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Congresso da Funfarme e Famerp debate riscos e avanços no diagnóstico da saúde mental

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A busca por informações sobre sintomas de saúde mental na internet e o uso de ferramentas de inteligência artificial para tentar identificar transtornos estão entre os novos desafios enfrentados por profissionais da área.

Os riscos desse chamado “autodiagnóstico” e os limites da tecnologia no cuidado serão discutidos no III Congresso Nacional de Saúde Mental: Assistência, Ciência e Tecnologia, promovido pela Funfarme e Famerp, nos dias 25 e 26 de setembro, no Centro de Convenções da Famerp.

O debate também está relacionado a uma realidade presente no próprio Complexo Funfarme, que conta com atendimento psicológico para pacientes em acompanhamento nas unidades e para colaboradores.

Na Clínica-Escola de Psicologia da Famerp, por exemplo, atualmente 19 alunos do 5º ano do curso de Psicologia realizam atendimentos, sob supervisão de professores, com cada aluno acompanhando cerca de dois pacientes. O serviço recebe pacientes vinculados ao Complexo Funfarme e colaboradores que chegam por meio dos fluxos de atendimento da instituição.

Para as especialistas Profa. Dra. Carla Zanin, chefe do Departamento de Psicologia do Hospital de Base e coordenadora da clínica-escola da Famerp, e a Profa. Dra. Maria Cristina Oliveira Santos Miyazaki, diretora-adjunta de Alunos da Famerp, buscar ajuda profissional diante dos primeiros sinais de sofrimento é importante porque cada pessoa pode apresentar causas e necessidades diferentes. “Você pode ter depressão por vários motivos, não é todo mundo que tem depressão pela mesma coisa”, explica a Profa. Dra. Maria Cristina.

Segundo ela, a avaliação profissional permite identificar as características do sofrimento e definir a intervenção mais adequada para cada caso. “O trabalho entre psicologia e psiquiatria também é integrado, contribuindo para uma assistência mais adequada e para a prevenção do agravamento dos quadros”, afirma ela.

Tecnologia não substitui o cuidado profissional

É justamente nesse contexto de busca por respostas rápidas na internet que a inteligência artificial entra no debate do congresso. As especialistas alertam que a tecnologia pode contribuir com informações, mas não substitui o trabalho do psicólogo.

“A inteligência artificial não faz o papel do psicólogo. O profissional consegue estabelecer vínculo, acolher, observar expressões e outros aspectos não verbais e compreender o contexto individual do paciente, elementos que não estão disponíveis para uma ferramenta que responde a partir das informações inseridas pelo usuário”, diz a Profa. Dra. Carla Zanin.

A preocupação também se estende às redes sociais e à hiperconectividade. O uso excessivo de telas, o isolamento, a comparação com vidas idealizadas nas redes e a pressão por desempenho podem gerar sofrimento e ansiedade. Esses impactos serão discutidos durante o congresso, que também abordará os desafios do ambiente digital entre adolescentes, incluindo situações de autolesão associadas a desafios na internet.

Outro destaque da programação será uma simulação de atendimento a uma situação de risco de suicídio associada ao uso da internet, com participação de psicólogo e psiquiatra. A atividade será realizada no formato de roleplay, uma dramatização de atendimento, aproximando os participantes de uma situação prática.

O III Congresso Nacional de Saúde Mental é voltado a psicólogos, psiquiatras, estudantes, residentes, profissionais da saúde, educadores e integrantes de equipes multidisciplinares. A programação inclui ainda discussões sobre regulação emocional na era da hiperconectividade, uso problemático de pornografia digital e os impactos da inteligência artificial na saúde mental.

Fonte: Assessoria de Imprensa

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