hospitalares, tanto públicos quanto privados. Acompanhe o RP News para aprofundamentos sobre este e outros temas relevantes que impactam a sociedade, garantindo informação de qualidade e contextualizada.

Fonte: https://jovempan.com.br

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