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Celebrando amizade e encontro de culturas, espetáculo ‘SHIMA-AÇU’ participa da Mostra Cênica Resistências

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Com criação e atuação de Liana Yuri; nascida em Santo André e descendente da população da Ilha de Okinawa, no Japão; e Milton Aires; natural de Ponta de Pedras, Ilha do Marajó, no Pará; o espetáculo SHIMA-AÇU é um dos destaques da Mostra Cênica Resistências nesta quinta, 14 de maio, em São José do Rio Preto.

A peça, dirigida por Daniel Viana, é um convite para histórias originárias dessas duas ilhas e dessa amizade que as conectam e faz sessão gratuita às 20h, na Sede Cênica, com retirada de ingresso 1h antes e acessibilidade em Libras.  

A proposta do próprio título do espetáculo SHIMA-AÇU simboliza essa união de culturas: SHIMA que significa “ilha” em japonês, e AÇU, que significa “grande” em tupi-guarani. Duas ilhas que parecem muito diferentes, distantes geograficamente (cada uma fica de um lado do mundo), mas que possuem, mesmo assim, muitas similaridades, como lendas e mitos de origem.

A ilha de Okinawa é uma das ilhas que compõem um arquipélago que fica ao sul do Japão. Antes da invasão de bases militares americanas na segunda guerra mundial, foi dominada pelo Japão e pela China.

Anteriormente, os habitantes eram o povo originário chamado Uchinaa (Utiná), que tinha sua própria cultura, celebrações, rituais e língua próprias, sendo o principal, o uchinaguchi. Hoje em dia, é considerado um povo indígena pela sua história de colonização e genocídio.

Os avós da atriz Liana Yuri Shimabukuro eram Uchinaas e falavam a língua uchunaaguchi. Descobriu isso quando recebeu, após o falecimento do seu avô, uma fita k7 com músicas cantadas e tocadas por ele em uma língua que ninguém conhecia. Depois, em conversas com outras pessoas, encontrou outras histórias e lendas daquele povo que lhe eram contadas quando criança.

A Ilha do Marajó é a maior do Brasil, fica no estado do Pará, no Norte do país. Habitada há pelo menos quatro mil anos pelos indígenas. As cerâmicas com os grafismos marajoaras estão diretamente relacionados com a história ancestral. Lá as ruas são igarapés onde o veículo é o barco ou a canoa.

O ator Milton Aires, nascido na cidade de Ponta de Pedras, na Ilha do Marajó, conta que sua família ainda vive da extração do açaí, no verão, e da pesca, no inverno. Seu avô, que foi um erveiro muito conhecido, se converteu em pastor de uma igreja evangélica, mas continuou por muito tempo ainda fazendo e recomendando garrafadas para curar os males do espírito.

“Da nossa amizade, convergem encontros indígenas Brasil/Japão. Histórias parecidas de povos originários que permanecem no tempo (e que teimam em não morrer). Onde a memória viva se estabelece? É principalmente no cotidiano das coisas, das conversas simples do dia a dia: na comida afetiva das nossas avós, nos ditos populares, nos nossos afazeres da casa, em como nos movemos, em como agachamos, nas memórias do corpo, de uma experiência que sempre esteve lá. Uma memória que vamos percebendo quando vamos contando histórias. Uma memória da saudade”, refletem.

A peça propõe uma reflexão sobre a importância de preservar e compartilhar essas histórias, utilizando uma linguagem poética e a imaginação para preencher as lacunas da memória. Através da fabulação, a peça cria um universo poético onde o público pode se conectar com suas próprias histórias.

O espetáculo é sobre amizade e encontro de culturas. Mais do que mostrar as diferenças, é um desejo de compartilhar histórias que são comuns a todos nós. De uma história de uma devastação cultural que vai acontecendo quando as narrativas opressoras vão tomando conta e ceifando a diversidade de culturas. “Vamos descobrindo que não temos uma memória por falta de registros ou porque não deram importância? Não temos registros por causa de questões ambientais (porque o mofo tomou conta ou porque a água os levou)? Ou mesmo porque houve uma devastação e colonização de todo um povo, levando ao esquecimento? O fazer cotidiano nos faz perceber o quanto das ilhas ainda temos em nós. Podemos não ser mais considerados do lugar, mas, quando retornarmos, algo familiar nos remete ao que éramos, ou o que nunca deixamos de ser.”

Mais programação

Na mesma data, a Mostra Cênica Resistências também tem Migalhas e Misérias em Mi Menor, da Cia Arte das Águas (Ibirá), que faz ensaio aberto com audiodescrição na praça ao lado do Instituto dos Cegos, e Joana e o Pé de Batata Doce (do coletivo SINA, de Rio Preto), em Nova Granada, além de oficina e ponto de encontro com várias atrações. Todas as atividades são gratuitas

Sobre a mostra

Criada e produzida pelo coletivo teatral rio-pretense Cênica desde 2014, a Mostra Cênica Resistências neste ano se constrói sob o encontro e a ideia de que resistir é também tecer caminhos coletivos. Esta 7ª edição é realizada por meio do Edital Fomento CultSP PNAB nº 39/2024 – Fomento à Economia Criativa, com apoio do British Council, Sesc Rio Preto, Sesi, Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de São José do Rio Preto (SSPM), Centro Cultural Vasco e Prefeitura Municipal de São José do Rio Preto por meio da Secretaria de Cultura.

A mostra segue até dia 16, sábado, com um total de 14 espetáculos, que contemplam teatro adulto e para crianças, dança, circo e uma obra em realidade virtual, além de atividades formativas e ponto de encontro, ocupando nove espaços de São José do Rio Preto. As atividades também chegam a Bady Bassitt, Ibirá, Mirassolândia e Nova Granada. Toda a programação é gratuita.  

7ª MOSTRA CÊNICA RESISTÊNCIAS

12 a 16 de maio de 2026 – São José do Rio Preto e região

Programação completa: https://cenica.com.br

Gratuito

Programação de quinta, dia 14

9h – Ensaio aberto | Teatro: Migalhas e Misérias em Mi Menor

Cia Arte das Águas (Ibirá, SP)

Praça dos Escritores – Instituto dos Cegos | 80 min | Livre | Grátis – sem retirada de ingresso | Audiodescrição aberta

Sinopse: Cinco palhaços à margem da sorte tentam erguer um espetáculo inspirado no universo de Tião Carreiro e Pardinho. Entre modas de viola e a espera por um patrocínio fantasma, o grupo se depara com um patriarcado cujo saudosismo tenta esconder. Uma farsa poética e visceral que reinventa raízes brasileiras e sugere que, no palco da sobrevivência, a verdade aparece quando a mentira se despe.

10h – Teatro: Joana e o Pé de Batata Doce

Coletivo SINA (São José do Rio Preto, SP)

Nova Granada – Projeto Social Espaço Amigo | 50 min | Livre | Grátis

Sinopse: O espetáculo teatral “Joana e o pé de batata-doce” é uma reimaginação do clássico “João e o pé de feijão”. Nessa versão, a protagonista é Joana, uma jovem curiosa e conectada com suas “raízes” familiares. Em vez de plantar feijões mágicos, Joana e seu amigo Tomé plantam uma batata-doce mágica, que, ao crescer para baixo, abre caminho para um mundo subterrâneo repleto de desafios, aventuras e descobertas. Para se livrar das regras subterrâneas de uma Monstrona bastante exigente, Joana precisará comprovar que é amiga da natureza.

15h – Oficina: Prepara para Ball – Introdução ao Runway

Warley Noua – Imperatriz Noua Mamba Negra (São Paulo, SP)

Casa Nuvem | 120 min | Livre | Grátis – não precisa de inscrição

Sinopse: Nesta oficina de introdução ao runway, Warley Noua convida o público a explorar a força, a presença e a expressão do corpo em movimento. A partir de práticas inspiradas na cultura ballroom, os participantes desenvolvem consciência corporal, atitude e confiança para transformar o caminhar em performance. Mais do que técnica, a proposta é um mergulho em processos de autodescoberta e empoderamento, onde cada corpo encontra sua própria forma de ocupar a passarela com verdade e estilo.

20h – Teatro: SHIMA-AÇU

Liana Yuri e Milton Aires | Produtora YURIGAMI (Santo André, SP e Ponta de Pedras, PA)

Sede Cênica | 80 min | Livre | Grátis – retirada de ingresso no local 1h antes | Acessibilidade em Libras

Sinopse: O espetáculo SHIMA-AÇU celebra o encontro entre duas ilhas e suas culturas: a Ilha de Okinawa, no Japão, e a Ilha do Marajó, no Pará. Inspirado pela amizade entre artistas desses dois territórios, o trabalho cria uma ponte poética entre tradições, memórias e saberes. “Shima”, palavra japonesa que significa ilha, e “Açu”, termo tupi-guarani que quer dizer grande, unem-se para formar um território de criação em homenagem às raízes e às águas que, ao mesmo tempo, nos separam e nos conectam.

CONTRAMÃO BAR CULTURAL

A partir das 21h | Clube do Lago | 18 anos | Grátis

Feira de Economia Criativa

Exposição de artesanatos, produtos naturais, comidas gourmet e biojoias, reunindo uma diversidade de espaços e empreendedores independentes da cidade, fortalecendo a economia local, incentivando a circularidade do consumo e promovendo a comunicação e o vínculo entre pessoas diversas.

Intervenção –Resistir é Tecer Caminhos Coletivos

Arteir@s pela Democracia (São José do Rio Preto, SP)

Sinopse: Arteir@s pela Democracia é um coletivo de mulheres que faz arte denúncia, tendo como pautas a valorização da arte que há no artesanato, a luta pelo fim da violência contra a mulher e a reivindicação de espaços permanentes de trabalho e de comercialização. Nesta intervenção, o público recebe um convite ao questionamento e à desconstrução de desigualdades e paradigmas socialmente construídos, movendo as barreiras geracionais, de gênero e de poder em nosso contexto comum.

Show musical –Magia Negra (São José do Rio Preto, SP)

Sinopse: O show autoral da dupla Magia Negra é uma experiência que transcende as paredes sociais, unindo a música, a ancestralidade, a celebração e a resistência em um só encontro. Neste formato, o espetáculo de MPB – Música Preta Brasileira e R&Bixa trata com naturalidade as relações, os afetos e atravessamentos humanos de nosso contexto comum, questionando estruturas pré-estabelecidas, dançando o afeto e festejando a vida em suas múltiplas formas de ser e pertencer, exaltando a comunidade LGBTQIAPN+, artistas, cantores e a cultura negra de maneira geral.

Ballroom –Ball da GAL: Cunt Confessions

GAL – Grupo de Apoio à Loucura (São José do Rio Preto e São Paulo, SP)

Chanter: Overseer Núbia Candace | DJ: Uyara Avalanx | Júri: Imperatriz Noua Mamba Negra, Carla Mendes e Azulla. Produção: Murilo Gussi

Sinopse: Uma noite de celebração da cultura ballroom, reunindo expressão, potência e resistência. A Ball contará com chanter e DJ convidadas de São Paulo, conduzindo o fluxo das categorias e a energia da pista.

DJ Zéh (São José do Rio Preto, SP)

Sinopse: No comando das caixas de som, DJ Zéh encerra em festa, glamour e alegria a noite de quinta-feira, com musicalidades que vão de Brasilidades ao Pop Universal a pista ferve em clima de despedida da nossa segunda e grandiosa noite de bar.  

Fonte: Assessoria de Imprensa

Foto: Divulgação

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