Em meio a um cenário político conturbado no Brasil, onde escândalos e disputas pessoais dominam o debate público, temas estratégicos essenciais para o futuro do país, como a ciência e a transição energética, permanecem à margem das discussões eleitorais. Francilene Garcia, presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), alertou sobre esta lacuna em entrevista à Agência Brasil, destacando que a ciência, vital para o desenvolvimento e segurança nacional, não tem recebido a atenção necessária nas campanhas.
A importância da ciência na agenda eleitoral
Para Francilene Garcia, doutora em engenharia elétrica e pesquisadora da Universidade Federal de Campina Grande, a ausência de temas científicos no debate eleitoral é um reflexo de uma falsa dicotomia imposta à sociedade: escolher entre a integridade das instituições e o planejamento do futuro do país. No entanto, ela argumenta que ambas as questões são partes de uma mesma agenda essencial para o Brasil. A presidente da SBPC destacou que a ciência depende de regras estáveis, orçamento previsível e atenção contínua, especialmente à luz de possíveis novas crises sanitárias.
Desafios e repercussões da marginalização da ciência
Historicamente, a ciência tem ficado à margem do debate eleitoral brasileiro, salvo em momentos de crise aguda, como a pandemia de covid-19 em 2020. Francilene mencionou que eventos climáticos extremos, como inundações no Rio Grande do Sul e secas no Norte e Nordeste, trouxeram temporariamente temas científicos para o centro das atenções, mas a inclusão não foi duradoura. Comparando com os debates em países líderes globais, ela ressaltou que questões cruciais, como o aproveitamento de terras raras e a transformação digital, são negligenciadas no Brasil enquanto são centrais para o futuro da indústria global.
Ações da SBPC e o Observatório das Eleições
Em resposta a esse cenário, a SBPC lançou o Observatório das Eleições, um esforço para engajar candidaturas e qualificar o debate em torno de temas como mudanças climáticas e o risco de novas crises pandêmicas. Apesar dos esforços, apenas uma candidatura de âmbito federal está engajada, e nenhuma em nível estadual. A dificuldade em incluir a ciência na pauta é intensificada pela atual crise político-institucional, que desvia o foco dos debates eleitorais para conflitos e escândalos, em detrimento de discussões sobre o projeto de nação.
Francilene Garcia enfatizou que, para o Brasil assumir um papel de protagonista no cenário global, é imperativo que a ciência e a tecnologia estejam no centro das políticas públicas e do debate eleitoral. Ela acredita que a ciência oferece soluções para muitos dos desafios enfrentados pelo país, desde o envelhecimento populacional até a transição energética. Assim, a inclusão desses temas nos debates é crucial para o desenvolvimento sustentável e a prosperidade nacional.
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