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Cesárea aumenta risco de câncer de placenta após mola gestacional

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© Tomaz Silva/Agência Brasil

Um estudo recente liderado por pesquisadores da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) revelou um dado alarmante: pessoas submetidas a cesarianas têm 45% mais risco de desenvolver neoplasia trofoblástica gestacional, um tipo raro de câncer originado de células da placenta. Este tipo de neoplasia é uma consequência grave de uma condição chamada mola gestacional, que ocorre quando a fertilização anormal entre óvulo e espermatozoide resulta em uma estrutura placentária anômala. Dependendo da situação, pode haver ausência de feto ou presença de um feto inviável.

Relevância do estudo e repercussão

A pesquisa ganha relevância especial no Brasil, um dos países com as maiores taxas de cesárea no mundo. Enquanto a Organização Mundial da Saúde recomenda que apenas 15% dos partos sejam realizados por via cirúrgica, no Brasil essa taxa chega a 55%. Este cenário torna os resultados do estudo particularmente significativos, pois alertam para um risco adicional associado a uma prática já amplamente difundida.

Antecedentes e metodologia da pesquisa

A ideia de investigar a relação entre cesáreas e câncer de placenta surgiu após a publicação de um estudo similar na Coreia do Sul, que, no entanto, contou com um número reduzido de participantes. Aproveitando a infraestrutura da Maternidade Escola da UFRJ, que possui um dos maiores centros de pesquisa e atendimento de mola gestacional do mundo, os pesquisadores brasileiros puderam analisar uma amostra mais robusta. O estudo foi realizado em parceria com o Centro de Doença Trofoblástica da Nova Inglaterra, ligado à Universidade de Harvard, analisando dados de 2.904 pacientes entre 2002 e 2022.

Resultados e hipóteses

Entre as pacientes analisadas, 26,5% das que haviam passado por cesariana desenvolveram o câncer, comparado a 20,8% daquelas sem histórico de cirurgia. Os pesquisadores apontam que o corte no útero pode desregular o sistema imunológico, além de causar fibrose e remodelamento dos vasos sanguíneos. Essas alterações poderiam facilitar a invasão das células da mola no útero, aumentando o risco de neoplasia.

Implicações para a saúde pública

O coordenador do ambulatório de doenças trofoblásticas da UFRJ, Antônio Braga, enfatiza que os achados do estudo devem ser considerados no contexto das políticas de saúde pública. Reduzir a taxa de cesarianas para níveis mais próximos do recomendado pela OMS poderia evitar cerca de 177 casos de câncer por ano no Brasil. Além disso, é crucial que as cesáreas sejam indicadas de forma consciente, pesando os benefícios e riscos para cada caso individual.

Conclusão e próximos passos

O estudo reforça a necessidade de uma avaliação criteriosa na indicação de cesarianas, destacando os riscos potenciais de longo prazo associados ao procedimento. Os pesquisadores esperam que esses dados contribuam para um debate mais amplo sobre práticas obstétricas no Brasil, incentivando políticas que priorizem a saúde da mulher e do bebê. Para continuar informado sobre temas relevantes e atualizações sobre este e outros assuntos, acompanhe o RP News, que se compromete a trazer conteúdos de qualidade e relevância.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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