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Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro celebra 10 anos como legado dos Jogos Rio 2016

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© William Lucas/CPB/Direitos Reservados

Há exatamente uma década, em 23 de maio de 2016, o Brasil inaugurava uma de suas mais impressionantes e transformadoras infraestruturas esportivas: o **Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (CTPB)**. Erguido na Rodovia dos Imigrantes, zona sul de São Paulo, o complexo não é apenas um marco arquitetônico, mas um poderoso **legado dos Jogos Paralímpicos Rio 2016**, redefinindo o futuro do **esporte paralímpico** nacional. Sua história, contudo, remonta a um passado complexo, substituindo a antiga unidade da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) – hoje **Fundação Casa** – por um polo de excelência e inclusão.

A construção do CTPB, que durou dois anos e meio, representou um investimento de R$ 305 milhões, com aporte significativo do Ministério do Esporte e do governo de São Paulo. Mas o valor deste empreendimento transcende os números. Ele materializou um sonho antigo para atletas e dirigentes, que antes enfrentavam uma realidade de improvisos e dificuldades. “As modalidades paralímpicas, como basquete em cadeira de rodas, atletismo e natação, usavam instalações que não eram exclusivamente para o esporte paralímpico. Tínhamos que bater na porta e [pedir para] dividirmos o espaço. E nem pegávamos os melhores horários”, recordou Yohansson Nascimento, vice-presidente do **Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB)** e detentor de seis **medalhas paralímpicas**, em entrevista. A expectativa gerada pelos **Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016** no Rio de Janeiro impulsionou a criação dessa “mega estrutura”, conforme ele descreveu, que se tornou a “realização de um sonho”.

Um Oásis de Alto Rendimento e Inclusão

O Centro Paralímpico foi projetado para ser um ambiente completo, capaz de atender a diversas modalidades com excelência. Suas instalações incluem quadras para tênis em cadeira de rodas, basquete em cadeira de rodas, vôlei sentado, goalball (um esporte exclusivo para atletas com deficiência visual), futebol de cegos e futebol de paralisados cerebrais (PC), além de uma arena multiuso que comporta diversas competições. Complementam a estrutura espaços dedicados à esgrima em cadeira de rodas, judô, taekwondo, bocha e tênis de mesa. Para os esportes aquáticos e de pista, o complexo conta com piscinas olímpica e semiolímpica, além de pistas de atletismo externa e interna, essenciais para o **treinamento de ponta**. O residencial para cerca de 300 pessoas garante a atletas de todo o país condições ideais de hospedagem durante os períodos de concentração e treinamento.

Essa infraestrutura dedicada não apenas otimiza a preparação dos atletas, mas também promove um ambiente de **inclusão** e pertencimento. A vivência no CTPB, com acesso a equipamentos de última geração e uma equipe multidisciplinar, eleva o patamar do **esporte adaptado**, permitindo que os atletas se dediquem integralmente à sua performance sem as barreiras anteriormente impostas pela falta de espaços adequados. A gestão do espaço pelo CPB, que venceu uma concorrência pública em 2017 e renovou o acordo por mais 35 anos em 2024, demonstra o compromisso de longo prazo com o desenvolvimento paralímpico, inclusive com a transferência do centro administrativo da entidade de Brasília para São Paulo, reforçando a centralidade do CT.

O Impacto nos Pódios e na Formação de Talentos

Os resultados do investimento no CTPB são inegáveis e se refletem diretamente no quadro de medalhas do Brasil nas **Paralimpíadas**. Em Tóquio 2021, a primeira edição dos Jogos em que os atletas tiveram o ciclo completo de preparação com a estrutura do Centro, o Brasil igualou as 72 medalhas da Rio 2016, mas com um salto qualitativo impressionante: 22 ouros, oito a mais que na edição anterior. O sucesso continuou em Paris 2024, onde o país alcançou um desempenho ainda mais notável, conquistando 25 medalhas douradas e um total de 88 pódios, consolidando a **ascensão do Brasil** como uma **potência paralímpica** global.

Essa evolução levou o Brasil a patamares históricos. Após um oitavo lugar no Rio de Janeiro, subiu para o sétimo em Tóquio e, de forma inédita, alcançou o top-5 no quadro de medalhas em Paris 2024. O ano de 2023 também marcou a história, com o país terminando o Campeonato Mundial de atletismo na liderança, superando a China, reconhecida como a maior força do **esporte paralímpico** mundial. Yohansson Nascimento traça um paralelo com a Fórmula 1 para explicar a abrangência do impacto do CT: “Lá, o que é desenvolvido será replicado na indústria automobilística, da mesma forma que aqui no CT. Não somente na parte esportiva. Por exemplo, as próteses. Os atletas utilizam [para treinar e competir] as melhores próteses, os melhores joelhos. E isso, depois, é replicado para toda uma comunidade de **pessoas com deficiência**”, ressalta, evidenciando o efeito multiplicador da tecnologia e inovação desenvolvidas no ambiente de **alto rendimento**.

Além da Performance: Iniciação e Carreira

Originalmente focado no **alto rendimento**, o CTPB expandiu sua missão ao longo dos anos, transformando-se em um **polo de formação de atletas** através da **Escola Paralímpica de Esportes**. Iniciado em 2018 e atualmente replicado em diversos centros de referência pelo país, o projeto oferece iniciação gratuita em modalidades adaptadas para jovens de 7 a 17 anos com deficiências física, visual e intelectual. A história de Alessandra Oliveira é um testemunho vivo desse impacto. Diagnosticada com vasculite e com amputações em membros superiores e inferiores devido a uma reação vacinal, ela mal sabia nadar quando ingressou na escolinha. Hoje, aos 18 anos, a paulista é campeã mundial dos 100 metros nado peito da classe SB4, um exemplo do potencial que o CT ajuda a desabrochar.

A influência do CTPB vai além dos atletas. Pessoas como Viviane Monteiro, deficiente auditiva e funcionária do setor de faturamento, encontraram no Centro um ambiente de acolhimento e desenvolvimento profissional. “Eu vim de uma área financeira. Conheci o Centro Paralímpico através da internet. Fiquei sabendo que iria inaugurar, mandei currículo e fui chamada. Aqui é acolhedor para **pessoas com deficiência** e sou muito grata por estar até hoje, vendo essa mudança, os atletas sempre engajados, motivados”, contou Viviane à EBC. Sua experiência ressalta como o CTPB se tornou um motor de **inclusão social e profissional**, não apenas para os que competem, mas para todos que fazem parte da engrenagem desse grande projeto. O legado de 10 anos do Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro é, portanto, uma narrativa de superação, excelência e transformação contínua, que molda o presente e o futuro do Brasil no cenário global.

O CTPB se consolida como um pilar fundamental para o **esporte paralímpico** brasileiro, demonstrando que investimentos em infraestrutura e programas de desenvolvimento geram um retorno social e esportivo inestimável. Seu papel na formação de novas gerações de atletas e na promoção da **inclusão** é um farol de esperança e inspiração para milhões. Para continuar acompanhando as histórias de superação, os avanços do **esporte paralímpico** e outros temas relevantes que impactam a sociedade, mantenha-se conectado ao RP News. Nosso compromisso é trazer sempre informação de qualidade, contextualizada e que realmente importa para você.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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