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China Expande Mercados Após Tarifas Americanas, Alarmando Países com “Enxurrada” de Produtos

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  • REUTERS/Dado Ruvic/ilustração gerada por IA

Empresas chinesas buscam alternativas globais após aumento das tarifas americanas sobre importações. Derek Wang, fabricante de utensílios de cozinha em Guangdong, relata sucesso ao encontrar novos compradores no Brasil, Japão, Malásia e Camboja, após a interrupção de encomendas dos EUA. A experiência o ensinou a importância dos mercados próximos.

Histórias como a de Wang são comuns na China, com empresas buscando preencher o vazio deixado pelas tarifas que prejudicaram as exportações para os EUA. O resultado é um aumento das exportações para outros mercados, aproveitando a presença econômica global da China.

Este cenário fortalece a posição de Pequim em negociações, mesmo com a recente trégua que reduz as tarifas sobre produtos chineses para 20%. No entanto, essa ofensiva exportadora preocupa governos globais devido ao superávit comercial chinês de quase US$ 1 trilhão no ano passado, fator que desencadeou a guerra comercial.

Dados recentes indicam uma contração inesperada de pouco mais de 1% nas exportações em outubro, a primeira queda desde fevereiro. A capacidade da China de manter as exportações globais, e expandir novamente para os EUA após a trégua, é crucial para sua economia.

A mudança nos fluxos de exportação tem sido drástica. As exportações para os EUA caíram quase 18% nos primeiros dez meses do ano, enquanto aumentaram mais de 7% para a União Europeia, 14% para a ASEAN e 26% para a África. No geral, as exportações cresceram 5,3%.

O comércio no Sudeste Asiático é impulsionado por máquinas-ferramenta, peças automotivas e componentes de computador. Na África, máquinas de construção e tecnologias verdes são importantes. A América Latina vê crescimento em veículos elétricos, fertilizantes químicos e eletrônicos.

A China é uma superpotência manufatureira com domínio em tecnologias verdes, como veículos elétricos e painéis solares. Alguns desses produtos já enfrentam altas tarifas nos EUA, levando os exportadores chineses a expandir o comércio com mercados em desenvolvimento.

A resiliência comercial da China gera receios de que uma enxurrada de produtos chineses prejudique as indústrias nacionais. Países têm retaliado com investigações sobre produtos chineses. EUA, Índia, México e Brasil instauraram 79 processos antidumping contra produtos chineses no primeiro semestre do ano.

Há apelos por maior investimento local, transferência de conhecimento e um comércio mais equilibrado. Para alguns países da América Latina, a desindustrialização é um problema quando empresas chinesas apenas montam produtos, sem transferência de tecnologia.

No Sudeste Asiático, o aumento do fluxo de mercadorias também preocupa. Pequenas e médias empresas estão usando componentes chineses de alta qualidade para tornar seus produtos mais competitivos.

Pequim nega que seus produtos estejam inundando os mercados e se apresenta como um parceiro comercial confiável, prometendo abrir seu mercado para exportadores e investidores.

Apesar da resiliência, fabricantes na China têm dificuldades para preencher a lacuna deixada pela queda nas exportações para os EUA. Fábricas relatam cancelamentos de turnos, licenças compulsórias e perda de empregos. Uma costureira da província de Jiangxi relata que políticas tarifárias americanas imprevisíveis causaram um “impacto grave e irreversível a longo prazo”.

Analistas questionam se os dados comerciais refletem uma demanda real ou uma estratégia de curto prazo para estocar ou enviar produtos aos EUA via terceiros países com tarifas mais baixas. Uma análise sugere que parte do comércio chinês desviado dos EUA ainda acaba lá, mas a demanda final por todas as exportações destinadas ao Sul Global pode não permanecer nesses países. As margens dos exportadores chineses estão sendo comprimidas, mantendo altos volumes ao reduzir os preços.

A trégua entre China e EUA mantém tarifas sobre produtos chineses em cerca de 47%, mas pode resultar em mais negócios americanos. A China foca em expandir a quantidade de produtos fabricados internamente que os consumidores do país compram. Wang, o fabricante de utensílios de cozinha, direciona mais negócios para o mercado interno chinês.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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