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CUT elogia fim da “massacrante” 6×1; CNI quer revisar PEC aprovada

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© Lula Marques/Agência Brasil.

A recente aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas gerou reações contrastantes entre trabalhadores e entidades empresariais. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) celebrou a mudança como uma conquista significativa para a classe trabalhadora, enquanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) expressou preocupações sobre o impacto econômico da medida.

Vitória para os trabalhadores

Para a CUT, o fim da “massacrante escala 6×1″ é uma vitória histórica. A entidade destaca que a redução da jornada de trabalho representa uma evolução importante na luta por condições de trabalho mais humanas e justas no Brasil. Essa mudança, segundo a CUT, significa um passo decisivo na superação de um modelo considerado arcaico e exaustivo, que afeta diretamente a qualidade de vida dos trabalhadores.

A Força Sindical também comemorou a aprovação, ressaltando que o “diálogo democrático” entre diferentes segmentos da sociedade foi crucial para a conquista. Miguel Torres, presidente da central, argumenta que a medida permitirá aos trabalhadores mais tempo para se dedicarem a atividades pessoais, como cuidados com a saúde, lazer e educação, o que pode, inclusive, aumentar a produtividade no longo prazo.

Preocupações do setor empresarial

Em contrapartida, a CNI manifestou-se contra a aprovação da PEC, classificando-a como um “retrocesso”. O presidente da CNI, Ricardo Alban, alertou para possíveis consequências negativas, como a perda de competitividade e o aumento da inflação. Ele pediu que o Congresso Nacional reavalie a decisão, considerando potenciais impactos econômicos adversos.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) também compartilhou preocupações, afirmando que mudanças dessa magnitude exigem uma análise aprofundada dos impactos sobre o emprego e a sustentabilidade das empresas. A entidade destacou que o momento político não é ideal para discutir temas tão estruturais.

Impactos econômicos em debate

Estudos sobre os impactos econômicos da redução da jornada de trabalho apresentam resultados variados. Enquanto algumas pesquisas indicam um aumento significativo nos custos de produção, outras sugerem que os efeitos negativos podem ser menores do que o esperado. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) prevê um impacto de 1% no custo total das empresas de setores como comércio e indústria, podendo chegar a 6,6% em áreas como vigilância e segurança.

A CNI estima que a nova legislação pode resultar em um aumento de R$ 267 bilhões nos custos de produção, uma queda de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB) e uma inflação média de 6,2%. No entanto, a discussão continua, e o Congresso Nacional pode revisitar a PEC caso os impactos sejam mais severos do que o inicialmente projetado.

Próximos passos

A PEC foi aprovada no Senado com 75 votos a favor e apenas um contra, refletindo uma mudança de posição da oposição após a pauta ser liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O texto prevê que, 60 dias após a promulgação, as empresas devem adotar a escala 5×2, com uma redução gradual da carga horária até alcançar 40 horas semanais após 14 meses.

A aprovação da PEC 221/2019 marca um ponto de inflexão nas relações de trabalho no Brasil, mas também sinaliza um período de ajustes e debates contínuos. O RP News continuará acompanhando os desdobramentos dessa importante mudança legislativa, comprometido com a entrega de informações precisas e atualizadas aos seus leitores.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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