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Caso de adolescente esfaqueada em escola reforça discussão sobre o que crianças e jovens fazem longe dos olhos dos pais

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Quem conversa com seu filho na internet?

Caso de adolescente de 13 anos leva ANPD a fiscalizar o Discord e reforça discussão sobre o que crianças e jovens fazem longe dos olhos dos pais

A morte de uma adolescente de 13 anos levou a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) a abrir um processo de fiscalização contra o Discord para apurar as medidas adotadas pela plataforma na proteção de crianças e adolescentes.

O caso também chama atenção para uma realidade dentro das famílias: enquanto crianças e adolescentes passam parte do dia conectados, muitos pais desconhecem as plataformas que eles frequentam, com quem conversam e quais informações compartilham.

O Discord, por exemplo, permite a criação de servidores e comunidades nos quais usuários podem trocar mensagens, participar de chamadas de voz e vídeo e compartilhar arquivos. Parte dessas interações acontece em grupos fechados.

Para o advogado especialista em tecnologia Leon Fagiani, associado da Apeti e parceiro da UMA Educação, acompanhar apenas o tempo que o filho permanece diante do celular não é suficiente. Os pais também precisam conhecer os ambientes digitais frequentados por crianças e adolescentes e manter diálogo sobre o que acontece nesses espaços.

Na avaliação do advogado, a proibição pura e simples do celular ou de determinadas redes não substitui a educação para o uso da tecnologia.

Crianças e adolescentes precisam entender, de acordo com a idade, os riscos de compartilhar informações, imagens e dados pessoais, além dos cuidados necessários ao conversar com pessoas que conheceram pela internet.

A diferença de conhecimento entre gerações torna esse acompanhamento mais difícil. Enquanto os jovens rapidamente incorporam novos aplicativos, comunidades e formas de comunicação, muitos adultos conhecem apenas as redes sociais mais populares e podem nem saber quais plataformas fazem parte da rotina dos filhos.

Para Fagiani, os pais não precisam dominar cada aplicativo utilizado pelos filhos, mas precisam saber quais são, como funcionam e manter espaço para que crianças e adolescentes contem quando alguma situação desconfortável ou suspeita ocorrer.

A discussão inclui ainda cuidados com contatos feitos exclusivamente pela internet, envio de fotos, exposição de dados pessoais e encontros com pessoas conhecidas nas plataformas. A proposta é fazer com que a educação digital comece antes de um problema acontecer e faça parte das conversas entre pais e filhos.

Ppr: Henrique Fernandes

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