Uma kombi cor-de-rosa estacionada chama atenção por onde passa, mas é só chegar perto para entender que ali não está apenas um veículo estilizado, e sim a casa inteira em movimento de um casal de São José do Rio Preto (SP). Marido e mulher vivem no motorhome, um estilo que transforma o cotidiano de outros casais do interior do Brasil em uma sequência de paisagens, encontros e pequenas adaptações.
É assim para a decoradora Francisca de Moura Brito, 54 anos, e o mecânico Raul Medeiros de Brito, 52, ambos de Rio Preto, e também para o aposentado Nilo Sergio Carvalho, 67, e a esposa, Aparecida, 60, que viajaram de Uberlândia (MG) para Ubarana, onde um encontro de campistas e caravanistas atraiu aproximadamente 300 pessoas no fim de semana e feriado prolongado.

Em comum, os casais trocaram a estabilidade de um endereço fixo pela liberdade de viver viajando.
Uma kombi, uma casa e uma nova vida
Há cerca de dois anos e meio, Francisca e Raul transformaram o veículo na própria moradia. Os dois decidiram alugar a casa onde viviam em Rio Preto e passaram a morar em uma kombi adaptada.
O modelo compacto ganhou personalidade e nome: “Penélope”, em referência à personagem Penélope Charmosa, do desenho “Corrida Maluca”.
A escolha não foi por acaso. Apaixonada pela cor rosa, Fran, como é chamada, viu a brincadeira feita por amigos virar identidade. Até um logotipo foi criado: a caricatura dos dois dentro da Penélope estilosa.
A kombi foi totalmente construída pelo próprio casal. Fran conta que ela mesma fez os móveis, instalou com o marido os sistemas elétrico e hidráulico e organizou o espaço para acomodar cozinha, cama, área de convivência e banheiro.
A decisão de alugar a casa foi estratégica para garantir uma renda fixa, ainda que modesta. Com custos reduzidos na estrada, graças à energia solar e à rotina simplificada, Fran e Raul conseguem se manter viajando.
Ela complementa a renda com a venda de artesanato em encontros de motorhomes, aproveitando para comercializar itens como panos de prato e guardanapos.
O abastecimento de água, um dos principais desafios desse estilo de vida, segundo ela, é resolvido com apoio de postos de combustíveis, prefeituras e, principalmente, das amizades feitas pelo caminho.
Entre prainhas, encontros e quilômetros rodados
Antes de se aventurar em viagens mais longas, Francisca e Raul começaram explorando destinos próximos, como as prainhas da região noroeste paulista. A experiência serviu como um período de adaptação.

Depois, vieram roteiros mais extensos: litoral de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e parte do Centro-Oeste. A viagem para Angra dos Reis e Paraty, a bordo da Penélope, em 2024, é considerada a memorável. Durou dois meses, e lá passaram o aniversário de casamento. Nordeste ainda está nos planos.
Os encontros de motorhomes, como o realizado em Ubarana (SP), são pontos importantes dessa jornada. Mais do que eventos, funcionam como espaços de troca e convivência entre pessoas que compartilham o mesmo estilo de vida.
Uma casa de 10 metros que cruza o país
O aposentado Nilo e a esposa Aparecida vivem essa experiência há mais tempo. Há 16 anos, o casal, que mora em Uberlândia (MG), viaja em um motorhome montado em um ônibus MB O364 de cerca de dez metros de comprimento.
O veículo, adquirido já adaptado, reúne conforto de sobra: quarto com cama de casal, banheiro com água aquecida a gás, cozinha equipada, mesa para refeições, televisão, geladeira, máquina de lavar roupa e energia gerada por placas solares.
Ao longo dos anos, os dois já percorreram diferentes regiões do país, com destaque para o Sul, onde mantém uma rede de amigos. Entre os destinos já percorridos, estão Gramado e Pomerode, palco tradicional de encontros de campistas e caravanistas.

As viagens mais longas duram até dois meses e meio. Mais do que isso, segundo Nilo, o prazer de viajar diminui.
Mesmo com a experiência, os desafios existem. Problemas mecânicos fazem parte do planejamento, assim como situações inesperadas. Em uma das viagens, em Maringá (PR), Aparecida sofreu uma queda e precisou de atendimento médico após fraturar a clavícula.
Para reduzir imprevistos, a manutenção do veículo é constante, e as paradas para descanso costumam ser feitas em postos de combustíveis, considerados mais seguros.
Prainha do interior de SP no roteiro
A viagem até Ubarana foi a primeira de Nilo e Aparecida à cidade paulista, descoberta por indicação de amigos. O cenário, com lago e áreas de sombra, chamou a atenção.
Fonte: G1